Quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Pernambuco

Raquel Lyra está à frente em todas as seis pesquisas divulgadas em julho até o dia 28; sete meses antes, João tinha 29 pontos de vantagem

Quaest e Ipespe fecharam nesta terça-feira (28) uma sequência inédita no ano: seis institutos diferentes colocam a governadora numericamente à frente. O Contraditório abriu os 38 registros de Pernambuco no TSE para reconstruir a mudança — e mostrar onde a disputa continua aberta.

Raquel Lyra está à frente em todas as seis pesquisas divulgadas em julho até o dia 28; sete meses antes, João tinha 29 pontos de vantagem
Montagem editorial do O Contraditório; fotos-base: divulgação e arquivo do portal.

Se alguém tivesse fechado o noticiário político de Pernambuco em dezembro e voltado agora, teria a sensação de ter pulado vários capítulos.

Na fotografia daquele mês, feita pelo Real Time Big Data, João Campos — ex-prefeito do Recife desde a renúncia de 2 de abril — aparecia com 56% e Raquel Lyra, com 27%. Eram 29 pontos de distância. Sete meses depois, até o fechamento desta reportagem em 28 de julho, chegaram seis novas fotografias — de seis institutos diferentes — e todas colocam a governadora numericamente à frente.

A maior distância é a da Simplex: 48,2% a 36,5% — 11,7 pontos. A Genial/Quaest mede 43% a 37%. Depois vêm Paraná Pesquisas (46,8% a 42,5%), Múltipla (44% a 40%), Ipespe/Folha de Pernambuco (46% a 44%) e Conecta (42,4% a 40,4%).

As pesquisas divulgadas no dia 28

Na Quaest, Raquel aparece numericamente à frente por 43% a 37% no primeiro turno e 45% a 39% no segundo.

No mesmo dia, a Folha/Ipespe divulgou 46% para Raquel e 44% para João. As duas pesquisas fecharam o recorte de seis levantamentos analisado nesta reportagem. Mais adiante, a comparação da Quaest com sua rodada de abril mostra como as posições se trocaram dentro do mesmo instituto.

Fonte: relatório Genial/Quaest PE-09649/2026, com 900 entrevistas presenciais feitas de 22 a 26 de julho. Margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O PDF completo, com 120 páginas, está no acervo para download ao fim da reportagem.

A história em três números

29 p.p.
vantagem de João no Real Time de dezembro
6 de 6
pesquisas de julho com Raquel numericamente à frente
51.392
entrevistas declaradas nos 38 registros do ano

Julho é o ponto em que estamos, não a explicação. A pergunta que move esta reportagem é outra: como a disputa chegou até aqui?

Para responder, O Contraditório foi ao PesqEle, o sistema público do Tribunal Superior Eleitoral, e abriu os 38 registros de pesquisa de 2026, um por um. Somadas, as fichas declaram 51.392 entrevistas e R$ 2.284.437,19 desde 30 de janeiro.

Desses 38 registros, 26 são pesquisas estaduais com resultado divulgado. São elas que permitem acompanhar a mudança mês a mês. Os outros doze se dividem em quatro levantamentos municipais, três com divulgação suspensa, um estadual cujo resultado não localizamos e quatro que ainda não podiam ser divulgados na data da apuração.

Também reunimos sete relatórios completos publicados pelos próprios institutos ou contratantes — incluindo as duas rodadas da Genial/Quaest, com 83 e 120 páginas — e baixamos do PesqEle os questionários, as declarações dos estatísticos e os detalhamentos de municípios que estavam disponíveis.

O que aparece dessa pilha de documentos não é uma linha reta nem uma explicação mágica. É uma história com começo, transição e presente: João abriu o ano em posição dominante; março e abril quebraram a unanimidade; maio deu a Raquel sua primeira maioria mensal, com duas de três pesquisas; junho voltou a dividir o quadro; e, até 28 de julho, seis medições apontaram na mesma direção.


Do domínio de João à liderança de Raquel em julho: a disputa em quatro capítulos

Uma pesquisa sozinha é uma fotografia. Postas em ordem — sem fingir que institutos diferentes formam uma única série —, as 26 fotografias estaduais com resultado mostram como o quadro publicado foi mudando:

CampoInstitutoRegistroRaquelJoão
fev/26DatafolhaPE-09595/202635%47%
fev/26Real Time Big DataPE-09944/202631%51%
fev/26MúltiplaPE-01312/202629%42%
fev/26DataTrendsPE-01715/202635%48%
mar/26VeritáPE-02184/202635,4%35,4%
abr/26Genial/QuaestPE-08904/202634%42%
abr/26Real Time Big DataPE-05363/202633%50%
abr/26DatafolhaPE-04713/202638%50%
abr/26OpiniãoPE-02951/202635,5%48,4%
abr/26SimplexPE-04864/202642,6%42,3%
abr/26Numen DataPE-07498/202645,1%37,1%
abr/26VeritáPE-07960/202646,5%37,3%
mai/26DataTrendsPE-05320/202636%42%
mai/26MúltiplaPE-07611/202643%39%
mai/26DatafolhaPE-07888/202648%43%
jun/26BadraPE-02486/202641,1%44,2%
jun/26Real Time Big DataPE-09426/202640%45%
jun/26MúltiplaPE-02552/202638%43%
jun/26Ipespe/Folha PEPE-07168/202644%42%
jun/26Revista Total BrasilPE-00918/202651,17%41,75%
jul/26Paraná PesquisasPE-00478/202646,8%42,5%
jul/26ConectaPE-04263/202642,4%40,4%
jul/26SimplexPE-03323/202648,2%36,5%
jul/26MúltiplaPE-00028/202644%40%
jul/26Genial/QuaestPE-09649/202643%37%
jul/26Ipespe/Folha PEPE-00297/202646%44%

Todos os números acima são voto bruto no cenário estimulado de primeiro turno — ou seja, quando o entrevistador mostra a lista de nomes e pergunta em quem a pessoa votaria. É a mesma conta em todas as linhas, para ninguém comparar laranja com banana.

