Sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Agreste

Cristo do Magano: quase três anos de obra, um contrato rescindido por abandono, dois portais oficiais que não fecham a mesma conta — e um canteiro que, dois meses depois de ‘retomado’, segue do jeito que estava

Levantamento de O Contraditório reconstrói, mês a mês desde 2023, a história da obra mais simbólica de Garanhuns: uma empresa que abandonou o canteiro com menos de um quinto do serviço feito, uma segunda empresa contratada para terminar o que falta, e um vídeo gravado nesta segunda-feira (13/07) que mostra ferragem exposta, tijolo empilhado e nenhum operário à vista — quase dois meses depois de o prefeito ter assinado a ordem de serviço de retomada

Cristo do Magano: quase três anos de obra, um contrato rescindido por abandono, dois portais oficiais que não fecham a mesma conta — e um canteiro que, dois meses depois de ‘retomado’, segue do jeito que estava

Quem sobe até o Cristo do Magano hoje encontra o mesmo cenário de sempre: vista para o Agreste, o monumento no alto, e um canteiro de obras que parece ter parado no tempo. Ferro de fundação enferrujando ao ar livre, mato crescendo entre as marcações, tijolo empilhado sem ninguém para assentar, uma estrutura de colunas inacabada que deveria virar o Centro de Cultura e Artes. Nenhum operário. Nenhuma máquina em movimento. O registro é de segunda-feira (13/07), feito por este portal no próprio local — e ele importa porque a Prefeitura de Garanhuns havia anunciado, dois meses antes, que a obra estava sendo retomada.

Para entender por que uma simples visita ao local virou notícia, é preciso contar a história inteira — porque, ao juntar a cobertura da imprensa local dos últimos três anos com os dados dos dois portais de transparência que deveriam registrar cada centavo gasto ali, a conta simplesmente não fecha.

O QUE É O CRISTO DO MAGANO E POR QUE ISSO IMPORTA PARA GARANHUNS

O Cristo do Magano é um dos principais pontos turísticos, culturais e religiosos de Garanhuns — um mirante no ponto mais alto do município, historicamente conhecido também como Mirante do Magano. Em 2023, a Prefeitura decidiu ampliar o espaço: além de reformar o monumento, o projeto previa construir ali um Centro de Cultura e Artes. O espaço está fechado para visitação desde outubro de 2023, quando as obras começaram — ou seja, a cidade já convive há quase três anos sem poder usar um dos seus principais cartões-postais.

Essa ausência pesa especialmente porque coincide com o principal calendário turístico da cidade. Desde a interdição, em outubro de 2023, Garanhuns já realizou três edições do Festival de Inverno (FIG) — a 32ª, em 2024, a 33ª, em 2025, e a 34ª, em 2026 — que todos os anos atraem milhares de turistas à cidade. Em três Festivais de Inverno seguidos, um dos pontos mais altos e mais bonitos de Garanhuns simplesmente não pôde ser visitado por quem veio de fora para conhecer a cidade.

Há ainda uma camada histórica do lugar que reforça o tamanho dessa perda. Durante anos, o entorno do Cristo do Magano recebeu a encenação de um espetáculo de Paixão de Cristo, tradição que mobilizava moradores e atraía visitantes na Semana Santa. Registros fotográficos da época mostram a atual secretária municipal de Cultura, Sandra Cristina Rodrigues Albino, entre os organizadores e atuando no papel de Maria Madalena, ao lado de quem era seu marido à época, o professor Carlos Janduí (hoje seu ex-marido). Hoje, nem o espetáculo segue acontecendo, nem a estrutura que um dia o recebeu escapou do abandono — as construções de apoio ao pé do monumento aparecem, no vídeo gravado por este portal em 13 de julho de 2026, tomadas por mato e sem uso. Não deixa de ser um contraste chamar atenção: a mesma gestão que tem, à frente da Secretaria de Cultura, uma de suas antigas organizadoras, não retomou o apoio institucional ao espetáculo nem recuperou o espaço onde ele acontecia.

