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Garanhuns

Izaías mira Brasília, mas a perda de votos começa em Garanhuns

Da última eleição para deputado à derrota na disputa pela Prefeitura, o resultado das urnas expõe o desafio que o projeto federal precisa enfrentar.

Izaías mira Brasília, mas a perda de votos começa em Garanhuns

Izaías Régis quer chegar a Brasília apresentando-se como uma liderança do Agreste Meridional. Mas a dificuldade começa em casa. Garanhuns deu a ele menos votos na disputa pela Prefeitura do que na eleição anterior para deputado estadual.

A cidade que ele governou por dois mandatos não repetiu o resultado que o havia reconduzido à Assembleia. E esse recuo local é só o começo: fora de Garanhuns, a votação encolheu ainda mais. É desse quadro que parte o projeto federal.

Os números aparecem logo adiante. Primeiro, o que aconteceu dentro da cidade.

O recuo dentro de Garanhuns

Em 2022, Izaías recebeu 22.381 votos em Garanhuns para deputado estadual e conquistou mais um mandato na Assembleia Legislativa.

Dois anos depois, candidato a prefeito, teve 15.944 votos na mesma cidade. Perdeu para Sivaldo Albino.

Foram 6.437 votos a menos. São cargos e disputas diferentes, mas o recuo local aparece também quando se compara o mesmo cargo: para prefeito, Izaías havia recebido 44.275 votos em 2016. Na tentativa de retorno, em 2024, ficou muito abaixo daquela marca.

Fora de Garanhuns, o mapa também encolheu

Houve um tempo em que a votação de Izaías se dividia de maneira bem diferente pelo estado.

Na primeira eleição para deputado estadual, em 2002, ele recebeu 22.126 votos fora de Garanhuns. Nas duas disputas seguintes para o mesmo cargo, manteve uma votação externa perto dos 22 mil.

Em 2022, restaram 4.723 votos no restante de Pernambuco. A queda, em relação à primeira eleição, chegou a quase 80%.

Enquanto isso, sua votação estadual dentro de Garanhuns cresceu em relação à disputa anterior para o cargo. O resultado foi uma concentração expressiva: a cidade respondeu por mais de quatro em cada cinco votos recebidos por Izaías no estado.

Esse é o ponto central. Ele manteve força suficiente em Garanhuns para conquistar um mandato estadual, mas chegou àquela eleição com uma presença eleitoral muito menor fora do município. Depois, encontrou a derrota na tentativa de voltar a governá-lo.

A ambição é chegar à Câmara dos Deputados. O histórico exige explicar de onde virá a ampliação dessa base.

A disputa também acontece dentro do partido

Izaías concorre pelo PSD, com registro aprovado pela Justiça Eleitoral. Na mesma legenda estão Daniel Coelho, Fernando Monteiro e Guilherme Uchoa Júnior, também registrados para deputado federal.

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Os três têm uma experiência eleitoral que pesa nessa comparação. Na eleição federal de 2022, Daniel recebeu 110.511 votos; Fernando, 99.751; e Guilherme, 84.592. Na disputa estadual daquele ano, Izaías somou 27.104 votos em todo Pernambuco.

Esses resultados não formam um ranking da eleição atual: foram obtidos em cargos e circunstâncias diferentes. Mostram, porém, que Izaías terá de disputar espaço dentro do próprio partido com nomes que já alcançaram votações federais bem superiores à sua votação estadual mais recente.

Entenda sem juridiquês

Para deputado, não basta olhar quem recebeu mais votos no estado. Primeiro, o resultado do partido ou da federação — partidos que disputam juntos — ajuda a definir quantas cadeiras o grupo conquistou. Depois, a votação de cada candidato determina sua posição dentro dessa lista, respeitadas as regras de distribuição das vagas.

Por isso, uma chapa forte pode ajudar a conquistar cadeiras e, ao mesmo tempo, tornar mais difícil a disputa por elas entre seus próprios candidatos.

Os números desta análise são referências históricas, não uma “nota de corte”. Não estamos afirmando que Izaías precise repetir a votação de outro candidato para se eleger. A eleição é proporcional: o resultado depende da votação do partido ou da federação, da posição de cada candidato e das regras de distribuição das vagas.

A análise que a Justiça manteve no ar

Esse histórico já foi tema de publicação do Giro Diário e de O Contraditório. Izaías entrou na Justiça contra os responsáveis pelos portais para retirar o carrossel que examinava sua base eleitoral. O pedido foi rejeitado, assim como a multa e a tentativa de impor uma proibição genérica de novas publicações semelhantes.

Ao examinar aqueles cards, o relator Luiz Gustavo Mendonça de Araújo reconheceu que avaliar negativamente a base política e as perspectivas de uma candidatura não equivale, por si só, a atacar a honra do candidato. Naquele conteúdo, não identificou falsidade evidente nem pedido para que o eleitor deixasse de votar nele.

A sentença destacou precisamente essa distinção: a publicação havia explicado que não existia “nota de corte” e que a eleição era proporcional. Para o relator, essa ressalva afastava a interpretação de que a diferença apontada entre os resultados fosse uma exigência legal fixa para eleger Izaías.

A decisão protegeu aquela crítica. O resultado da eleição continua nas mãos dos eleitores.

E a pergunta política permanece: como Izaías pretende ampliar sua votação pelo estado depois de perder espaço fora de Garanhuns e recuar na disputa mais recente dentro da própria cidade?

O histórico não apresenta uma candidatura federal confortável. Apresenta uma base a reconstruir e uma disputa interna exigente. É essa distância entre o discurso de força regional e o resultado das urnas que precisa ser explicada.

Como apuramos

Voltamos à apuração publicada em agosto, construída com resultados eleitorais do TSE, e refizemos as diferenças entre as votações citadas. A leitura considera separadamente eleições para deputado estadual, deputado federal e prefeito. O total fora de Garanhuns corresponde ao restante de Pernambuco, não apenas ao Agreste Meridional.

Também lemos a decisão integral sobre o carrossel. A presença de Izaías e dos três concorrentes citados no PSD foi reconferida no DivulgaCandContas em 13 de setembro. As declarações sobre sua base regional foram apresentadas na entrevista ao Blog do Carlos Eugênio que motivou a reportagem original. O espaço dos portais permanece aberto à manifestação de Izaías e dos demais citados.

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