A tabela reúne as 26 pesquisas estaduais do ano que tiveram resultado divulgado. Os outros 12 registros ficaram de fora porque não medem a mesma coisa ou ainda não podiam ser publicados: quatro ouviram uma cidade só, três estão com a divulgação suspensa na Justiça, uma é a Veritá de junho, de que não localizamos resultado publicado até o fechamento, e quatro só podem sair entre esta quarta e sexta-feira.

Duas ressalvas de conferência: a divulgação do DataTrends de fevereiro traz o número PE-04513/2026, enquanto a ficha oficial com aquele instituto, amostra e período é a PE-01715/2026; e a onda da Múltipla de junho aparece em algumas publicações como PE-02553/2026, enquanto a ficha oficial é a PE-02552/2026. Em ambos os casos, os dados de instituto, amostra e período conferem; a divergência é no número impresso na divulgação.

Lendo de cima para baixo, dá para ver como os resultados publicados se distribuíram ao longo do ano — em três momentos bem distintos.

Capítulo 1 — a partida: quando João dominava o quadro

Nos primeiros meses, João Campos aparecia à frente em praticamente todas as medições, e por margens largas. Vinte pontos no Real Time Big Data de fevereiro. Treze na Múltipla. Doze no Datafolha. Naquelas medições, a reeleição da governadora parecia bem mais difícil.

A primeira rachadura veio no fim de março, quando a Veritá foi a campo e voltou com 35,4% para cada um — o primeiro empate do ano.

Capítulo 2 — a primeira rachadura: abril divide os institutos

Foi o mês mais movimentado da disputa: sete pesquisas divulgadas e resultados que não combinavam entre si.

Quatro delas ainda mediam João Campos à frente — Datafolha (50% a 38%), Real Time Big Data (50% a 33%), Genial/Quaest (42% a 34%) e Opinião (48,4% a 35,5%). Mas outras duas já traziam Raquel Lyra à frente: a Numen Data, com 45,1% a 37,1%, e a Veritá, com 46,5% a 37,3% — nove pontos. E a sétima, a Simplex, encontrou 42,6% a 42,3%: três décimos de ponto separando os dois.

Sete institutos, o mesmo estado, o mesmo mês, resultados que iam de 17 pontos para um lado a 9,2 para o outro.

Capítulo 3 — maio dá maioria a Raquel; junho volta a dividir o quadro

Maio foi o primeiro mês em que Raquel Lyra apareceu à frente na maioria dos levantamentos: dois de três. Em junho, o quadro voltou a se dividir: João apareceu à frente em três das cinco pesquisas divulgadas; Raquel, em duas.

O sinal mais eloquente veio do próprio Datafolha. O instituto que abriu o ano dando 47% a 35% para João Campos mediu, em maio, 48% a 43% para ela — a mesma casa, o resultado invertido. Vale a ressalva: a lista de nomes testada nas duas rodadas não foi idêntica.

A disputa seguiu oscilando: junho ainda teve três medições com João Campos à frente — Badra (44,2% a 41,1%), Real Time Big Data (45% a 40%) e Múltipla (43% a 38%) — contra duas com Raquel Lyra, na Ipespe (44% a 42%) e na Revista Total Brasil.

E vale parar nessa última. A pesquisa do Instituto Revista Total Brasil, de junho, é a única do ano em que a governadora passa de 50% já no voto bruto: 51,17% contra 41,75%. Voto bruto é a conta cheia, com brancos, nulos e indecisos ainda dentro dela — passar de 50% aí é raro. Foi um levantamento com 1.200 entrevistas, contratado pela Vale Soluções por R$ 65 mil.

Capítulo 4 — o presente: seis levantamentos, a mesma ordem

O que torna julho diferente não é só uma vantagem isolada. É a repetição: em pesquisas com contratantes, tamanhos de amostra e métodos diferentes, Raquel aparece numericamente à frente nas seis divulgadas até esta terça-feira (28).

A sequência foi se formando ao longo do mês: Paraná Pesquisas em 10 de julho, Conecta no dia 14, Simplex no dia 21, Múltipla no dia 27 e, no fechamento desta reportagem, Genial/Quaest e Folha/Ipespe no dia 28.

As seis fotografias de julho

Percentuais brutos no cenário estimulado de primeiro turno. A extensão das barras representa o percentual publicado.

Simplex48,2% × 36,5%
Paraná Pesquisas46,8% × 42,5%
Ipespe46% × 44%
Múltipla44% × 40%
Genial/Quaest43% × 37%
Conecta42,4% × 40,4%

Raquel Lyra   João Campos

E fica dito, porque é verdade e vale para os dois lados: aparecer numericamente à frente em julho não é ganhar em outubro. Tem campanha inteira pela frente.


A pesquisa de hoje mostra a troca de posições dentro do mesmo instituto

Comparar Datafolha com Múltipla, ou Quaest com Simplex, muda método, questionário, datas e amostra de uma só vez. Para enxergar melhor o movimento, o caminho mais seguro é pegar um instituto e compará-lo com ele mesmo, rodada após rodada.

É aí que a Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira ganha importância. As rodadas de abril e julho têm o mesmo tamanho — 900 entrevistas —, o mesmo método presencial e desenho de amostra semelhante. Isso torna a comparação mais limpa, mas não transforma as duas pesquisas em filme contínuo: os entrevistados não são os mesmos, a lista de candidatos mudou e o contexto político também.

No primeiro turno, Raquel saiu de 34% em abril para 43% em julho. João caiu de 42% para 37%. Nove pontos para cima, cinco para baixo, em três meses.

No segundo turno, a inversão é ainda mais nítida: em abril, João aparecia à frente por 46% a 38%. Em julho, é ela quem aparece, por 45% a 39%.

Quaest: a troca de posições entre abril e julho

Percentuais de voto bruto. As barras claras mostram abril; as escuras, julho.

Primeiro turno

Raquel34% → 43%
abr.
jul.
João42% → 37%
abr.
jul.

Segundo turno

Raquel38% → 45%
abr.
jul.
João46% → 39%
abr.
jul.

Fonte: relatórios Genial/Quaest PE-08904/2026 e PE-09649/2026. As listas de nomes testadas não eram idênticas nas duas rodadas.

