O efeito Foehn e por que ele provoca tanto calor no Agreste pernambucano
Efeito Foehn explica o calor seco no Agreste quando o Litoral está na chuva: ar úmido sobe a Serra da Borborema, condensa e ao descer aquece 8°C a 12°C.
Moradores do Agreste pernambucano conhecem bem o fenômeno: mesmo no inverno, quando a Serra da Borborema está coberta de nuvens e chuva, o lado leste da serra — de frente para o Litoral — pode estar molhado e frio, enquanto o lado oeste — voltado para o Sertão — experimenta um calor seco e intenso que pode ser 8°C a 12°C mais quente.
Esse fenômeno é chamado de Efeito Foehn, nome derivado de um vento quente dos Alpes suíços. No Agreste pernambucano, ele ocorre quando os ventos alísios do Atlântico empurram ar úmido contra a escarpa oriental da Serra da Borborema. O ar sobe, esfria e condensa — formando nuvens e chuva no lado da Mata — e, ao descer pelo lado do Agreste, aquece rapidamente por compressão adiabática.
Impacto na agricultura e no clima
O efeito explica por que municípios da Serra da Borborema como Gravatá e Triunfo têm clima úmido e fresco, enquanto Caruaru e Garanhuns — a apenas 50 km de distância — têm clima mais seco e temperaturas mais altas no inverno quando sopram os alísios.
O efeito Foehn é estudado por meteorologistas da Apac, pois influencia diretamente a distribuição de chuvas no Agreste e o planejamento agrícola. Nos próximos anos, as mudanças climáticas podem intensificar o fenômeno, aumentando a aridez no lado oeste da Serra.