A fonte secou: pré-candidatura milionária de Moacir Bezerra Filho desaba antes de sair do papel
Filho da conselheira tutelar Adriana Bezerra prometia campanha bilionária a deputado estadual, arregimentou cabos eleitorais esquecidos pela política local — e agora nem confirma, nem desmente que desistiu
A pré-eleição para deputado estadual por Pernambuco já tem sua primeira baixa. Moacir Bezerra Filho, filho da conselheira tutelar Adriana Bezerra, dá fortes sinais — a julgar pela sua movimentação pública recente — de que abandonou o projeto de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, embora, até o fechamento desta matéria, não tenha assumido publicamente a desistência.
Segundo quem acompanha a política local há mais tempo, Moacir nunca foi um nome de peso na política de Garanhuns. Por anos, teria circulado nos bastidores como entusiasta e cabo eleitoral, sempre próximo a Givaldo Calado, sem nunca ter encabeçado uma candidatura própria. Sua reaparição na cena política, há pouco mais de um ano, surpreendeu justamente por isso: o desconhecido do grande público voltou se apresentando como empresário do setor de tecnologia — sem nunca citar publicamente o nome de qualquer empresa sua — e anunciando, segundo relatos de apoiadores da época, um orçamento de campanha na casa dos R$ 25 milhões.
A promessa de fartura funcionou como ímã. Moacir passou a reunir ao seu redor cabos eleitorais e figuras políticas que a cidade já dava como página virada, gente sem grande capital de votos mas com experiência de campanha, seduzida pela ideia de uma candidatura milionária, com direito a escolta e estrutura de sobra.
Nas últimas semanas, porém, o entusiasmo azedou. Segundo relatos de integrantes do próprio grupo ouvidos por este portal, prazos e compromissos financeiros deixaram de ser cumpridos há mais de dois meses, sempre adiados com a mesma desculpa: amanhã, depois de amanhã, semana que vem. Uma reunião chegou a ser realizada no auditório do Palace Hotel para dar sinal de fôlego à pré-campanha — mas, segundo quem esteve lá, serviu apenas para a foto. Os compromissos prometidos não vieram.

O esvaziamento também é visível nas redes sociais do pré-candidato. Onde antes apareciam aglomerações de apoiadores em restaurantes e caminhadas, hoje restam apenas registros de Moacir acompanhado de duas ou três pessoas — sem o cenário de fartura que marcou o início do projeto.

Vale registrar que, no dia 27 de junho, este portal procurou Moacir Bezerra diante do mesmo burburinho sobre um suposto enfraquecimento do grupo. Na ocasião, o pré-candidato negou qualquer fragilidade, afirmou que a pré-candidatura crescia a cada dia em Garanhuns e no Agreste Meridional e atribuiu as especulações a adversários derrotados nas urnas. É diante desse quadro — de crescimento anunciado há pouco mais de uma semana — que o cenário atual, de silêncio e esvaziamento observável, chama atenção.
O que intriga até quem participou do grupo, segundo relatos ouvidos por este portal, é o silêncio. Moacir Bezerra Filho não confirma o fim da pré-candidatura, mas também não dá qualquer sinal de que ela continue de pé. Enquanto isso, quem embarcou no projeto espera respostas que, segundo os próprios relatos, não vêm chegando — assim como não chegou o dinheiro prometido.





