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Garanhuns

Izaías Régis se apresenta como o nome do Agreste Meridional. Fomos contar os votos, cidade por cidade

Ele registrou candidatura a deputado federal. O histórico eleitoral dele está inteiro no site do TSE, aberto para qualquer pessoa conferir. O Contraditório baixou o resultado de sete eleições e somou — inclusive na cidade onde ele nasceu.

Izaías Régis se apresenta como o nome do Agreste Meridional. Fomos contar os votos, cidade por cidade
Reprodução/Blog do Carlos Eugênio (@blogcarloseugenio)

Izaías Régis Neto, deputado estadual no quarto mandato, registrou candidatura a deputado federal por Pernambuco. Ele concorre pelo PSD, com o número 5567.

A consulta ao sistema ao vivo do Tribunal Superior Eleitoral, feita às 13h18 desta quarta-feira (19), mostra o pedido dele com a situação “aguardando julgamento” — quer dizer que o registro entrou, mas a Justiça Eleitoral ainda não decidiu se aceita.

Na entrevista que deu ao Blog do Carlos Eugênio no dia 13, ele explicou por que se acha viável. Falou em base no Agreste Meridional, em quase um milhão de pessoas na região, em alianças em cinco municípios e em mais de 50 mil votos só em Garanhuns.

Izaías Régis cita Brejão, Terezinha, Calçado, Saloá e Jurema ao falar de sua base regional. Trecho da entrevista publicada em 13 de agosto de 2026. Vídeo: Blog do Carlos Eugênio (@blogcarloseugenio).

É uma afirmação que dá para conferir. Não com opinião: com o resultado das urnas, que o TSE publica de graça, eleição por eleição, cidade por cidade.

Foi o que fizemos.

E o que os números mostram é uma cidade só.

O mapa que encolheu

Izaías disputou quatro eleições para deputado estadual. Em todas elas, teve uma votação parecida no total. O que mudou — e mudou muito — foi de onde ela veio.

  • 2002: 43.367 votos no estado. 21.241 em Garanhuns, 22.126 fora.
  • 2006: 33.195 no estado. 10.312 em Garanhuns, 22.883 fora.
  • 2010: 35.861 no estado. 13.306 em Garanhuns, 22.555 fora.
  • 2022: 27.104 no estado. 22.381 em Garanhuns, 4.723 fora.

Repare na última coluna, que é a que interessa aqui.

Nas três primeiras eleições, o que ele colhia fora de Garanhuns ficava sempre perto de 22 mil votos. Três disputas, três resultados quase idênticos. Era uma base regional de verdade.

Em 2022, esse número caiu para 4.723.

São 17.403 votos a menos fora do próprio município — uma queda de 78,65% em vinte anos. Em 2022, 82,57% de tudo o que ele recebeu no estado saiu de uma cidade só.

Terezinha, onde ele nasceu

O caso mais visível fica a 30 quilômetros de Garanhuns.

Izaías nasceu em Terezinha e cita a cidade quando fala das próprias raízes. Em 2010, ele foi o deputado estadual mais votado lá: 2.555 votos. Naquele ano, o prefeito era Alexandre Martins, e existe registro público, da época, de Izaías dizendo que contava com o “apoio incondicional” dele.

Em 2022, Izaías teve 78 votos em Terezinha.

Não é erro de digitação. Setenta e oito. Ficou em quinto lugar entre os candidatos a deputado estadual na cidade, atrás de Claudiano Filho (1.766), Débora Almeida (785), Dannilo Godoy (700) e Doriel Barros (330).

Da eleição de 2010 para a de 2022, foram 2.477 votos a menos no mesmo município: uma queda de 96,95%.

Em 2022, quem administrava Terezinha era Matheus Martins, sobrinho de Izaías — como o próprio deputado o chamou publicamente. No dia 27 de agosto daquele ano, a menos de quarenta dias da eleição, Matheus estava na Fazenda Quixaba, em Itaíba, no lançamento da candidatura de Claudiano Filho à reeleição, ao lado de outros onze prefeitos da região.

Claudiano fez 1.766 votos em Terezinha. Izaías fez 78.

Quem comanda a cidade hoje é Arnóbio Gomes, que foi vice-prefeito de Terezinha de 2009 a 2016 — os oito anos de Alexandre Martins, o prefeito que declarou apoio incondicional a Izaías em 2010. É o mesmo grupo político, no comando da cidade há dezesseis anos.

Nesta eleição, Arnóbio está com Sílvio Costa Filho para deputado federal. Não com Izaías.

O grupo que governa Terezinha é o mesmo. A votação de Izaías na cidade, não.

Em casa, também caiu

Garanhuns é a cidade onde ele foi prefeito duas vezes. Mesmo ali, a curva desceu.

  • 2012: eleito prefeito com 36.998 votos.
  • 2016: reeleito com 44.275.
  • 2020: impedido de disputar, apoiou Dr. Silvino, que perdeu para Sivaldo Albino por 1.854 votos.
  • 2022: 22.381 votos para deputado estadual em Garanhuns.
  • 2024: disputou de novo a Prefeitura e perdeu. Sivaldo foi reeleito com 49.838 votos (71,37%); Izaías teve 15.944 (22,83%); Gersinho Filho, 4.046.

A comparação mais limpa é a do mesmo cargo. De 2016 a 2024, disputando a Prefeitura nas duas vezes, ele perdeu 28.331 votos — 63,99% do que tinha.

Quando ele apoiou alguém

Na entrevista, Izaías apresenta um grupo político com alcance regional. Os resultados de quem ele apoiou contam uma história menos redonda.