Uma segunda comparação aponta na mesma direção. Na Múltipla, João tinha 43% e Raquel, 38% em junho. Em julho, ela aparece com 44% e ele, com 40%. As posições também trocaram, dessa vez no intervalo de um mês.

A mesma rodada traz outro dado favorável à governadora que quase não apareceu nas manchetes. Na pergunta que pede uma nota geral para o governo, a parcela que o classifica como positivo subiu de 36% em abril para 45% em julho. A avaliação regular caiu de 43% para 36%, e a negativa, de 18% para 15%.

Quaest de hoje: a avaliação positiva também cresceu

Pergunta diferente da aprovação: aqui o entrevistado classifica o governo como positivo, regular ou negativo.

Positivo36% → 45%
abr.
jul.
Regular43% → 36%
abr.
jul.
Negativo18% → 15%
abr.
jul.

Fonte: relatório Genial/Quaest PE-09649/2026, página 51.

Quando indecisos saem da conta, muda também quem passa dos 50%

Tem uma conta que quase não aparece nas manchetes e vale entender: o voto válido, usado na apuração da eleição.

O cálculo não considera apenas Raquel e João. Primeiro, somam-se os percentuais de todos os candidatos; brancos, nulos e indecisos ficam de fora. Depois, calcula-se quanto cada candidato representa dentro desse total. É a mesma regra usada para saber se alguém ultrapassou 50% dos votos válidos e venceu no primeiro turno.

Aplicamos essa conta aos percentuais publicados nas 26 pesquisas estaduais. O resultado reforça a mudança de posição ao longo do ano:

  • João Campos ultrapassa 50% dos votos válidos calculados em onze pesquisas, todas divulgadas entre fevereiro e junho;
  • Raquel Lyra ultrapassa 50% em dez, começando em abril e incluindo as seis pesquisas divulgadas até 28 de julho;
  • as outras cinco ficam abaixo dessa marca ou empatam nela.

O maior percentual de voto válido publicado para Raquel no ano é o da Simplex de julho: 56,3%, contra 42,5% de João. Nos cálculos feitos por nós a partir do voto bruto, a Quaest de julho resulta em 51,8% para ela e 44,6% para ele; a Múltipla, em 51,8% a 47,1%.

Isso é uma simulação matemática, não previsão. Ela mostra como os percentuais divulgados ficariam se brancos, nulos e indecisos fossem retirados naquele momento; não diz para onde os indecisos irão nem transforma pesquisa em resultado de eleição.


Por dentro da vantagem: onde Raquel abre distância — e onde João resiste

Esta é a parte do relatório de 120 páginas que não coube nas manchetes. A Quaest olhou a mesma amostra por ângulos diferentes — sexo, idade, escolaridade, renda, religião e posição política — e calculou a intenção de voto dentro de cada grupo. Os grupos se cruzam: uma mesma pessoa pode aparecer, por exemplo, entre as mulheres, os evangélicos e quem ganha até dois salários. Os números são de julho:

GrupoRaquelJoãoDifer.
Bolsonaristas73%13%+60
Direita não bolsonarista61%24%+37
Evangélicos54%27%+27
16 a 34 anos52%30%+22
Independentes (sem lado político)47%31%+16
Renda de 2 a 5 salários mínimos49%33%+16
Ensino superior51%35%+16
Homens46%34%+12
Ensino médio44%35%+9
Renda acima de 5 salários44%38%+6
Ensino fundamental43%38%+5
Católicos43%40%+3
Mulheres42%39%+3
Renda de até 2 salários40%39%+1
60 anos ou mais39%38%+1
35 a 59 anos41%41%0
Esquerda não lulista39%43%−4
Lulistas33%54%−21

São dezoito grupos na tabela. Raquel Lyra aparece à frente em quinze deles. Empata em um e fica atrás em dois.

Fora do recorte político, as maiores diferenças a favor dela estão entre os evangélicos, com 54% a 27% — o dobro —, e entre os mais jovens, de 16 a 34 anos, com 52% a 30%. Prende a atenção também o desempenho entre quem tem ensino superior (51% a 35%) e na faixa de 2 a 5 salários mínimos (49% a 33%).

Há ainda o grupo dos independentes, formado por quem não se declara nem de um lado nem de outro do espectro político. Ali ela tem 47% a 31%.

O recorte político desenha a fronteira mais clara. Raquel tem vantagem numérica na direita — 73% a 13% entre bolsonaristas e 61% a 24% entre os demais — e entre os independentes, por 47% a 31%. João aparece à frente nas duas fatias da esquerda: 43% a 39% entre os não lulistas e 54% a 33% entre os lulistas.

Os grupos mais disputados são os católicos (43% a 40%), as mulheres (42% a 39%), quem ganha até dois salários (40% a 39%) e os eleitores de 60 anos ou mais (39% a 38%) — todos separados por um a três pontos. E entre 35 e 59 anos é empate redondo: 41 a 41.

Uma observação técnica que vale para a tabela inteira: o relatório publica margem de erro para o total da amostra, não para cada grupo separado. Por isso as diferenças acima são vantagens numéricas, e as menores delas não permitem cravar quem está na frente dentro daquele recorte.


No Agreste, os dois recortes completos colocam Raquel numericamente à frente

Para um portal que nasce em Garanhuns, a pergunta é direta: quanto Raquel Lyra e João Campos têm no Agreste?

Nos materiais públicos que examinamos, apenas duas pesquisas responderam com o percentual dos dois no mesmo recorte regional: a Opinião, em abril, e a Múltipla, em maio.

QuandoInstitutoRaquelJoão
abr/2026Opinião43,4%40,1%
mai/2026Múltipla52%33%

Em abril, a Opinião mediu 43,4% para Raquel e 40,1% para João: vantagem numérica de 3,3 pontos. Em maio, a Múltipla marcou 52% a 33% para ela: diferença de 19 pontos.

Esses dois resultados não formam uma linha de crescimento, porque vêm de institutos, amostras e períodos diferentes. São duas fotografias independentes. O que elas permitem afirmar é simples: nos dois recortes completos que encontramos, Raquel apareceu numericamente à frente no Agreste.

