Prefeitura tenta barrar obra que leva asfalto às ruas da Colônia
Adriano contesta o embargo de Rivanda; Marco Patriota acompanha os serviços e atribui a chegada da pavimentação à articulação de Fernando Filho com o governo estadual.

Com máquinas e trabalhadores mobilizados nas ruas da Colônia, em Jupi, a gestão da prefeita Rivanda Freire determinou a paralisação imediata do recapeamento asfáltico. A ordem está num termo de embargo datado de 1º de outubro, dirigido à CPM Construtora. No momento em que a melhoria começava a ganhar forma, a resposta escrita da prefeitura foi mandar parar.
O vereador Adriano da Colônia reagiu no próprio local dos serviços. Com a notificação nas mãos, contestou a medida e defendeu a continuidade da obra. O ex-prefeito Marco Patriota também apareceu acompanhando a pavimentação e conversando com moradores. Ambos atribuem ao deputado federal Fernando Filho a articulação com o governo de Pernambuco para levar o asfalto à comunidade.
A questão que a prefeita precisa explicar é concreta: por que a continuidade de uma melhoria para a Colônia foi submetida a uma ordem de interrupção imediata? A justificativa apresentada no documento é a falta de comprovação das autorizações municipais e da regularidade ambiental exigível. Adriano contesta essa versão e afirma que a documentação já havia sido protocolada.
Adriano enfrenta o embargo
O registro do vereador mostra o que estava em jogo. Atrás dele, aparecem trabalhadores e uma faixa de asfalto junto de um trecho ainda revestido de pedras. Adriano agradece a Fernando Filho e à governadora Raquel Lyra pela obra e, em seguida, relata que a empresa recebeu uma notificação da gestão municipal para embargá-la.
Segundo o vereador, já havia empenho — o registro de que a despesa foi assumida pelo poder público —, notas fiscais e documentos organizados e protocolados para o começo dos trabalhos. Sua reação foi tornar a ordem conhecida e cobrar que a melhoria pudesse avançar.
Os comprovantes mencionados por Adriano ainda precisam ser confrontados com o processo municipal. A contestação dele põe uma pergunta direta para a gestão: o que aconteceu com a documentação que o vereador afirma já ter sido apresentada?
Marco nas ruas, Fernando na articulação
A sequência dos vídeos ajuda a entender a mobilização em torno da pavimentação. Adriano relata que Fernando Filho esteve numa reunião política na Colônia e assumiu o compromisso de ajudar a levar o asfalto. Segundo o vereador, as máquinas chegaram ao amanhecer do dia seguinte.
Marco Patriota, por sua vez, atribui a chegada da pavimentação à articulação de Fernando com a governadora e a Companhia Estadual de Habitação e Obras, a CEHAB. É a explicação apresentada pelo ex-prefeito para o início dos serviços.
Marco também aparece numa visita noturna. Ele informa que são nove horas da noite. A montagem mostra máquinas, trabalhadores espalhando material e o ex-prefeito conversando com moradores perto de suas casas. A presença junto da obra dá conteúdo à defesa da pavimentação: havia serviço sendo executado e gente acompanhando o resultado na porta de casa.
A população é a destinatária dessa melhoria, independentemente de quem receba o crédito político por ela.
Rivanda mandou parar
O termo leva a assinatura da prefeita Rivanda Maria Freire Lima Teixeira e apresenta a prefeitura como responsável pelo embargo. Na cópia recebida, a ordem vai além de solicitar documentos. Ela determina a paralisação após a ciência da empresa e mantém o reinício dos trabalhos dependente de autorização municipal expressa e escrita.
Uma frase resume a decisão: “O prazo para apresentação dos documentos não autoriza a continuidade dos serviços.” Pelo texto, protocolar documentos ou pedir revisão também não basta para retomar a obra.
📄 Confira o termo de embargo
Cópia de cinco páginas da notificação e do termo de embargo da Prefeitura de Jupi, datado de 1º de outubro de 2026, disponibilizada pela reportagem.
Rivanda deve respostas. Sua gestão precisa demonstrar quais pendências exigiam a interrupção imediata, como examinou os documentos que Adriano diz terem sido apresentados e o que fez para garantir a melhoria esperada pela Colônia com a regularidade exigida. A ordem de parar está escrita. A prefeita também deve apresentar um caminho para a obra avançar.
Há ainda falhas de preenchimento na cópia recebida. O trecho destinado a indicar os dispositivos da legislação municipal que sustentariam a fiscalização e o embargo conserva uma instrução de modelo entre colchetes. A folha de recebimento pela empresa está em branco, e a certidão de diligência não informa data, hora ou circunstâncias da entrega.
O documento prevê defesa e pedido de revisão. A prefeitura deve apresentar o processo administrativo completo, inclusive os registros de ciência e a análise da documentação. Os vídeos de serviços em execução, inclusive à noite, não permitem estabelecer se houve paralisação efetiva ou autorização posterior para continuar.
O povo da Colônia não pode perder
Para o povo da Colônia, essa obra aguardada representa uma melhoria no dia a dia. O asfalto facilita a circulação, favorece o comércio e pode valorizar casas e pontos comerciais. Ver as ruas asfaltadas também fortalece a autoestima dos moradores e o orgulho de pertencer à comunidade.
O contexto eleitoral aparece nas falas dos envolvidos, com agradecimentos, alianças e pedidos de voto. Isso torna a cobrança política inevitável, mas não permite apresentar como provado que a rivalidade foi o motivo do embargo. O ato que pode ser cobrado desde já é a decisão administrativa da gestão de Rivanda.
O embargo foi assinado em 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4). Rivanda Freire declarou apoio a João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco. Adriano da Colônia, Marco Patriota e Fernando Filho estão no campo político da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição.
A obra teria recebido a mesma ordem de embargo se tivesse chegado pelas mãos dos aliados da prefeita?
A reação de Adriano, a presença de Marco na obra e a articulação atribuída a Fernando Filho colocam em pauta um benefício concreto para a comunidade. A defesa da continuidade merece ser reconhecida pelo que busca preservar. A gestão de Rivanda tem o dever de responder com o processo, as razões concretas da medida e um caminho para resolver as pendências alegadas.
A Colônia precisa da melhoria nas ruas. Rivanda deve responder pela ordem de parar e dizer o que fará para garantir a obra aos moradores.
Como apuramos
Examinamos a notificação e o termo de embargo; a cópia disponibilizada nesta reportagem tem cinco páginas. Também revimos os vídeos da obra e do encontro político na Colônia enviados à reportagem. Conferimos as cenas e as transcrições, identificamos republicações da mesma gravação e usamos as declarações em paráfrase. A frase entre aspas foi conferida no documento.
O material recebido não inclui o processo municipal completo nem os comprovantes de protocolo citados por Adriano. As consultas aos mapas públicos de contratos da CEHAB não identificaram um instrumento ligado de maneira inequívoca a esta intervenção. A justificativa municipal relatada no texto é a do próprio termo de embargo. Ainda não houve entrevista com a prefeitura sobre o caso.
Fontes principais
- Notificação Administrativa e Termo de Embargo nº 001/2026, cópia de cinco páginas disponibilizada pela reportagem, datada de 01/10/2026.
- Vídeos dos perfis de Adriano da Colônia e Marco Patriota, com registros da pavimentação, do encontro político e da contestação do embargo.
- Câmara de Jupi — perfil do vereador Adriano da Colônia.
- Câmara dos Deputados — Fernando Coelho Filho.
- CEHAB — mapas públicos de contratos.
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