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Pernambuco

Quando ninguem queria roer o osso, dois nomes abriram a porta de Garanhuns para Debora Almeida

Em 2022 ela chegou de Sao Bento do Una sem voto na cidade. Quem sustentou o primeiro palanque foram Gil PM e Gera do Magano.

Quando ninguem queria roer o osso, dois nomes abriram a porta de Garanhuns para Debora Almeida
Fotos recebidas pelo editor Kleber Cisneiros; montagem: O Contraditorio.

Volte a agosto de 2022.

Garanhuns em clima de campanha. Débora Almeida — advogada, prefeita de São Bento do Una por dois mandatos, natural de Garanhuns — ainda era uma forasteira aqui como candidata. Não morava na cidade. Chegava para se apresentar.

Na noite do dia 29 daquele mês, num encontro com mais de cem pessoas — comerciantes, advogados, estudantes, donas de casa — um gesto mudou a rota dela por aqui.

O ex-vereador Gil PM subiu ao palanque ao lado de Débora e disse, com todas as letras, que estava com ela.

Até ali, Gil vinha pedindo voto para o candidato socialista Cayo Albino, filho do prefeito Sivaldo Albino. Tinha até aceitado, meses antes, um convite para ocupar um espaço na gestão socialista. Mas contou, naquela noite, que se sentia desconfortável no governo e que, depois de conversar com Débora, decidiu mudar de lado.

Não foi um apoio qualquer.

Gil PM é policial militar da reserva, conhecido no trânsito de Garanhuns, vereador por dois mandatos — com quase mil votos na primeira vitória e mais de 1,6 mil na segunda —, eleitorado fiel e fama de aguerrido. Em 2020 foi reeleito vereador. Era vice-presidente da Câmara e, com a morte do presidente Daniel da Silva, assumiu a presidência do Legislativo até o fim do mandato. Gera, por sua vez, é o nome que o Magano reconhece na porta de casa — e estava ao lado dele naquele mesmo ato, sem largar a mão depois.

Era o primeiro voto de confiança. O osso.

Dois meses depois, Débora foi eleita deputada estadual com 51.282 votos em Pernambuco — 1,02 percentual dos válidos, 24a colocada entre 609 candidatos. Virou a voz do Agreste na Assembleia, como prometera naquela noite.

Em Garanhuns, foram 750 votos para Débora naquela eleição.

O depois todo mundo conhece.

No sábado, 19 de setembro de 2026 — quatro anos depois daquele primeiro palanque — Débora voltou a Garanhuns para uma maratona de agendas que o Blog do Carlos Eugênio registrou em 21 de setembro. Começou no Sítio Cágados, passou por um torneio no Sítio Lajes e terminou no Comitê Regional da Avenida Rui Barbosa. Ao lado dela, de novo, estavam Gil PM e Gera do Magano — agora dividindo a mesa com Izaías Régis, Audálio Ramos Filho, Ivan Júnior, Moshe Dayan e lideranças de bairros e distritos.

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“Izaías, aliás, é um caso à parte: ninguém sabe ao certo com quem ele está — se com um, com todos ou com ninguém. Num dia aparece de manhã com Débora, à tarde com Anderson, à noite com Claudiano. Vai onde a reunião acontece. Levar a sério ou na brincadeira, só ele sabe”

O grupo cresceu. Hoje tem muita gente com Débora em Garanhuns — e isso é bom. Sinal de que o nome ficou bom de vender: ela mostrou serviço, manteve presença e entregou o que prometeu quando pediu o primeiro voto.

Mas quem estava ali quando ainda não era bom?

Gil e Gera estavam.

E continuam.

Enquanto novos apoios chegam com a vitrine pronta, os dois pioneiros seguem no mesmo lugar onde começaram — ao lado dela. Não é detalhe. É constância. Em política, constância vale mais que fotografia de última hora.

Débora, Gil e Gera formam hoje uma trinca que atravessou a eleição mais difícil — a primeira — e colheu, juntos, a consolidação que veio depois.

Roer o osso em 2022 foi o preço para ter, hoje, um nome que Garanhuns respeita.

Entenda

Ser forasteira como candidata não é defeito nem acusação. É só o nome técnico para quem disputa voto numa cidade onde não construiu, até ali, base eleitoral. Débora nasceu em Garanhuns, mas fez a carreira política em São Bento do Una. Em 2022 ela precisava — como todo forasteiro — de fiadores locais. Fiador, aqui, é gente da cidade que empresta seu nome e sua história para dizer ao vizinho: pode confiar, eu conheço e estou junto.

Bastidores

A cronologia vem da apuração de 29 de agosto de 2022 e da agenda de 19 de setembro de 2026. Os votos de Débora: 51.282 em Pernambuco e 750 em Garanhuns.

Fontes principais

  • Apuração 29/08/2022
  • Agenda 19/09/2026
  • Apuração 02/10/2022

Para guardar

Fica o registro do pioneirismo. Fica a lembrança de que, em 29 de agosto de 2022, quando Débora ainda era uma aposta, Gil PM trocou de palanque publicamente e Gera do Magano sustentou a aposta com ele.

Fica também o peso daquele primeiro voto, num ano em que ela ainda era desconhecida aqui.

E fica o convite: se você esteve naquele ato, se tem foto, vídeo ou lembrança daquela noite, mande para a redação. História com prova fica melhor.

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