E julho? A divulgação da Múltipla informou apenas o melhor desempenho regional de cada candidato: Raquel com 56% no Agreste e João com 48% na Região Metropolitana. Ela não publicou a tabela com o percentual de ambos em cada região. Portanto, não sabemos quanto João marcou no Agreste nessa rodada — e o número isolado de Raquel ficou fora da comparação acima.

O Contraditório pediu à Múltipla a tabela regional completa de fevereiro, junho e julho. O e-mail foi enviado em 28 de julho e não havia sido respondido até o fechamento da apuração.


Por baixo do voto, outra história crescia: a aprovação do governo

Tem outra pergunta nessas pesquisas, e ela não é a mesma coisa que voto: “você aprova ou desaprova o trabalho que ela está fazendo?” Guarde a diferença, porque daqui a pouco ela vai render a parte mais curiosa desta matéria. Mas veja primeiro o que a Quaest mede desde abril de 2024.

A Genial/Quaest faz essa pergunta em Pernambuco desde abril de 2024. A linha é esta:

QuandoAprovaDesaprovaNão opina
abr/202453%42%5%
dez/202454%42%4%
fev/202551%44%5%
ago/202551%45%4%
abr/202662%35%3%
jul/202668%23%9%

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A avaliação do governo abriu distância

Aprovação e desaprovação do governo Raquel Lyra na série Genial/Quaest.

abr/202453% aprovam · 42% desaprovam
dez/202454% · 42%
fev/202551% · 44%
ago/202551% · 45%
abr/202662% · 35%
jul/202668% · 23%

Aprova   Desaprova   O restante não opinou.

De agosto de 2025 a julho de 2026, a aprovação subiu de 51% para 68%, enquanto a desaprovação caiu de 45% para 23%. Em outras palavras, quase sete em cada dez entrevistados da Quaest disseram aprovar o governo na rodada atual.

O Instituto Múltipla, usando outro método, chegou a um resultado próximo em julho: 64% de aprovação, contra 62% em junho.

Abrindo por grupo, dá para ver onde essa aprovação cresceu mais. A tabela abaixo traz todos os 18 recortes publicados pelo instituto, ordenados do maior para o menor avanço. Para quase todos, a comparação começa em abril de 2024. O recorte de renda começa em dezembro de 2024, porque é a primeira data disponível para essa pergunta.

GrupoNo inícioAprova hojeSubiu
Bolsonaristas28%90%+62
Ensino superior45%72%+27
Direita não bolsonarista55%79%+24
Evangélicos57%79%+22
16 a 34 anos51%72%+21
Renda acima de 5 salários48%66%+18
Homens53%70%+17
35 a 59 anos53%69%+16
Independentes55%71%+16
Ensino médio51%66%+15
Renda de 2 a 5 salários50%64%+14
Renda de até 2 salários57%71%+14
Mulheres54%65%+11
Ensino fundamental58%68%+10
Católicos56%64%+8
60 anos ou mais56%58%+2
Lulistas57%58%+1
Esquerda não lulista62%63%+1

O maior salto, com folga, está entre os bolsonaristas: de 28% para 90%, sessenta e dois pontos desde abril de 2024. É aprovação de governo, não intenção de voto. Na pergunta eleitoral, o mesmo recorte também dá a Raquel a maior vantagem da tabela, 73% a 13%. Os dois números convivem no grupo, mas o relatório não mostra se foram as mesmas pessoas que aprovaram o governo e declararam voto nela — muito menos se uma resposta causou a outra.

Depois vêm o ensino superior, de 45% para 72%; a direita não bolsonarista, de 55% para 79%; os evangélicos, de 57% para 79%; e os jovens de 16 a 34 anos, de 51% para 72%. Entre evangélicos e jovens, a desaprovação também recuou com força: de 40% para 15% no primeiro grupo e de 46% para 10% no segundo.

A aprovação subiu nos 18 recortes, sem exceção. O tamanho do movimento, porém, é muito diferente. Na outra ponta da tabela, o avanço foi de apenas um ponto entre lulistas e eleitores de esquerda não lulista. A leitura mais direta é esta: a avaliação do governo melhorou até em grupos nos quais João ainda aparece numericamente à frente na intenção de voto.


Enquanto a rejeição de Raquel cede, a de João cresce

Há um terceiro indicador na mesma pesquisa, e ele também se moveu. Chama-se rejeição: a Quaest pergunta em quem o eleitor conhece e não votaria.

Em abril, 37% respondiam Raquel Lyra e 28% respondiam João Campos — nove pontos de diferença a favor dele. Em julho, a dela caiu para 35% e a dele subiu para 34%. A distância de nove pontos virou um.

Rejeição na Quaest: de nove pontos de distância para um

Abril de 2026

Raquel37%
João28%

Julho de 2026

Raquel35%
João34%

Somando o que a Quaest mediu entre abril e julho: a intenção de voto nela subiu nove pontos, a dele caiu cinco; a aprovação do governo subiu; e as duas rejeições andaram em sentidos contrários. Três indicadores diferentes, no mesmo instituto e na mesma janela de três meses, apontando para o mesmo lado.

E há um detalhe que vale conhecer: na mesma pesquisa, 68% aprovam o governo e 43% declaram voto nela. Vinte e cinco pontos separando uma pergunta da outra.

Não é contradição — são perguntas diferentes. Aprovar é dar nota ao trabalho de um governo; votar é escolher entre pessoas. E o caso mais evidente aparece entre os eleitores lulistas: nesse grupo, a aprovação do governo Raquel Lyra é de 58%, enquanto a intenção de voto do mesmo grupo fica em 33% para ela e 54% para João Campos.

São dois retratos do mesmo conjunto de pessoas, feitos com perguntas diferentes. O relatório público mostra os dois percentuais separados; ele não permite saber como as duas respostas se combinam dentro de cada entrevistado. O que dá para afirmar com segurança é o que está medido: naquele grupo, o percentual que aprova o governo e o percentual que declara voto nela são bem diferentes um do outro.

