Antes do MDB, O Contraditório: como este portal antecipou em 24 horas o fim da pré-candidatura de Moacir Bezerra
Nota assinada pelo ex-vice-governador Raul Henry confirma o que este portal revelou 24 horas antes — e classifica a pré-candidatura como marcada por controvérsias tão graves que o próprio partido questiona se o pré-candidato merece conviver em sociedade
Nesta quarta-feira (08/07), o MDB de Pernambuco divulgou uma nota oficial confirmando que não registrará a candidatura de Moacir Bezerra Filho a deputado estadual. O comunicado, assinado pelo presidente estadual da legenda, Raul Henry — ex-vice-governador de Pernambuco e uma das lideranças mais experientes da política do estado —, classifica a pré-candidatura como marcada por sucessivas controvérsias legais, políticas e morais, e vai além: afirma que esse tipo de perfil não deveria ter espaço nem na sociedade, muito menos dentro do partido.
Não é qualquer nota, de qualquer legenda. O MDB é um dos partidos históricos do país, e a assinatura é de um nome que já ocupou o segundo cargo mais importante do Executivo estadual — alguém que dificilmente colocaria seu nome em um texto dessa dureza sem lastro. Fica a pergunta que qualquer leitor atento faria: o que se passou nos bastidores para que uma figura desse peso escrevesse, em nota oficial, que um pré-candidato não merece conviver em sociedade? Este portal não responde por ninguém — mas é uma pergunta que o próprio MDB deixou no ar.

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UMA CRONOLOGIA DE VERSÕES QUE NÃO SE SUSTENTAM JUNTAS
Reconstituímos, com data e fonte, cada movimento público de Moacir Bezerra Filho nos últimos seis meses. O resultado é uma sequência de contradições que ajuda a explicar a dureza da nota de hoje.
30 de janeiro — a “novidade política”. Em entrevista ao jornalista Carlos Eugênio, Moacir se apresentou como novidade política do Agreste, anunciando disputa pela Federação Brasil da Esperança (PV, PT e PCdoB), com apoio declarado do deputado federal Clodoaldo Magalhães, líder nacional do PV. Declarou-se confiante na vitória de Raquel Lyra ao Governo do Estado.
1º de maio — a virada de lado. Em nova publicação do mesmo blog, Moacir aparece agora filiado ao MDB, declarando apoio a Gabriel Porto — que passa a ser seu pré-candidato de referência a deputado federal — e ao prefeito do Recife, João Campos, ao Governo do Estado, deixando de lado os apoios que declarava três meses antes. É importante notar que, meses antes, torcia justamente pela vitória de Raquel Lyra, adversária direta de Campos na disputa pelo governo estadual. Em três meses, Moacir havia trocado de partido, de padrinho político e de lado nessa disputa.

19 de junho — a tentativa de sobrevida. Moacir publicou em suas redes registros de um evento apresentado como celebração de “reencontros e pessoas que acreditam em Pernambuco”, com banner oficial de pré-candidato a deputado estadual pelo MDB ao fundo. Mas, segundo relatos de pessoas próximas ao grupo à época, a realidade por trás das fotos era outra: tratava-se de uma tentativa de mostrar fôlego a uma campanha que já dava sinais de esvaziamento diante de compromissos que Moacir não vinha cumprindo com apoiadores. Ainda de acordo com esses relatos, parte dos presentes foi ao encontro esperando ver pendências resolvidas, mas ouviu apenas a justificativa de que problemas em suas empresas o teriam atrapalhado, com a promessa de que tudo seria resolvido em breve. Os relatos apontam evasão perceptível ao longo da noite — e, dali em diante, os nomes de Gabriel Porto e João Campos, que meses antes apareciam ao lado de Moacir, deixaram de figurar em qualquer banner, publicação ou evento do pré-candidato.
27 de junho — o discurso do crescimento. Diante dos primeiros boatos na cidade sobre um possível enfraquecimento de sua base, Moacir procurou este portal para negar qualquer fragilidade, afirmando que a pré-candidatura crescia a cada dia em Garanhuns e no Agreste, e atribuindo as especulações a adversários derrotados nas urnas.
29 de junho — a queixa contra a imprensa. Dois dias depois, Moacir publicou em suas redes que havia registrado, acompanhado de advogado, uma denúncia na delegacia de Garanhuns por extorsão e difamação. Segundo suas próprias palavras, a denúncia mirava um “pseudo jornalista” que estaria à frente de um perfil de Instagram na cidade — não este portal, vale frisar. Na publicação, Moacir seguia se apresentando como pré-candidato a deputado estadual e homem público.
6 de julho — a véspera. Na véspera da publicação que expôs o esvaziamento da pré-candidatura, este portal apurou, em conversa com alguns dos apoiadores mais próximos de Moacir, num ponto de encontro político da cidade, que o pequeno grupo que ainda restava ao seu redor já se movimentava para desmontar de vez a estrutura da campanha. Segundo os relatos, prazos haviam sido marcados, remarcados e seguiam sem cumprimento, e parte desse grupo já se preparava para comunicar formalmente o fim de sua participação no projeto.
7 de julho — a fonte seca. Com base nessa apuração — e no que já era visível a olho nu — este portal publicou a matéria que expôs o esvaziamento da pré-candidatura, incluindo o caso de Paulinho Paiacan, um dos apoiadores mais fiéis a Moacir em Garanhuns, que já não estava mais migrando, e sim já havia migrado publicamente para outro projeto político.