Sandra Albino no papel de Maria Madalena no espetáculo da Paixão de Cristo
Sandra Cristina Rodrigues Albino, hoje secretária de Cultura de Garanhuns, no papel de Maria Madalena no espetáculo da Paixão de Cristo que acontecia no entorno do Cristo do Magano (Fotos: Jornal DAC)
Sandra Albino e o professor Carlos Janduí
Sandra Albino e o professor Carlos Janduí, então marido dela e um dos organizadores do espetáculo, em registro de época

A CRONOLOGIA COMPLETA

Outubro de 2023 — a obra começa. A Prefeitura assina a ordem de serviço e o Contrato Administrativo nº 179/2023, resultado da Concorrência nº 022/2022, com a empresa JC3 Engenharia LTDA, sediada em Maceió (AL). O prazo inicial de entrega era de um ano, ou seja, outubro de 2024. Segundo o edital da concorrência, os recursos alocados somavam R$ 7.246.615,46, sendo cerca de R$ 5,39 milhões repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e o restante de recursos próprios do município.

Colunas inacabadas e ferro exposto no canteiro de obras abandonado do Cristo do Magano
A estrutura inacabada de colunas de concreto e ferro exposto que deveria abrigar o Centro de Cultura e Artes, no mirante do Cristo do Magano (Fotos: O Contraditório)

Outubro de 2024 — primeira prorrogação. Com a obra sem previsão de terminar no prazo, um termo aditivo (nº 179-2023) prorroga o contrato por mais um ano, com nova data-limite em outubro de 2025.

Fevereiro de 2025 — primeiro alerta oficial. A Prefeitura notifica formalmente a JC3 Engenharia por descumprimento do cronograma físico-financeiro. Segundo a própria notificação, a empresa mantinha “um quantitativo de funcionários abaixo do recomendado para o cumprimento das metas estabelecidas” — e o documento chega a registrar que a situação expunha o município a “riscos de responsabilidade solidária pelo não cumprimento do contrato”, já que a obra é financiada majoritariamente com recursos federais. Nessa época, apenas 19% da obra estava concluída.

Abril de 2025 — o retrato mais recente da execução. Um Processo Administrativo conduzido pela Prefeitura registra que, até esse mês, menos de 21% dos serviços contratados haviam sido executados.

21 de agosto de 2025 — a rescisão é anunciada. A Secretaria de Obras e Serviços Públicos comunica a rescisão do contrato com a JC3, motivada pelos atrasos. A segunda colocada da Concorrência 022/2022, a empresa Konex Comércio e Serviços LTDA, é convocada e tem três dias úteis para dizer se aceita assumir a conclusão da obra nas mesmas condições oferecidas pela vencedora original — um procedimento previsto em lei para esse tipo de situação, que será explicado em detalhe mais abaixo. Segundo o secretário de Infraestrutura, Fá Albino, em entrevista à AB TV, parte da demora entre a rescisão e a nova contratação se deveu a um prazo legal concedido pelo TCE-PE para que a antiga construtora apresentasse suas justificativas: “através da nossa fiscalização, foi feita diversas notificações, aonde chegamos a rescindir esse contrato. Mas, depois de muitas discussões com o Tribunal de Contas, com o nosso jurídico, com a nossa fiscalização, conseguimos chegar no dia de hoje.”

1º de dezembro de 2025 — a rescisão é formalizada. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Infraestrutura, Obras e Serviços Públicos (SIOSP), rescinde unilateralmente o Contrato 179/2023. O Relatório Final da Comissão Processante que analisou o caso constata: descumprimento reiterado do cronograma; execução de apenas 21% do que havia sido contratado; e abandono total do canteiro de obras, comprovado em inspeções oficiais. A base legal citada é a Lei Federal nº 8.666/1993, artigos 77, 78 (incisos I, II e VIII) e 87 — dispositivos que tratam de inadimplemento contratual grave e das penalidades cabíveis, que vão de advertência a multa, suspensão e declaração de inidoneidade (o efeito mais duro: impedir a empresa de contratar com qualquer órgão público até se reabilitar). O processo é encaminhado à Procuradoria Geral do Município e ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) para conhecimento e providências.