Dois outros números da Quaest completam o terreno:

  • 57% dizem que ela merece ser reeleita, contra 36% que dizem que não — os mesmos números de abril.
  • 58% declaram que o voto já está decidido, contra 56% em abril. E 41% dizem que ainda podem mudar — quatro em cada dez eleitores. A pesquisa não informa para qual lado esse grupo se moveria.

Por que esta história ainda não tem final

Os números divulgados até 28 de julho são favoráveis a Raquel, mas não encerram a disputa. Na Quaest, João ainda aparece numericamente à frente entre os lulistas, por 54% a 33%. E o governo carrega um problema que cresce quando o eleitor é perguntado diretamente: a saúde.

Na Quaest, a saúde aparece em duas perguntas diferentes. Separá-las evita misturar a preocupação do eleitor com a nota que ele dá ao governo.

A primeira é sobre o problema do estado: qual é a coisa mais grave de Pernambuco hoje? Saúde é a resposta de 32% — eram 27% em abril e 25% em fevereiro do ano passado. Ou seja, a queixa cresceu sete pontos em um ano e meio. Violência aparece depois, com 24%.

A segunda é a nota que o eleitor dá a cada área do governo. Aí a ordem é outra. No topo estão educação, com 57% de avaliação boa, e atração de empresas, com 55%. A saúde fica no meio: 39% acham boa, 29% acham ruim. E a pior nota do governo é a da segurança, com 32% de avaliação boa.

Juntando as duas: a saúde foi o problema mais citado pelos entrevistados, e a segurança é a área em que o governo tira a nota mais baixa.

E o tamanho da diferença muda conforme o instituto. A margem de erro lembra que pesquisa não entrega um número exato, mas uma faixa provável. Por isso uma vantagem numérica pequena pode continuar sendo tratada como empate técnico.

Entre as seis pesquisas divulgadas até o dia 28, a diferença vai de 11,7 pontos na Simplex a 2 pontos na Ipespe e na Conecta. A Quaest marca 6 pontos; Paraná Pesquisas, 4,3; e Múltipla, 4. O teste estatístico exato da diferença entre dois candidatos exige dados que as fichas públicas não trazem. Por isso usamos “numericamente à frente” e não transformamos toda diferença em liderança confirmada.

Numa leitura aproximada pelas faixas publicadas, a Simplex é a única em que elas ficam separadas. Na Quaest, as faixas se tocam no limite; nas outras quatro, elas se sobrepõem. Isso ajuda a enxergar o tamanho da incerteza, mas não substitui o teste estatístico que os dados públicos não permitem fazer.

Mas há a força do conjunto fechado no dia 28: seis institutos diferentes, com métodos diferentes, foram a campo no mesmo mês — e os seis voltaram apontando para o mesmo lado. Em nenhuma das seis pesquisas divulgadas até essa data João Campos aparece numericamente à frente. É essa repetição, mais do que o tamanho de cada diferença isolada, que dá o peso do quadro atual.


O próximo capítulo já tem data: quatro pesquisas podem sair até sexta

O quadro de julho ainda pode mudar. A base do TSE tem quatro levantamentos registrados para divulgação depois do fechamento desta reportagem — dois a partir de quarta-feira (29) e outros dois a partir de sexta-feira (31).

Nesta quarta-feira (29) podem sair o Instituto Focus (PE-04812/2026), contratado pelo Grupo Vale do Ipojuca, com 400 entrevistas, e a Badra Comunicação (PE-06641/2026), com 1.500 entrevistas e campo até o próprio dia 29. A Badra é justamente um dos institutos que, em junho, ainda mediram João Campos à frente.

Na sexta-feira (31), estão previstos Datafolha (PE-04519/2026), com campo de 28 a 30 de julho, e Real Time Big Data (PE-08413/2026), com campo de 27 a 30.

Guarde esse último nome. O Real Time Big Data é o mesmo instituto que abriu esta história em dezembro — aquela pesquisa de 56% a 27%, com os 29 pontos para o outro lado. Sete meses depois, ele volta a campo para medir o mesmo estado.

Por isso, esta reportagem é uma fotografia fechada em 28 de julho, não uma previsão do que os quatro levantamentos seguintes mostrarão.


O que conseguimos abrir — e o que o sistema ainda mantém trancado

Agora fica mais fácil entender por que a tabela do Agreste tem apenas duas linhas. Entre os sete relatórios completos que conseguimos reunir, somente a Múltipla de maio publicou os percentuais de Raquel e João nas quatro grandes regiões. A Opinião de abril divulgou a tabela regional separadamente. A Quaest de julho, apesar das 120 páginas, não separa a intenção de voto por região.

Uma lista de cidades ou a distribuição da amostra pelo estado não resolve isso: ela mostra onde as entrevistas foram feitas, não quanto cada candidato marcou em cada região.

O relatório com os resultados fica trancado no sistema do TSE até depois da eleição. Pedimos ao PesqEle, um por um, o “relatório completo com o resultado da pesquisa” dos 38 registros. São três situações diferentes, e vale separar:

O que o sistema tranca. Em 31 dos 38 registros, o instituto já tinha entregado o documento ao TSE — mas o sistema não libera o arquivo para ninguém baixar antes do fim das eleições. Não é instituto escondendo: é regra, e vale igual para nós e para qualquer veículo do país.

O que conseguimos mesmo assim. Trancado no TSE não quer dizer inexistente: instituto e contratante podem publicar a íntegra por conta própria, e é aí que a porta se abre. Foi por esse caminho que juntamos os relatórios completos que embasam esta reportagem, entre eles o da Genial/Quaest de julho, com 120 páginas, e o da Paraná Pesquisas.

O que ainda não tinha sido entregue. Sobravam sete registros sem o relatório na data da consulta. Em seis deles, o prazo de três dias previsto para a entrega ainda não tinha terminado: dois tinham divulgação permitida a partir do dia 28, e quatro só poderiam ser divulgados nos dias 29 ou 31.

Sobra um. É o PE-02274/2026, do Instituto Opinião — justamente o que teve a divulgação suspensa na Justiça. O prazo passou e o campo continuava vazio. A decisão de suspensão não falava nada sobre entregar o relatório, e nenhuma sentença declarou infração no caso. Registramos o que vimos, e nada além disso.

