Argentina: Milei fecha primeiro ano com inflação ainda acima de 100%
Um ano de Milei: inflação cai de 211% para 107% com superávit de 1,4% do PIB, mas pobreza sobe para 52% e consumo recua 10% em termos reais.
O governo do presidente Javier Milei completou um ano com a inflação anual acumulada ainda acima de 100%, mas com tendência clara de desaceleração: de 211% em novembro de 2023 para 107% em novembro de 2024. O governo comemora a queda na inflação mensal — de 25,5% em dezembro de 2023 para 2,4% em outubro de 2024 — como sinal do sucesso do choque fiscal.
O superávit primário de 1,4% do PIB no primeiro ano de governo foi o maior da Argentina em décadas e surpreendeu o mercado financeiro, que esperava resultado menor. O peso argentino se estabilizou relativamente após o choque inicial da desvalorização.
Custo social
O custo social das medidas foi alto: a pobreza saltou de 40% para 52% da população no primeiro semestre de 2024, segundo o Indec. O desemprego subiu e o consumo caiu 10% em termos reais. Milei defende que o ajuste era inevitável e que os resultados positivos virão no médio prazo.
A aprovação de Milei caiu de 70% no início do governo para 52% um ano depois, mas ainda é considerada alta para um presidente que aplicou medidas de austeridade severas.