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Álvaro Porto. Em 2014, sem apoio dele — o candidato oficial de Izaías era Zaqueu Lins —, Álvaro fez 4.844 votos em Garanhuns. Em 2018, já com apoio público e campanha ao lado do então prefeito, fez 3.612. Caiu 25,43%.

Silvio Costa Filho. Em 2018, apoiado pelo prefeito Izaías, teve 5.337 votos em Garanhuns e foi o terceiro federal mais votado na cidade. Em 2022, na dobradinha com o já ex-prefeito, teve 2.098.

Na mesma eleição de 2022, o deputado federal mais votado em Garanhuns foi Felipe Carreras, apoiado pelo prefeito Sivaldo Albino: 9.878 votos. Quase cinco vezes o resultado de Silvio.

São eleições diferentes, com contextos diferentes. O dado mede resultado; não prova que um prefeito entrega ou deixa de entregar voto.

A régua que existe — e o que ela não é

Falta responder à pergunta prática: 27 mil votos dá para eleger deputado federal?

Não existe nota de corte. Mas existe uma régua histórica, e ela é pública.

Em 2022, entre os deputados federais eleitos por Pernambuco, o que chegou com a menor votação pessoal foi Renildo Calheiros: 59.686 votos. Os 27.104 de Izaías naquele ano equivalem a 45,41% disso. Para alcançar aquela marca, ele precisaria crescer 120,21% — mais que dobrar.

Tem um detalhe que dá o tamanho da conta. Garanhuns inteira produziu 66.549 votos válidos para deputado federal em 2022. Ou seja: aqueles 59.686 votos equivalem a quase 90% de tudo o que a cidade votou para o cargo. Nenhum candidato tira isso de um município só.

Se Izaías repetisse exatamente os 22.381 votos que teve em Garanhuns, faltariam 37.305 votos de fora — quase oito vezes os 4.723 que conseguiu em 2022.

Nada disso significa que ele não pode se eleger. E é importante entender por quê.

Entenda sem juridiquês

Deputado não é eleito como prefeito. Prefeito é simples: quem tem mais voto, ganha. Deputado é outro sistema, e é aí que a conta muda.

Eleição proporcional quer dizer que primeiro se conta quantas cadeiras cada partido ou federação conquistou, somando os votos de todos os candidatos daquela legenda mais os votos dados só ao partido. Depois é que se olha quem, dentro da lista, ficou na frente para ocupar essas cadeiras.

Por isso a menor votação entre os eleitos não funciona como nota de corte. Em 2022, Daniel Coelho teve 110.511 votos para deputado federal em Pernambuco e não se elegeu. No mesmo ano, gente com votação menor entrou. Depende do partido.

E é justamente aí que aparece a outra metade da conta de Izaías. Ele disputa dentro do PSD, que registrou 25 candidaturas a deputado federal em Pernambuco — número conferido no sistema do TSE nesta quarta-feira. Na lista há nomes com votação federal anterior bem maior que a dele: Daniel Coelho (110.511 em 2022), Fernando Monteiro (99.751, eleito) e Guilherme Uchoa Júnior (84.592, eleito).

Duas coisas, então, decidem o destino dele. Quantas cadeiras o PSD conquistar. E em que posição ele terminar dentro dessa fila de 25.

O que fica

O histórico não mostra, hoje, uma base federal pronta. Mostra uma votação que virou municipal, e uma cidade onde ele acabou de perder uma eleição.

O tamanho da subida está nos números, e eles não são de opinião. Para chegar à régua de 2022, Izaías precisaria mais que dobrar a votação que fez naquele ano. Precisaria multiplicar por quase oito o que colheu fora de Garanhuns. E precisaria fazer isso dentro de uma chapa de 25, disputando com quem já teve 110 mil, 99 mil e 84 mil votos para o mesmo cargo.

O Contraditório não prevê eleição. Quem decide é o eleitor, e o sistema proporcional já produziu resultado mais estranho do que esse. Mas o que está publicado no TSE não descreve uma caminhada curta.

O espaço está aberto. Izaías Régis e qualquer outro citado nesta reportagem podem se manifestar quando quiserem, e o que disserem entra aqui.

Ele diz que representa o Agreste Meridional. Em 2022, o Agreste Meridional fora de Garanhuns lhe deu 4.723 votos.

O resto é campanha.

Como apuramos

Todos os votos citados são resultados oficiais do TSE, das eleições de 2002, 2006, 2010, 2012, 2016, 2018, 2020, 2022 e 2024, somados por município.

A situação da candidatura e o número de concorrentes do PSD vêm do DivulgaCandContas, o sistema ao vivo do TSE, consultado às 13h18 de 19 de agosto de 2026. O quadro pode mudar até o fim do prazo de registro.

O tempo de mandato de Arnóbio Gomes como vice-prefeito está no site oficial da Prefeitura de Terezinha.

As declarações de Izaías são da entrevista concedida ao Blog do Carlos Eugênio, publicada em 13 de agosto de 2026. Os apoios políticos de 2010, 2014, 2018 e 2022 estão em publicações da imprensa regional feitas antes de cada eleição; a presença de Matheus Martins no lançamento da candidatura de Claudiano Filho foi registrada pelo Blogsx em 29 de agosto de 2022. O apoio do atual prefeito de Terezinha a Sílvio Costa Filho nesta eleição consta do mapa de apoios dos 184 prefeitos de Pernambuco publicado pelo Blog Ponto de Vista, atualizado em 15 de agosto de 2026.


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