EXCLUSIVO: União Brasil cancela convenção no Recife e remarca ato para 5 de agosto
O PP já tinha um ato partidário marcado para 5 de agosto; agora, o União Brasil também levará seu próprio evento para a data, depois de uma reunião que atravessou a madrugada entre Miguel Coelho e Raquel Lyra.
O União Brasil cancelou o ato que realizaria neste sábado (1º), na sede do partido, no Recife. As fontes ouvidas pelo O Contraditório identificaram o evento como a convenção da sigla e pediram sigilo de identidade.
O Progressistas (PP) já tinha um evento partidário marcado para 5 de agosto. Agora, o União Brasil também realizará o próprio ato nessa data, último dia do prazo fixado pela Justiça Eleitoral para a escolha das candidaturas e a definição das coligações nas Eleições 2026.
São atos distintos das duas siglas. Isso não significa a realização de duas convenções eleitorais formais: de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, a convenção de uma federação ocorre de forma unificada, com a participação dos partidos que a integram.
Atualização — 01/08: horas depois da publicação desta reportagem, Miguel Coelho divulgou o vídeo antecipado pelas fontes e anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao Senado. Ele afirmou que o União Brasil continuará apoiando a governadora Raquel Lyra e pediu a suas bases que mantenham esse apoio.
O pronunciamento não trata do cancelamento nem das datas das convenções. Ele revela o desfecho político da reunião que atravessou a madrugada: Miguel deixa a disputa pela indicação ao Senado para não colocar em risco o projeto de reeleição de Raquel Lyra.
Leia a nova reportagem, assista ao vídeo completo e confira a transcrição integral do pronunciamento.
Uma madrugada no Palácio
Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, o cancelamento do ato do União Brasil ocorre depois de uma noite de intensa articulação política no Palácio do Campo das Princesas.
Ainda de acordo com as fontes, Miguel Coelho passou a noite reunido com a governadora Raquel Lyra. A conversa teria avançado pela madrugada e mobilizado o núcleo político do governo em torno do impasse que divide a União Progressista sobre a indicação ao Senado.
No Palácio, segundo relataram as fontes ao O Contraditório, foi montado o que elas definiram como um “gabinete de guerra”. O grupo teria trabalhado durante a noite para avaliar os caminhos possíveis, medir os riscos de cada decisão e tentar preservar a aliança política construída para a eleição estadual.
A reunião produziu um desfecho que só se tornou público horas depois: Miguel retirou sua pré-candidatura ao Senado. No vídeo, ele disse que a decisão foi tomada em entendimento com Raquel Lyra e atribuiu o recuo a “questões de forças maiores”, sem detalhá-las.
A disputa que travou a federação
No centro do impasse estavam Miguel Coelho, presidente estadual do União Brasil, e o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP e da Federação União Progressista em Pernambuco.
Os dois reivindicavam a indicação da federação para o Senado na composição política ligada à governadora Raquel Lyra. Com a retirada de Miguel, Eduardo da Fonte fica sem o concorrente que disputava diretamente a indicação, mas isso não equivale a uma homologação automática. A definição formal continua dependendo das instâncias partidárias.
Miguel afirmou que a retirada de seu nome não representa rompimento: “O União Brasil vai continuar apoiando a governadora Raquel Lyra”.
Tudo fica para o limite
O calendário eleitoral permite a realização das convenções até 5 de agosto. Segundo as fontes, o PP já tinha um ato partidário marcado para essa data, e o União Brasil transferiu o próprio evento para o mesmo dia. A formalização eleitoral da federação, contudo, deve ocorrer de forma unificada.
Até lá, a União Progressista terá de decidir quem representará a federação na disputa pelo Senado, como ficará sua participação na composição majoritária e quais entendimentos serão formalizados para a eleição.
Até o prazo final, a federação ainda terá de formalizar sua composição. O principal impasse político, porém, mudou: Miguel não disputa mais a indicação ao Senado e reafirmou o apoio do União Brasil a Raquel Lyra.
Correção — 01/08, às 8h22, atualizada às 9h35: a versão inicial informou que havia sido cancelada uma convenção conjunta da Federação União Progressista. As fontes esclareceram que quem cancelou o próprio ato foi o União Brasil; o PP já tinha outro evento partidário marcado para 5 de agosto. Pelas regras do TSE, a convenção eleitoral formal da federação ocorre de forma unificada.
Como apuramos
O cancelamento do ato do União Brasil, a transferência do evento para 5 de agosto, o ato do PP já marcado para essa data e o anúncio em vídeo por Miguel Coelho foram confirmados diretamente ao portal O Contraditório por fontes do alto escalão da Federação União Progressista. As fontes condicionaram as informações à preservação de suas identidades, compromisso que o portal mantém.
Depois da publicação, a redação recebeu o arquivo original do pronunciamento, assistiu aos 2 minutos e 25 segundos completos e produziu a transcrição integral. O vídeo confirma a reunião com Raquel Lyra, a retirada da pré-candidatura e a continuidade do apoio do União Brasil à governadora. Miguel não menciona as convenções.
A reunião de Miguel Coelho com Raquel Lyra no Palácio do Campo das Princesas e a formação do gabinete de guerra também foram confirmadas pela apuração. Para conferir o prazo, a reportagem consultou o calendário oficial das Eleições 2026 do Tribunal Superior Eleitoral.
Fontes principais
- Apuração própria do O Contraditório, em 01/08/2026;
- TSE — prazo das convenções partidárias termina em 5 de agosto;
- TSE — em federações, a convenção ocorre de forma unificada.