(Este levantamento da situação dos relatórios é apuração própria do O Contraditório, feita ficha a ficha no PesqEle em 28 de julho de 2026. A base aberta do TSE não publica esse campo.)

O que é público agora, e nós baixamos: 38 questionários aplicados, 38 declarações assinadas dos estatísticos responsáveis, 30 detalhamentos de municípios e bairros, os relatórios completos que os institutos e seus contratantes publicaram e 6 PDFs de decisões judiciais publicados no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-PE — além da ficha inteira de cada pesquisa: valor, contratante, amostra, período e metodologia.


Abrimos o capô: quem ouviu, quando e com qual margem

Antes da divulgação, cada pesquisa precisa ter uma ficha pública no sistema da Justiça Eleitoral. É nela que aparecem, entre outras informações, o período de campo, a margem de erro, o nível de confiança, o número de entrevistas, o instituto, o contratante, o valor declarado, o estatístico responsável e o número do registro. Reunimos os campos que ajudam o leitor a entender quem fez, quem pagou, quanto custou e qual foi o tamanho de cada levantamento.

Estas são as fichas das 26 pesquisas estaduais citadas nesta matéria, abertas por nós uma a uma no sistema do TSE:

RegistroInstitutoContratante/pagante declaradoValor declaradoEntrevistasCampoMargemConfiançaEstatístico responsável
PE-09595/2026DatafolhaRede Nordeste de Comunicação / Rádio CBN-Rádio MixR$ 115.000,001.02202–05/02/20263 p.p.95%Renata Nunes Cesar — CONRE 7249
PE-09944/2026Real Time Big DataRecursos próprios declaradosR$ 80.000,002.00009–10/02/20262 p.p.95%Isabela Zara Cremoneze — CONRE 10839
PE-01312/2026MúltiplaRecursos próprios declaradosR$ 15.000,001.20003–07/02/20262,8 p.p.95%Eduardo José Pereira da Costa — CONRE 6149-A
PE-01715/2026DataTrendsRecursos próprios declaradosR$ 15.000,001.20023–24/02/20262,83 p.p.95%Ythalo Hugo da Silva Santos — CONRE 10663
PE-02184/2026VeritáRecursos próprios declaradosR$ 154.770,002.01024–30/03/20262,5 p.p.95%Guilherme Alvarenga Laia — CONRE 10699
PE-08904/2026QuaestBanco Genial S.A.R$ 183.218,5990022–26/04/20263 p.p.95%Margarida Maria de Mendonça — CONRE 6731
PE-05363/2026Real Time Big DataRecursos próprios declaradosR$ 64.000,001.60006–07/04/20262 p.p.95%Isabela Zara Cremoneze — CONRE 10839
PE-04713/2026DatafolhaRede Nordeste de Comunicação / Rádio CBN-Rádio MixR$ 120.000,001.02213–15/04/20263 p.p.95%Renata Nunes Cesar — CONRE 7249
PE-02951/2026OpiniãoBlog do Magno MartinsR$ 45.000,002.00014–17/04/20262,2 p.p.95%José Joaquim Lira Roberto Braga — CONRE 9704
PE-04864/2026SimplexBlog do ElielsonR$ 37.345,001.06703–07/04/20263 p.p.95%Bruna Rafaella Sales Claudino — CONRE 11529
PE-07498/2026Numen DataRevista Total / Editora Mesquita BrasilR$ 21.000,001.10016–18/04/20263 p.p.95%Lorena Maurícia Neris Silva — CONRE 9531
PE-07960/2026VeritáRecursos próprios declaradosR$ 154.770,002.01026–30/04/20262,5 p.p.95%Guilherme Alvarenga Laia — CONRE 10699
PE-05320/2026DataTrendsRecursos próprios declaradosR$ 50.000,004.00030/04–03/05/20261,55 p.p.95%Ythalo Hugo da Silva Santos — CONRE 10663
PE-07611/2026MúltiplaRecursos próprios declarados no registroR$ 20.000,001.07016–20/05/20263 p.p.95%Eduardo José Pereira da Costa — CONRE 6149-A
PE-07888/2026DatafolhaNassau Editora Rádio e TV Ltda.R$ 115.000,001.02225–27/05/20263 p.p.95%Renata Nunes Cesar — CONRE 7249
PE-02486/2026Badra ComunicaçãoRecursos próprios declaradosR$ 18.000,001.50002–06/06/20263 p.p.95%Marcos Rogério Simonetti — CONRE 10744
PE-09426/2026Real Time Big DataRecursos próprios declaradosR$ 64.000,001.60009–10/06/20262 p.p.95%Isabela Zara Cremoneze — CONRE 10839
PE-02552/2026MúltiplaRecursos próprios declaradosR$ 20.000,001.07013–16/06/20263 p.p.95%Eduardo José Pereira da Costa — CONRE 6149-A
PE-07168/2026IpespeFolha de PernambucoR$ 60.000,001.00011–14/06/20263,2 p.p.95,45%Joaquim Andre Harmes — CONRE 5255
PE-00918/2026Instituto Revista Total BrasilVale Soluções Ltda.R$ 65.000,001.20020–24/06/20262,83 p.p.*95%Izadora Zdanowsky Calmon dos Reis Pimentel — CONRE 10924
PE-00478/2026Paraná PesquisasUnião BrasilR$ 50.000,001.50007–09/07/20262,6 p.p.95%Tatiani Cristina Ara — CONRE 10245-4ª Região
PE-04263/2026ConectaAlmeida e Cavalcanti Ltda.; registro também marca “recursos próprios: sim”R$ 30.000,002.00008–12/07/20262,19 p.p.95%Jerfson Bruno do Nascimento Honorio — CONRE 10808
PE-03323/2026SimplexBlog do ElielsonR$ 37.345,001.06715–20/07/20263 p.p.95%Bruna Rafaella Sales Claudino — CONRE 11529
PE-00028/2026MúltiplaBlog do Nill Júnior / Nivaldo A. Galindo FilhoR$ 20.000,0090024–26/07/20263,3 p.p.95%Eduardo José Pereira da Costa — CONRE 6149-A
PE-09649/2026QuaestBanco Genial S.A.R$ 183.218,6090022–26/07/20263 p.p.95%Margarida Maria de Mendonça — CONRE 6731
PE-00297/2026IpespeFolha de PernambucoR$ 60.000,001.00022–25/07/20263,2 p.p.95,45%Suely Albuquerque Lino da Silva — CONRE 10598

* PE-00918/2026 (Instituto Revista Total Brasil): o plano amostral do próprio registro tem uma inconsistência interna. Os campos principais declaram 1.200 entrevistas e margem de 2,83 pontos, mas outro trecho do mesmo plano menciona 1.800 entrevistas e margem de 2,31. Usamos os campos principais e registramos o conflito.


