Terça-feira, 1 de setembro de 2026
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Pernambuco

Datafolha em PE: Raquel tem 48%, João 42% e empate técnico no 2º turno

Governadora aparece numericamente à frente na largada, mas a distância para o ex-prefeito do Recife cai para quatro pontos numa simulação direta. No Senado, Marília Arraes está numericamente à frente, em empate técnico com Humberto Costa, e 78% não sabem citar espontaneamente um nome.

Datafolha em PE: Raquel tem 48%, João 42% e empate técnico no 2º turno
Fotografias fornecidas pelo editor; montagem editorial do O Contraditório.

A nova rodada do Datafolha em Pernambuco mostra uma eleição com duas fotografias diferentes. No primeiro turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece numericamente à frente, com 48%, diante de 42% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Quando a pesquisa testa apenas os dois, porém, a distância diminui: Raquel marca 49% e João, 45%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

O levantamento foi realizado pelo Datafolha Instituto de Pesquisas Ltda. e contratado pela Nassau Editora Rádio e TV Ltda., pelo valor registrado de R$ 115 mil. Foram ouvidos 1.022 eleitores pernambucanos entre 28 e 30 de julho. A margem de erro da amostra estadual é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi divulgada na sexta-feira (31) e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os números PE-04519/2026 e BR-07601/2026.

📄 Leia o questionário registrado no TSE

O O Contraditório disponibiliza o questionário completo do levantamento para quem quiser conferir todas as perguntas.

⬇ Baixar o questionário (PDF)

Raquel tem seis pontos de vantagem no primeiro turno

No cenário estimulado — quando o entrevistador apresenta a lista de nomes — Raquel Lyra tem 48% e João Campos, 42%. A diferença numérica é de seis pontos.

Ivan Moraes (PSOL) e Camila Falcão (UP) aparecem com 1% cada. Renan Hallais (Missão) não pontuou. Branco, nulo ou nenhum somam 5%, enquanto 2% não souberam responder.

Os percentuais publicados somam 99%, resultado normal do arredondamento feito pelo instituto. “Não pontuou” foi mantido como informado pela fonte: não significa necessariamente zero absoluto.

Gráfico do primeiro turno para o Governo de Pernambuco
Gráfico 1 — Cenário estimulado de primeiro turno. Fonte: Datafolha. A margem estadual é de três pontos percentuais.

A leitura correta não é transformar seis pontos em eleição decidida. A pesquisa registra intenção de voto no período das entrevistas; não é previsão do resultado de outubro. A diferença deixa os dois nomes no limite da margem, faixa em que um empate é considerado improvável no primeiro turno.

Entre maio e julho, cenário de primeiro turno quase não mudou

Na comparação publicada com a rodada de maio, Raquel permaneceu com 48%. João passou de 43% para 42%, enquanto Ivan Moraes foi de 2% para 1%. Branco, nulo ou nenhum subiram de 4% para 5%, e os indecisos permaneceram em 2%.

A rodada anterior também foi realizada pelo Datafolha, com 1.022 entrevistas entre 25 e 27 de maio, margem de três pontos, confiança de 95% e contratação da Nassau Editora Rádio e TV Ltda. O registro estadual é PE-07888/2026.

Todas essas mudanças são de apenas um ponto percentual ou de estabilidade. A divulgação não apresenta um teste estatístico específico para comparar as duas amostras independentes; por isso, essas diferenças devem ser tratadas como variações numéricas, e não como avanço ou recuo comprovado.

Gráfico compara o primeiro turno entre maio e julho
Gráfico 2 — Comparação dos percentuais de maio e julho que foram publicados. A fonte não apresentou, nesse comparativo, os números anteriores de Camila Falcão e Renan Hallais.

A distância numérica entre Raquel e João passou de cinco pontos em maio para seis em julho. A oscilação de um ponto, sozinha, não comprova que a vantagem tenha aumentado.

Segundo turno fica mais apertado

É na simulação direta que a disputa se comprime. Raquel registra 49% e João, 45%. Branco, nulo ou nenhum somam 4%, e 2% não sabem.

Na rodada de maio, Raquel tinha 51% e João, 44%. A diferença numérica, que era de sete pontos, passou para quatro. Entre as duas fotografias, a governadora marca dois pontos a menos e João, um ponto a mais. A publicação não apresenta teste específico da diferença entre as rodadas; portanto, os números não comprovam isoladamente transferência consolidada de votos. Mostram apenas que a fotografia de julho é mais apertada.

