Terça-feira, 1 de setembro de 2026
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Política

“Aqui está pegando fogo”: o que realmente aconteceu na Sala Vermelha do Dom Moura

Um equipamento entrou em curto-circuito na ala dos pacientes mais graves do Hospital Regional Dom Moura, na noite desta sexta-feira. O vídeo do corredor chegou à nossa redação antes de qualquer explicação.

“Aqui está pegando fogo”: o que realmente aconteceu na Sala Vermelha do Dom Moura

Um equipamento entrou em curto-circuito na ala dos pacientes mais graves do Hospital Regional Dom Moura, na noite desta sexta-feira. O vídeo do corredor chegou à nossa redação antes de qualquer explicação.

Quase meia-noite de sexta-feira. O corredor do Hospital Regional Dom Moura tem gente andando rápido demais para ser uma noite comum.

Uniforme lilás passando de um lado. Uniforme azul do outro. Um leito atravessando o caminho, empurrado por dois. Ao fundo, uma mulher com a mão erguida, falando alto no meio da correria — dá para ver a boca aberta, mas o som é só zunzum de muita gente falando ao mesmo tempo.

E, no alto do corredor, acesa, uma placa vermelha: SAÍDA.

São dezessete segundos de vídeo. Vieram para esta redação com uma frase só, e nada mais:

“Aqui está pegando fogo.”

Naquela hora, ninguém sabia se era jeito de falar.

Hoje o Hospital Regional Dom Moura respondeu. Era literal.

O corredor do Hospital Regional Dom Moura na noite de sexta-feira, durante a retirada dos pacientes da Sala Vermelha. Reprodução/vídeo enviado à redação

Não era um corredor qualquer

O curto-circuito foi na Sala Vermelha.

Para quem não convive com hospital, o nome não diz nada. Para quem convive, diz tudo: é a sala da emergência onde ficam os pacientes mais graves. Os que chegaram em estado crítico. Os que estão monitorados. Os que não podem esperar cinco minutos — e, muitos deles, os que não saem andando dali.

É exatamente nessa sala que um equipamento entra em curto, quase meia-noite de uma sexta-feira.

Agora pensa no que isso significa. Não é esvaziar uma sala de espera. É tirar de dentro de um ambiente com risco, um por um, gente que depende de equipamento para respirar, para ter o coração acompanhado, para não piorar no caminho.

O que aconteceu nos minutos seguintes

Segundo a nota do hospital, as equipes retiraram os pacientes do ambiente e acionaram o Corpo de Bombeiros. A situação foi controlada em poucos minutos.

Depois disso: higienização do setor, estabilização do ambiente, liberação para funcionamento no mesmo dia. Os pacientes já voltaram aos seus leitos. O equipamento saiu de uso e vai passar por avaliação técnica para descobrir a causa.

E a frase que resume tudo, a mais curta da nota:

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“Não houve feridos.”

Nem um. Nem paciente, nem quem estava trabalhando.

A nota do Hospital Regional Dom Moura, na íntegra

O Hospital Regional Dom Moura informa que, na noite da última sexta-feira (07), um equipamento apresentou curto-circuito na Sala Vermelha da unidade. Não houve feridos, e a situação foi controlada em poucos minutos. As equipes adotaram imediatamente todas as medidas de segurança, com a retirada dos pacientes do ambiente e o acionamento do Corpo de Bombeiros. O setor já foi liberado para funcionamento, após a conclusão dos procedimentos de higienização e estabilização do ambiente. Os pacientes já retornaram aos seus leitos. O equipamento foi retirado de uso e será submetido a avaliação técnica especializada para identificação da causa da ocorrência.

O vídeo, revisto agora

Assista de novo sabendo o que se sabe agora e o vídeo muda de sentido.

Aquela gente andando rápido no corredor não estava perdida. Estava tirando paciente de dentro da Sala Vermelha. O leito atravessando o caminho não era desorganização: era alguém saindo do lugar onde não podia ficar. A mulher de mão erguida ao fundo não estava discutindo à toa — estava coordenando, no meio de uma noite que apertou.

O que parecia correria sem sentido era, na verdade, uma equipe inteira fazendo exatamente o que se ensina a fazer — e fazendo rápido.

Podia ter sido a pior noite do ano

No fim das contas, a história é essa: podia ter sido a pior noite do ano no Hospital Regional Dom Moura. Não foi.

Um curto-circuito na ala dos pacientes mais graves, à meia-noite, com gente entubada e monitorada dentro da sala. Terminou com o setor limpo, liberado no mesmo dia, os pacientes de volta aos leitos e ninguém ferido.

E não foi por sorte.

Foi porque, quando o equipamento estourou, tinha gente ali que sabia o que fazer e fez na hora — da recepção ao maqueiro, do técnico de enfermagem ao enfermeiro, do médico à limpeza, da segurança a quem coordena e responde pela unidade. Uma noite dessas não se atravessa em pedaços. Ou a casa inteira funciona junta, ou não funciona.

Nesta sexta, funcionou.

E fica o registro do que ainda falta: descobrir por que o equipamento entrou em curto. O próprio hospital já mandou o aparelho para perícia. O Contraditório acompanha o resultado — porque saber a causa é o que impede a próxima.

Como apuramos

O vídeo chegou à redação por volta da meia-noite deste sábado, enviado por quem estava no hospital, com a frase “aqui está pegando fogo” e nada mais.

O material foi conferido quadro a quadro e o áudio, extraído e transcrito: não há fala inteligível, apenas ruído de ambiente.

O flagrante foi ao ar no Instagram sem atribuição de causa. A nota do hospital foi enviada pela assessoria de imprensa do Hospital Regional Dom Moura e está publicada acima na íntegra, sem cortes.

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