Horas depois da publicação, que já mostrava que a pré-candidatura estava praticamente encerrada, o próprio Moacir e sua mãe, a conselheira tutelar Adriana Bezerra, procuraram este portal em grupos de WhatsApp para contestar a reportagem de forma exaltada, classificando-a como mentirosa e tentando desacreditar a cobertura.
8 de julho — a resposta que ninguém esperava. A confirmação veio muito mais rápido, e com um peso institucional muito maior, do que este portal poderia imaginar no dia anterior. Menos de 24 horas depois deste portal ser chamado de mentiroso, o MDB de Pernambuco veio a público confirmar exatamente o que este portal já apurava — e foi além, muito além, classificando a pré-candidatura como marcada por controvérsias legais, políticas e morais.
Ainda no mesmo dia, Moacir publicou uma nova versão dos fatos — desta vez sem qualquer menção aos apoios que dominaram suas redes em maio, e sem qualquer referência à discussão da véspera. Afirmou ter retirado sua pré-candidatura há cerca de 30 dias — o que aponta para o início de junho —, alegando que a inviabilidade de formação de uma chapa competitiva tornou a disputa incompatível com o projeto que dizia defender. Na mesma publicação, reafirmou apoio à pré-candidatura a deputado federal do atual deputado estadual Izaías Régis e agradeceu ao MDB pela oportunidade.
A CONTA NÃO FECHA
Aqui está o ponto central: se Moacir de fato desistiu “há cerca de 30 dias”, isso posiciona sua saída no início de junho. Só que, depois dessa data, ele: promoveu um evento de pré-campanha em 19 de junho com banner oficial de candidato; negou categoricamente qualquer fragilidade a este portal em 27 de junho, garantindo crescimento; registrou queixa na polícia em 29 de junho, ainda se identificando como pré-candidato e homem público; e, na véspera da nota do MDB, classificou como mentirosa uma matéria que o próprio partido, poucas horas depois, praticamente confirmaria com ainda mais gravidade. São versões, todas dadas pelo próprio Moacir, que simplesmente não se sustentam juntas.
É essa sucessão de discursos — de “novidade política” apostando em Raquel Lyra, passando pela troca de partido e de padrinho político em menos de três meses, pela tentativa de sobrevida em junho, pelo desmentido categórico de fragilidade, pela reação exaltada contra este portal na véspera da nota, até uma desistência que ele diz ter ocorrido semanas antes de negá-la publicamente — que evidencia a instabilidade que marcou toda a trajetória dessa pré-candidatura. Some-se a isso um ponto que nunca foi esclarecido: desde que surgiu no cenário político anunciando recursos milionários para a campanha, Moacir jamais identificou publicamente as empresas de tecnologia das quais se apresentava como proprietário, nem a origem do capital que dizia ter disponível. É esse conjunto de lacunas — de origem de recursos a versões contraditórias sobre datas — que parece ecoar na dureza da nota assinada por Raul Henry.
E fica uma última pergunta no ar: se o próprio MDB não tivesse encerrado formalmente essa história, até quando Moacir manteria publicamente uma pré-candidatura que, segundo tudo que este portal apurou, já não existia mais havia semanas?
Fica registrado: um dia antes de qualquer confirmação oficial, foi este portal quem trouxe a informação a público — e quem sustentou essa cobertura mesmo diante da contestação direta de quem estava no centro do caso.