Gráfico compara o segundo turno entre maio e julho
Gráfico 3 — Simulação de segundo turno. Fonte: Datafolha. Em julho, os dois aparecem tecnicamente empatados.

O Datafolha classifica o cenário de julho como empate técnico. Por isso, a pesquisa não permite apontar uma vencedora ou um vencedor do confronto.

Sem a lista de nomes, um quarto ainda não sabe responder

A pergunta espontânea ajuda a medir quais nomes já estão presentes na memória do eleitor. Sem receber uma lista, 38% citaram Raquel Lyra e 25%, João Campos. Outros 25% disseram não saber.

Branco, nulo ou nenhum somaram 6%; outras respostas, 4%; a categoria “atual governador”, reproduzida exatamente como publicada, teve 2%; e Eduardo Campos foi citado por 1%. A menção espontânea ao ex-governador, morto em 2014, não representa candidatura: apenas registra a resposta dada pelos entrevistados.

Gráfico da intenção espontânea para o Governo de Pernambuco
Gráfico 4 — Respostas espontâneas para governador. A soma chega a 101% por arredondamento.

O tamanho dos indecisos é um dos principais dados dessa pergunta. Um quarto dos entrevistados, sem estímulo, ainda não conseguiu citar um nome. Isso não autoriza dizer para onde esses eleitores irão; mostra somente que uma parte relevante do eleitorado ainda não consolidou uma lembrança espontânea de candidatura.

Recortes revelam eleitorados diferentes

Nos quatro segmentos sociais e políticos destacados na publicação original, Raquel e João apresentam forças numéricas em grupos diferentes.

Entre os evangélicos, Raquel tem 62%, contra 31% de João. Entre os entrevistados que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, a governadora chega a 70%, enquanto João registra 23%.

O cenário se inverte entre os entrevistados que disseram ter votado em Lula no segundo turno de 2022: João tem 57% e Raquel, 40%. Entre os eleitores com escolaridade até o ensino fundamental, João aparece com 54%, diante de 40% da governadora.

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Gráfico de quatro recortes sociais e políticos do segundo turno
Gráfico 5 — Percentuais dentro de quatro segmentos. A publicação consultada não informou a margem específica desses grupos nem os percentuais residuais.

Esses números descrevem a composição atual das preferências dentro de cada segmento. Eles não demonstram, sozinhos, que religião, escolaridade ou voto anterior causaram a escolha de 2026. Também não é correto aplicar automaticamente a margem de três pontos da amostra total a cada subgrupo, porque recortes menores têm margens próprias e normalmente maiores.

Mulheres empatam; entre homens, Raquel aparece à frente

Entre as mulheres, João tem 47% e Raquel, 46%. A diferença é de apenas um ponto, com margem de quatro pontos percentuais para esse segmento.

Entre os homens, Raquel registra 53% e João, 42%. A diferença numérica é de 11 pontos, e a margem informada para o recorte masculino é de cinco pontos percentuais.

Gráfico do segundo turno por sexo
Gráfico 6 — Segundo turno por sexo. Margens publicadas: quatro pontos entre as mulheres e cinco entre os homens.

O contraste ajuda a explicar como o empate estadual é formado: o resultado agregado reúne grupos em que os dois nomes apresentam desempenhos diferentes. A pesquisa, porém, não publicou todos os resíduos desses recortes no texto consultado; por isso, os percentuais de Raquel e João não devem ser somados como se fossem o quadro completo de cada grupo.

Marília aparece numericamente à frente nos dois cenários para o Senado

A eleição de 2026 terá duas vagas para o Senado por estado. Por isso, cada entrevistado podia citar até dois nomes. Os percentuais dessa pergunta não funcionam como os de uma disputa de escolha única e não precisam somar 100%.

No cenário que inclui Fernando Dueire (PSD), Marília Arraes (PDT) aparece com 18%. Humberto Costa (PT) tem 15%; Mendonça Filho (PL), 10%; Miguel Coelho (União Brasil), 9%; e Eduardo da Fonte (PP), 7%.

Silvio Nascimento (PL) registra 3%. Carlos Sant’Anna (Novo) e Pastor Wellington Carneiro (Mobiliza) têm 2% cada. Paulo Rubem Santiago (Rede) e Fernando Dueire aparecem com 1% cada. Branco, nulo ou nenhum chegam a 21%, e 9% não sabem.

Gráfico do cenário estimulado do Senado com Fernando Dueire
Gráfico 7 — Cenário estimulado para o Senado com Fernando Dueire. Fonte dos resultados: Datafolha.

