Alimentos ultraprocessados respondem por 58% da dieta do brasileiro
Ultraprocessados representam 58% das calorias dos brasileiros, maior nível histórico; Anvisa prepara selo frontal de alerta e PL proíbe venda em escolas públicas.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Saúde Pública (IBSP), em parceria com a USP e a UNICAMP, revelou que os alimentos ultraprocessados respondem por 58% das calorias consumidas pelos brasileiros — a maior proporção já registrada no país. O dado preocupa nutricionistas e pesquisadores, já que o consumo elevado de ultraprocessados está associado ao aumento de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e certos tipos de câncer.
Os ultraprocessados mais consumidos são refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, embutidos e refeições prontas congeladas. O consumo é maior entre jovens de 14 a 24 anos e nas regiões Sul e Sudeste.
Impacto e regulação
A Anvisa prepara nova regulamentação para a rotulagem de alimentos ultraprocessados, com a criação de um símbolo de alerta frontal nas embalagens — similar ao adotado no Chile e na Argentina — para produtos com excesso de açúcar, sódio e gordura saturada.
O movimento pelo retorno das cantinas saudáveis nas escolas ganhou força no Congresso, com projeto de lei que proibiria a venda de ultraprocessados nas redes públicas de ensino. Especialistas defendem que a regulação precisa ser combinada com educação alimentar desde a infância.