14 de maio de 2026 — a retomada é anunciada. O prefeito Sivaldo Albino (PSB) assina a ordem de serviço para a volta das obras. A nova responsável é a Konex Incorporações e Serviços, contratada por dispensa de licitação no valor de R$ 5.478.430,93. A Prefeitura não informou publicamente, até a publicação desta matéria, quanto já havia sido investido na obra até aquele momento. Segundo o secretário de Obras e Serviços Públicos, Fá Albino, a nova empresa teria 15 dias para iniciar os trabalhos, com prazo de um ano para entregar o espaço pronto. “Tem 79% do projeto inicial previsto ainda para ser executado. Muita coisa a ser feita, muito trabalho, mas a gente está se organizando para enfrentar isso e concluir no prazo correto”, registrou, à época, Carlos Filho, supervisor da Konex Incorporações, ao Blog do Carlos Eugênio.

13 de julho de 2026 — véspera desta reportagem. Quase dois meses depois da ordem de serviço de retomada, uma visita ao canteiro registrada em vídeo por este portal mostra exatamente o cenário descrito acima: nenhum operário, nenhuma máquina em atividade, ferragem de fundação exposta, tijolo empilhado, chapas de vedação apoiadas no chão e a estrutura de colunas do futuro Centro de Cultura e Artes sem qualquer sinal de obra em andamento.

Um parênteses necessário: a empresa identificada em agosto de 2025 como segunda colocada da licitação era a “Konex Comércio e Serviços LTDA”; a empresa anunciada em maio de 2026 como nova responsável pela obra aparece como “Konex Incorporações e Serviços”. Pode se tratar da mesma empresa registrada de forma diferente pela imprensa, ou de duas pessoas jurídicas distintas do mesmo grupo. Com as informações públicas disponíveis até agora, não é possível confirmar qual das duas hipóteses é a correta — é uma das perguntas que esta reportagem levou à Prefeitura de Garanhuns.

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O QUE SIGNIFICA “DISPENSA DE LICITAÇÃO”, NESTE CASO

Para quem não é do ramo: quando uma obra pública tem o contrato rescindido no meio do caminho, a lei não obriga a Prefeitura a abrir uma licitação inteira do zero para achar quem termina o serviço. O artigo 24, inciso XI, da Lei 8.666/1993 permite chamar diretamente o segundo colocado da licitação original, nas mesmas condições oferecidas pelo vencedor, sem nova disputa — isso é tecnicamente chamado de “dispensa de licitação para contratação de remanescente de obra”. Foi exatamente esse o caminho descrito pela imprensa em agosto de 2025, quando a Konex foi convocada como segunda colocada. Ou seja: a dispensa de licitação, isoladamente, não é uma irregularidade — é o procedimento previsto em lei para esse tipo de situação. O ponto que este portal registra não é a existência da dispensa, mas o conjunto de números que a cercam, explicado a seguir.

Estrutura do palco da Paixão de Cristo no Cristo do Magano em Garanhuns
O palco e as colunas do Cristo do Magano vistos à distância, em canteiro tomado por vegetação (Foto: O Contraditório)

OS NÚMEROS QUE NÃO FECHAM

Aqui está o núcleo desta reportagem. Existem dois portais públicos de transparência que deveriam registrar, de forma independente, quanto já foi pago pela mesma obra: o Portal da Transparência de Garanhuns (gerido pelo próprio município) e o Portal Tô de Olho/TomeConta, mantido pelo TCE-PE.

Levantamento feito pelo Blog do Carlos Eugênio com base nos Boletins de Medição publicados no Portal da Transparência de Garanhuns aponta que o município já teria pago R$ 2.086.113,90 à JC3 Engenharia. Já o Portal Tô de Olho, do TCE-PE, registra pagamentos de R$ 1.378.822,61 para a mesma obra, referentes aos cerca de 21% executados.

São dois portais oficiais, mantidos por duas instituições diferentes, tratando da mesma obra, do mesmo contrato, do mesmo período — com uma diferença de mais de R$ 700 mil entre um valor e outro. Nenhuma das duas fontes, isoladamente, permite concluir que houve pagamento indevido: pode haver defasagem de atualização entre os sistemas, medições em fases diferentes de processamento, ou simplesmente uma o outro ainda não estar completo. Mas é uma discrepância de mais de meio milhão de reais entre dois órgãos que existem justamente para que o cidadão não precise confiar apenas na palavra da administração — e é uma pergunta que, até a publicação desta matéria, nem a Prefeitura nem o TCE-PE explicaram publicamente.