Marília aparece numericamente à frente, mas a publicação classifica o resultado como empate técnico com Humberto. O senador, por sua vez, também está tecnicamente empatado com Mendonça Filho. Em uma disputa por duas vagas e com margem de três pontos, a ordem numérica não equivale a uma definição antecipada dos eleitos.

Cenário com Túlio preserva a ordem das primeiras posições

No cenário alternativo, a lista não inclui Fernando Dueire e passa a incluir Túlio Gadêlha (PSD). Marília permanece com 18%. Humberto marca 14%; Mendonça, 10%; Miguel, 9%; e Eduardo da Fonte, 7%.

Silvio Nascimento (PL) aparece com 4%, Túlio Gadêlha com 3%, Carlos Sant’Anna e Pastor Wellington Carneiro com 2% cada e Paulo Rubem com 1%. Branco, nulo ou nenhum continuam em 21%, enquanto 9% não sabem.

Gráfico do cenário estimulado do Senado com Túlio Gadêlha
Gráfico 8 — Cenário estimulado para o Senado com Túlio Gadêlha. Cada entrevistado podia escolher até dois nomes.

A troca de nomes entre as duas listas não modifica os percentuais de Marília, Mendonça, Miguel, Eduardo, Carlos, Pastor Wellington, Paulo Rubem, branco/nulo/nenhum ou indecisos. Entre as duas perguntas, Humberto aparece com 15% e 14%, enquanto Silvio registra 3% e 4%. São diferenças numéricas de um ponto entre cenários distintos, não uma evolução temporal.

Na pergunta espontânea para o Senado, 78% não souberam citar um nome. Esse é um dos dados mais expressivos do levantamento: apesar das posições numéricas do cenário estimulado, a disputa pelas duas vagas ainda tem baixo grau de definição espontânea.

O que a pesquisa permite concluir

O Datafolha mostra Raquel Lyra numericamente à frente no primeiro turno e empatada tecnicamente com João Campos no segundo. A governadora apresenta percentuais maiores entre evangélicos, homens e eleitores que disseram ter votado em Bolsonaro em 2022. João tem números maiores entre eleitores com escolaridade até o ensino fundamental e entre os que declararam voto em Lula.

Para o Senado, Marília Arraes ocupa a primeira posição numérica nos dois cenários, mas dentro de uma disputa ainda marcada por empates possíveis e alta indecisão espontânea.

O levantamento não autoriza tratar nenhum desses quadros como resultado eleitoral fechado. Pesquisa é fotografia, não urna: mede respostas de uma amostra, em datas determinadas, dentro de margens conhecidas.

Quais resultados ainda não foram divulgados

O questionário registrado no TSE contém perguntas sobre rejeição, avaliação dos governos Raquel Lyra e Lula, cenários presidenciais, influência de apoios políticos, hábitos de informação e diferentes cruzamentos sociais e regionais.

Essas perguntas, porém, não significam que seus resultados tenham sido divulgados. As publicações consultadas não apresentaram os números de rejeição, avaliação, Presidência, hábitos de informação nem a íntegra dos cruzamentos regionais e sociais.

Na consulta feita na noite de 31 de julho, dia da divulgação, esses dados também não estavam acessíveis ao público no PesqEle. Isso, por si só, não indica irregularidade: a Resolução TSE nº 23.600/2019, atualizada para 2026 prevê prazo de complementação e estabelece que a publicização do relatório completo ocorre, em regra, depois das eleições.

Por isso, O Contraditório não publica números de rejeição, avaliação, Presidência ou recortes regionais que não estejam nas divulgações originais já verificadas. A relação completa dos municípios e bairros pesquisados também não estava acessível na consulta feita no dia da divulgação, ainda dentro do prazo de complementação previsto pela norma.

Como apuramos

Os resultados utilizados nesta matéria foram publicados pela Folha de S.Paulo/Datafolha e pela Folha de Pernambuco, em levantamento realizado em parceria com a Tribuna. O Contraditório preservou as publicações originais, os dois gráficos oficiais e seus arquivos de dados e os documentos disponíveis no PesqEle, sistema do TSE. Os percentuais foram transcritos para uma planilha única e conferidos individualmente antes da produção dos gráficos.

Os dois cenários completos do Senado foram cotejados com a síntese publicada pela Folha. “Não pontuou” não foi transformado em 0%, e diferenças provocadas por arredondamento foram mantidas como aparecem nas fontes.

Fontes principais

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