Curiosidades

A aldeia no Nordeste que preserva dialeto com mistura de tupi e português

Comunidade Tabajara de Portalegre (RN) preserva dialeto tupi-português do séc. XVII com 3.000 palavras únicas; menos de 200 falantes plenos e língua ameaçada.

A comunidade indígena Tabajara, localizada nas serras do município de Portalegre, no Rio Grande do Norte, preserva até hoje um dialeto único que mescla vocábulos do tupi antigo com o português colonial do século XVII — uma verdadeira cápsula do tempo linguística. A comunidade de 820 pessoas usa esse dialeto no cotidiano, em cantos ritualísticos e na transmissão oral de conhecimentos sobre plantas medicinais e astronomia.

Pesquisadores da UFRN e do Museu do Índio documentam há dez anos o dialeto, que tem cerca de 3.000 palavras de origem tupi não encontradas em nenhum outro dialeto ou língua viva. Entre elas, termos para fenômenos climáticos, para espécies de animais extintos e para técnicas de navegação fluvial.

Ameaças e preservação

O dialeto está ameaçado: menos de 200 falantes têm domínio pleno, e a maioria tem mais de 50 anos. As crianças da comunidade crescem bilíngues, mas preferem o português para a comunicação cotidiana. Os pesquisadores criaram um dicionário digital e aplicativo de aprendizado do dialeto para incentivar os jovens.

A Funai reconheceu o território Tabajara e trabalha para garantir a demarcação das terras da comunidade, o que é visto pelos líderes como fundamental para a preservação da cultura e da língua.

Compartilhar