Sobre o valor total do contrato, há também números que não coincidem entre si, e que precisam ser lidos com cuidado, sem misturar um com o outro: o edital da Concorrência 022/2022, divulgado pela imprensa em 2024, apontava recursos de R$ 7.246.615,46; o Blog do Carlos Eugênio, citando o valor do contrato original assinado com a JC3, registra R$ 6.010.978,16. Um pode ser o teto orçado no edital e o outro o valor efetivamente contratado — mas, com as informações públicas disponíveis, não é possível confirmar essa hipótese com certeza.

O que é possível projetar, com os dados que existem: somando o novo contrato da Konex (R$ 5.478.430,93) ao que já foi gasto com a JC3 segundo o Portal da Transparência (R$ 2.086.113,90), o custo total da obra pode ultrapassar R$ 7,5 milhões — sem contar eventuais aditivos futuros, que já aconteceram pelo menos uma vez no contrato anterior.

UMA FAMÍLIA À FRENTE DE QUATRO CARGOS-CHAVE

Há um dado de contexto que este portal considera relevante para o leitor entender quem decide sobre essa obra — e por que a fiscalização dela importa tanto. O prefeito Sivaldo Albino (PSB) governa Garanhuns tendo, na linha direta de sua família, três cargos estratégicos: o irmão Fá Albino é o secretário de Infraestrutura, Obras e Serviços Públicos — a pasta responsável, entre outras coisas, pela obra do Cristo do Magano; a irmã Sandra Cristina Rodrigues Albino é a secretária municipal de Cultura — pasta ligada ao Centro de Cultura e Artes que está sendo construído no mesmo terreno; e o irmão Johny Albino é o presidente da Câmara Municipal de Vereadores — justamente o órgão que, institucionalmente, deveria fiscalizar os atos do Executivo. É uma concentração de cargos dentro de uma mesma família que já foi tema de disputa política local, com acusações mútuas de nepotismo indo e voltando entre grupos rivais em Garanhuns. Registramos o fato porque ele é público, verificável e relevante para o contexto — sem que isso, por si só, indique qualquer irregularidade específica na obra do Cristo do Magano.

Irmãos Albino: Sandra Albino, Johny Albino, Fá Albino e o prefeito Sivaldo Albino
O prefeito Sivaldo Albino ao lado dos irmãos Sandra Albino (Cultura), Fá Albino (Obras) e Johny Albino (Vereador/Presidente da Câmara) em registro de evento público (Foto: Arquivo Familiar / Redes Sociais)

O QUE O VÍDEO MOSTRA

O registro feito por este portal na tarde de segunda-feira, 13 de julho de 2026, às 14h30, mostra o canteiro de obras do alto do Magano em silêncio. A caminho do monumento, pelo paralelepípedo já concluído, é possível ver: ferro de fundação exposto há tempo suficiente para o mato ter crescido em volta; uma pilha de tijolos parada, sem ninguém trabalhando ao redor; chapas metálicas de vedação apoiadas no chão, fora de uso; e uma estrutura de colunas inacabada — provavelmente parte do Centro de Cultura e Artes — sem qualquer sinal de atividade. Não aparece nenhum operário, nenhum caminhão, nenhuma máquina ligada. O único som identificado durante a gravação foi uma marretada isolada, ao longe — não o ruído constante de um canteiro em ritmo de obra. Ou seja: quase dois meses depois de o prefeito assinar a ordem de serviço de retomada, com prazo de 15 dias para o início dos trabalhos, o cenário registrado no local não mostra evidência visível de que a obra tenha efetivamente recomeçado.