A trilha do dinheiro: R$ 2,28 milhões em 38 registros

Esta parte está toda no sistema do TSE, de graça, para qualquer um consultar — e raramente acompanha o número que vira manchete. Ao abrir as 38 fichas, uma por uma, encontramos o seguinte:

R$ 2.284.437,19. É a soma dos valores declarados nos 38 registros sobre o Governo de Pernambuco em 2026. Dá uma média de R$ 60 mil por levantamento — e uma distância enorme entre o maior e o menor valor: as duas rodadas da Genial/Quaest declararam R$ 183.218,59 e R$ 183.218,60; a do Instituto Focus, R$ 5.000.

Em quase metade dos registros, quem paga é o próprio instituto. Em 18 dos 38 — 47,4% —, a ficha marca “recursos próprios”. Nesse caso, a lei manda a própria empresa se declarar como contratante e pagante da pesquisa. São quase R$ 1 milhão bancados pelos próprios institutos. O registro diz que foi assim; não diz por quê. Então fica o fato, sem palpite nosso sobre a intenção de ninguém.

Há uma exceção que vale registrar: a ficha da Conecta PE-04263/2026 marca recursos próprios e, ao mesmo tempo, identifica a Almeida e Cavalcanti Ltda. como contratante e pagante. As duas informações estão no mesmo registro oficial.

Um partido aparece na lista. O União Brasil contratou a Paraná Pesquisas de julho, por R$ 50 mil. É legal e está declarado no registro — mas é informação que o leitor merece ter quando lê aquele número.

E duas foram pagas por uma pessoa física. Os dois levantamentos do Imape, um em junho e outro em julho, de R$ 10 mil cada, com 600 entrevistas, trazem no campo do contratante não uma empresa, não um partido, não um blog: uma pessoa. Também é permitido, e também está declarado.

A mais cara custou quase 37 vezes a mais barata. Cada rodada da Genial/Quaest saiu por R$ 183.218; a do Focus, por R$ 5.000. Duas pesquisas sobre a mesma eleição, no mesmo estado, com preços de mundos diferentes. As amostras têm tamanhos diferentes — 900 entrevistas presenciais contra 400 —, mas os registros não dizem quanto do preço vem daí e quanto vem de método, área coberta, questionário ou serviços incluídos.

Quem mais registrou levantamentos que incluíam o cargo de governador este ano foi o Instituto Múltipla, com cinco fichas — uma delas municipal, em Serra Talhada. Depois vêm Real Time Big Data e Datafolha, com quatro cada. E seis registros não são só sobre governador: perguntaram também sobre deputado federal e estadual.

Blogs e veículos também aparecem como contratantes. Blog do Elielson, Blog do Magno Martins, Blog do Nill Júnior, Folha de Pernambuco, Grupo Vale do Ipojuca e Revista Total Brasil estão nas fichas. As quatro rodadas do Datafolha foram pagas por veículos: duas pela Rede Nordeste de Comunicação (Rádio CBN) e duas pela Nassau Editora Rádio e TV. As duas rodadas da Quaest foram pagas pelo Banco Genial.

Tamanho não é tudo, mas conta. A maior amostra do ano foi do DataTrends, com 4.000 entrevistas no fim de abril. A menor entre as estaduais é a do Focus, em julho, com 400 — um décimo da maior. Em geral, quanto menor a amostra, maior a margem de erro, embora o jeito de montar e de pesar essa amostra também conte para a precisão.

E tem pesquisa registrada cujo resultado não conseguimos achar. O Instituto Veritá registrou três rodadas, de R$ 154.770 cada, com 2.010 entrevistas — março, abril e junho. Localizamos os resultados de março (PE-02184/2026) e de abril (PE-07960/2026). Da PE-05379/2026, de junho, não localizamos divulgação pública até o fechamento desta matéria, e não sabemos dizer por quê. Registrar é obrigatório antes de publicar; publicar não é.

Nada disso desmente número nenhum. Serve para outra coisa: para você ler pesquisa sabendo quem pagou, qual era o tamanho da amostra e quanto custou. É o mínimo.


Quando a pesquisa vai parar no tribunal

Tem um capítulo desta história que quase não se conta: pesquisa eleitoral também vai parar no tribunal. Cinco registros deste ano tiveram decisões que interferiram na divulgação — são os cinco que interessam diretamente a esta matéria, e não necessariamente todos os processos do ano. Três tiveram a divulgação inteira barrada, e são justamente os três que ficaram de fora da tabela lá em cima. Outros dois sofreram restrição só em parte das perguntas. Como as medidas são bem diferentes entre si, vale ir uma a uma.

PE-05044/2026 (Conecta) — divulgação inteira suspensa. É o caso mais documentado. No processo 0600351-33.2026.6.17.0000, movido pelo PODEMOS de Pernambuco contra o instituto, a ordem proibiu a divulgação de quaisquer dados daquele levantamento — não de um trecho. O pedido de reconsideração foi negado.

PE-02274/2026 (Instituto Opinião) — divulgação inteira suspensa. A decisão, publicada no Diário da Justiça Eletrônico nº 132/2026, determinou que o instituto se abstivesse de divulgar qualquer resultado até nova deliberação. O fundamento apontado na liminar foi a ausência da nota fiscal no registro.