Vídeo: o canteiro de obras do Cristo do Magano registrado por O Contraditório em 13 de julho de 2026

A comparação com outro registro visual, feito quase dois meses antes, reforça esse ponto. A reportagem exibida pela AB TV em 14 de maio de 2026 — dia em que o prefeito assinou a ordem de serviço de retomada — já mostrava o canteiro parado, sem operários nem máquinas em atividade, apenas a estrutura de ferragem exposta ao tempo. Comparando as imagens da matéria da AB TV, de 14 de maio, com o vídeo gravado por este portal em 13 de julho, o retrato é o mesmo: nada mudou no canteiro entre uma data e outra.

Vídeo: reportagem da Rádio e TV Asa Branca (afiliada Globo) sobre o anúncio de retomada das obras, veiculada em 14 de maio de 2026 (Direitos Reservados / TV Asa Branca)

O QUE OS MORADORES E COMERCIANTES DA REGIÃO DIZEM

O silêncio do canteiro não é novidade para quem mora perto do Magano. Em reportagem exibida pela AB TV (afiliada da Globo em Garanhuns) em 14 de maio de 2026, sobre o anúncio da retomada, moradores e comerciantes do entorno — não identificados pelo nome na reportagem — descreveram o mesmo cenário de abandono que este portal registrou em vídeo em 13 de julho de 2026. Um comerciante da região, dono de uma barbearia, contou o que ouve dos turistas que passam por lá: “Muitos turistas passando, parando aqui na barbearia, perguntando: ‘E o Cristo, como é que tá? Pode subir?’ A gente fala: ‘Não pode subir, infelizmente. Tá interditado.’ O pessoal desce triste, infelizmente.”

Outro morador descreveu o que se vê ao contornar o monumento por trás, longe da fachada: “Se você entrar lá, você vai ver a desordem que tá lá. Tá fechada a frente, mas se você arrodear ela por trás, a desordem tá feia. Só tem só o Cristinho em pé, porque o resto derrotaram tudo. Cavaram não sei o pra quê, e tá tudo desmantelado lá.” Questionado pelo repórter sobre o motivo de a obra ter parado, o mesmo morador foi direto: “Aí que eu não sei por que acabou, porque pra mim ainda era pra estar existindo ainda.” Outros moradores ouvidos na mesma reportagem resumiram o sentimento da vizinhança: “A comunidade sente falta. Os turistas, quando chegam aqui, se decepcionam. A gente sente muita falta” e “Precisa que volte a funcionar logo, né? Que eles tomasse providência o mais rápido possível.”

O QUE AINDA FALTA ESCLARECER

Este portal está buscando contato com a Prefeitura de Garanhuns, com a Secretaria de Infraestrutura, Obras e Serviços Públicos e com a empresa Konex para perguntar, entre outros pontos: se a obra já foi efetivamente retomada e por que isso não é visível no canteiro; qual o valor total já investido na reforma do Cristo do Magano até hoje, somando os dois contratos; por que o Portal da Transparência de Garanhuns e o Portal Tô de Olho do TCE-PE registram valores pagos diferentes para o mesmo contrato; e se “Konex Comércio e Serviços LTDA” e “Konex Incorporações e Serviços” são a mesma empresa. Havendo resposta, esta matéria será atualizada com fidelidade ao que for enviado.

O QUE FICA

Nenhum dos dados reunidos aqui, isoladamente, permite dizer que houve desvio, fraude ou qualquer crime — e não é isso que este portal afirma. O que existe, e que qualquer morador de Garanhuns pode conferir com os próprios olhos subindo até o Magano, é uma obra iniciada há quase três anos, com um contrato rescindido por abandono comprovado, um segundo contrato assinado há dois meses sem sinal visível de execução, e dois portais públicos de transparência que não contam a mesma história sobre o mesmo dinheiro. Fica a pergunta que este portal não responde por ninguém, mas que deixa no ar: quando a conta de uma obra pública não fecha entre dois órgãos de controle diferentes, de quem é a responsabilidade de fechá-la?

(Reportagem: O Contraditório. Cronologia reconstruída a partir de cobertura da imprensa local de Garanhuns entre 2023 e 2026, de material publicado pelo Blog do Carlos Eugênio e de reportagem exibida pela AB TV em 14 de maio de 2026. Imagens do canteiro de obras: registro em vídeo de O Contraditório, feito em 13 de julho de 2026 no local.)

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