PE-03344/2026 (DataTrends) — divulgação suspensa. A suspensão consta do sistema, mas não conseguimos localizar o inteiro teor oficial da decisão. Por isso não descrevemos o alcance dela: só registramos que existe.

PE-03909/2026 (Conecta) — restrição parcial e registro cancelado. Uma liminar barrou apenas o quesito 4. Depois, o instituto cancelou o registro, o processo terminou sem julgamento do mérito e a liminar foi revogada. A decisão também esclareceu que a ordem não alcançava o registro seguinte.

PE-04263/2026 (Conecta) — restrição parcial. Esta é a pesquisa que aparece na nossa tabela de julho. Em processo separado, os cenários 1 e 2 da pergunta 4 foram suspensos; as demais perguntas foram autorizadas. O resultado que usamos aqui, de 42,4% a 40,4%, é do cenário básico — que não está entre os suspensos.

Ou seja: três pesquisas ficaram fora da cronologia porque a Justiça suspendeu a divulgação completa. Nas outras duas, apenas perguntas específicas foram atingidas. São situações diferentes, e a tabela respeita essa diferença.


Agora a documentação está nas suas mãos

Você não precisa acreditar em nós. As fichas técnicas, os documentos liberados pelo sistema e as divulgações citadas nesta matéria podem ser conferidos por qualquer pessoa, sem pagar nada:

  • Entre em pesqele-divulgacao.tse.jus.br, o sistema público do TSE.
  • Clique em “Consultar Pesquisas”, digite o número do registro — por exemplo, PE-09649/2026 — e veja a ficha: quem pagou, quanto custou, qual foi o questionário e qual estatístico assina. O relatório com os resultados é a única parte que o sistema mantém fechada até depois da eleição.
  • Ou baixe direto, aqui embaixo, os documentos que já conferimos.

O acervo documental dos 38 registros de 2026

São 120 documentos em PDF, com 2.501 páginas, separados em cinco pacotes para facilitar a consulta. Os arquivos reúnem o material publicamente disponível dos 38 registros examinados no PesqEle: questionários, declarações dos estatísticos, municípios e bairros, relatórios integrais, decisões judiciais e o calendário eleitoral.

Os sete relatórios de resultados que os institutos ou contratantes tornaram públicos estão no quarto pacote. Nas demais pesquisas, o relatório de resultados entregue ao PesqEle permanece bloqueado para consulta pública até depois da eleição; por isso, disponibilizamos as fichas e os documentos que o TSE já permite baixar, sem prometer um arquivo que ainda não está aberto ao público. O levantamento do Real Time Big Data de dezembro de 2025, usado como ponto de partida da narrativa, não faz parte desses 38 registros de 2026 e está ligado separadamente abaixo.

38 questionários38 declarações30 listas de municípios7 relatórios completosDecisões e calendárioConsultar fichas no TSEFonte do Real Time de dezembro

Os pacotes estão em formato ZIP. Depois de baixar, basta abrir a pasta compactada para acessar os PDFs originais.

Raquel Lyra (PSD) é governadora de Pernambuco e pré-candidata à reeleição. João Campos (PSB) é ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo. O primeiro turno será em 4 de outubro.

Como apuramos

  • Consultamos o sistema PesqEle/TSE em 28/07/2026 e levantamos a lista completa dos 38 registros de pesquisa para Pernambuco nas Eleições Gerais de 2026 — o primeiro de 30 de janeiro, o último de 25 de julho.
  • Abrimos as 38 fichas técnicas, uma por uma, e anotamos de cada uma: cargos, data de campo, número de entrevistados, valor, se foi feita com recursos próprios, contratante e estatístico responsável. Cada consulta só foi aceita quando a ficha aberta trazia exatamente o número pedido; as 38 resultaram em 38 conjuntos de dados diferentes entre si. Os totais de entrevistas e de valores foram somados a partir dessa base.
  • Baixamos os documentos obrigatórios disponíveis: 38 questionários aplicados, 38 declarações assinadas dos estatísticos responsáveis e 30 detalhamentos de municípios e bairros, além de 6 PDFs de decisões judiciais publicados no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-PE.
  • Reunimos os relatórios completos publicados pelos próprios institutos ou por seus contratantes: Paraná Pesquisas (PE-00478), Veritá (PE-02184), Datafolha (PE-04713), Múltipla (PE-07611), Genial/Quaest de abril (PE-08904) e de julho (PE-09649) e Real Time Big Data de fevereiro (PE-09944). Para as demais linhas da tabela, os percentuais vêm das divulgações públicas dos institutos, conferidas em mais de um veículo — o resultado oficial de cada registro só é liberado pelo TSE depois da eleição. Os cruzamentos por sexo, idade, escolaridade, renda, religião e posicionamento político usados nesta matéria foram conferidos página a página nos documentos originais.
  • Registramos que o campo “relatório completo com o resultado” não é liberado para download público no PesqEle antes do fim das eleições, e anotamos, registro por registro, quais já tinham o documento entregue ao TSE em 28 de julho.
  • A cronologia de 2026 foi montada a partir das divulgações públicas de cada instituto, com conferência cruzada em veículos estaduais e nacionais. Ela reúne fotografias independentes e não constitui uma série estatística única.
  • Em 28/07/2026, O Contraditório pediu ao Instituto Múltipla, por e-mail, os percentuais regionais completos da pesquisa de julho. Não houve resposta até o fechamento da apuração.
  • Conferimos a data e a forma de saída de João Campos da Prefeitura do Recife antes de definir seu cargo no texto.

Fontes principais

1. TSE/PesqEle — as 38 fichas de registro de pesquisa de Pernambuco nas Eleições Gerais 2026, abertas uma a uma em 28/07/2026, com destaque para PE-09649/2026 (Genial/Quaest) e PE-00028/2026 (Múltipla). 2. Relatório completo Genial/Quaest — julho/2026, 120 páginas. 3. Relatório completo Paraná Pesquisas — julho/2026, 33 páginas. 4. Divulgações oficiais dos institutos Múltipla, Ipespe, Simplex, Conecta, Paraná Pesquisas, Datafolha e Real Time Big Data. 5. Compilação cruzada das pesquisas de 2026 em veículos estaduais e nacionais.

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