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Política

Magno escolheu seu lado: 279 textos contra Raquel, 154 a favor de João

Desde o início da campanha, o blog trata os dois candidatos com pesos diferentes. Em processos separados, a Justiça mandou retirar uma comparação que a pesquisa não fez e deu direito de resposta à coligação de Raquel.

Magno escolheu seu lado: 279 textos contra Raquel, 154 a favor de João
Fotografia fornecida pelo editor. Montagem editorial: O Contraditório.

No sábado, 26 de setembro, à meia-noite, Magno Martins publicou uma coluna sobre a caminhada de João Campos com Lula no Recife, ocorrida na sexta-feira (25). Chamou o ato de “demonstração pública de força política”. Às 14h30 do mesmo sábado, publicou um texto sobre Miguel Coelho erguendo Raquel Lyra nos ombros, naquela manhã, em Petrolina. Chamou Miguel de “servo, vassalo” e disse que a cena lhe deu “náuseas”.

A caminhada com João virou prova de força. O gesto de Miguel, motivo para insultá-lo. A diferença não ficou naquele sábado.

O Contraditório leu as 1.624 publicações disponíveis no Blog do Magno entre 16 de agosto, início da campanha, e 29 de setembro, às 11h56. Raquel, seu governo, sua chapa ou seus aliados aparecem em 440 delas. João ou seu grupo aparecem em 338. Uma publicação pode falar dos dois. A lista completa traz os textos, os links e a classificação de cada um.

📄 Confira a lista completa das 1.624 publicações

Matriz integral com data, título, link original e classificação fundamentada de cada texto do recorte.

⬇ Abrir a matriz completa (PDF)

No conjunto, 279 publicações deram a Raquel tratamento desfavorável e 154 apresentaram João de forma favorável. A conta inclui notícias, artigos e colunas, inclusive textos de outros veículos publicados no blog. Houve ao menos um texto desfavorável a Raquel em cada um dos 45 dias examinados.

Os outros textos sobre Raquel têm outro tom: 135 relatam fatos sem elogio ou crítica predominante; 26 destacam propostas, atos ou apoios que favorecem sua imagem. Nenhum desses 26 é uma coluna de Magno a favor dela. Entre os textos sobre João, 178 não têm elogio nem crítica predominante e seis o tratam desfavoravelmente.

Nas 37 colunas assinadas por Magno, 25 foram desfavoráveis a Raquel. Nenhuma foi favorável a ela. Quinze favoreceram João.

Da largada ao direito de resposta

Antes mesmo da campanha, uma decisão judicial já havia atingido o blog. Em 14 de agosto, o TRE mandou retirar o placar “João 48% x Raquel 43%”, atribuído à pesquisa Múltipla. A pesquisa não havia feito essa comparação. Na pergunta real sobre intenção de voto, Raquel tinha 45% e João, 41%. A ordem era provisória; não encontramos prova de condenação definitiva nesse caso.

Na segunda-feira, 17 de agosto, primeiro dia útil da campanha, Magno escreveu que João havia “largado na frente”. Na mesma coluna, chamou a campanha de Raquel de “sem molho e sem sal”. Ainda naquela semana, o blog usou “fracassa” e “flopado” em manchetes sobre atos dela. Em 26 de agosto, chamou um servidor exonerado de “chefe do gabinete de ódio da governadora”. No próprio texto, porém, a existência desse grupo ainda era apresentada como denúncia em investigação.

Em 3 de setembro, Magno publicou o artigo “João a favor, Raquel contra” sobre o fim da escala de trabalho de seis dias por um de folga. Disse que João era favorável e Raquel, contrária. Mas ela já havia defendido a redução da jornada em maio, embora fizesse ressalvas sobre o custo para as empresas. A Justiça Eleitoral deu à coligação dela direito de resposta. A manchete apagou uma posição que Raquel já havia declarado.

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O tom continuou a subir. Na coluna de 11 de setembro, Magno chamou a estratégia da campanha de Raquel de “tática fascista”. Horas depois, uma manchete sobre o debate em Caruaru o dividiu entre “verdade” e “mentira”. No texto, a verdade ficou com João. Em 22 de setembro, João foi “propositivo” e “seguro”; Raquel, “apática” e “sem respostas”.

O mesmo Miguel, duas medidas

Naquele sábado, Magno chamou o gesto de Miguel com Raquel de “a cena mais patética da campanha”. Disse que o ex-prefeito passara por um “vexame” e chamou seu apoio de “repugnante”.

Magno já havia reconhecido a força de Miguel. Em 2023, ao comentar uma aproximação dele com João Campos, escreveu: “João agiu inteligentemente”. Também lembrou os votos que Miguel havia levado a Raquel em Petrolina. Mais tarde, Miguel disputou uma vaga ao Senado na chapa da governadora e, mesmo depois de sair da disputa, reafirmou seu apoio a Raquel e Priscila. Magno conhecia essa história. No texto em que o insultou, chegou a chamá-lo de “melhor prefeito de Petrolina”. Ainda assim, preferiu chamá-lo de vassalo por erguer Raquel.

O insulto não ajuda o leitor a entender a eleição. Diminui o jornalismo de Magno e desgasta a confiança em sua cobertura.

Da zero hora de sexta-feira, 25 de setembro, até o horário desta apuração, o blog publicou 146 textos. Nesse período, 38 trataram Raquel de forma desfavorável e 36 favoreceram a imagem de João. O ataque a Miguel faz parte desse conjunto de títulos e escolhas.

Na coluna de segunda-feira, 28, Magno deixou de criticar uma declaração para julgar a pessoa. Ao falar de laqueadura, Raquel havia dito “faz sem ela saber”. A fala provocou críticas e ela pediu desculpas. Magno escreveu que a governadora “vomita um coração cheio de maldade” e tem o coração “contaminado pelo maligno”. Cobrar explicações pela fala é jornalismo. Atribuir maldade ao coração dela é ataque pessoal.

No mesmo dia, o TRE-PE registrou que a empresa do blog ainda não havia publicado o direito de resposta no Instagram. Deu uma hora para cumprir a ordem e fixou multa de R$ 10 mil por dia se a falta continuasse. A resposta apareceu no site do blog. A decisão consultada não mostra que a multa tenha sido cobrada ou paga.

Decisão do TRE-PE sobre o direito de resposta
⬇ Ler decisão do TRE-PE (PDF)

Criticar o governo é parte do jornalismo. Os ataques a Miguel e Raquel foram além da crítica: julgaram as pessoas. O arquivo mostra que não se trata de um episódio isolado. É uma perseguição editorial que desgasta a credibilidade de quem a pratica. Magno sai menor do que entrou nesta campanha.

Como apuramos

Lemos o título e o texto de cada publicação disponível no blog entre 16 de agosto e 29 de setembro de 2026, às 11h56, horário de Brasília. Quando uma matéria tratava dos dois candidatos, avaliamos o tratamento dado a cada um. Crítica, denúncia, falha ou insulto em destaque contaram como desfavoráveis. Proposta, apoio, elogio ou demonstração de força em destaque contaram como favoráveis. Os demais textos foram registrados como relatos sem elogio ou crítica predominante. As colunas assinadas já estão incluídas nos totais; não foram somadas duas vezes.

O resultado de uma pesquisa ou de uma decisão judicial, por si só, não contou como elogio nem ataque. Também não tratamos a publicação de um direito de resposta como apoio a quem o obteve. Avaliamos, porém, o tom escolhido pelo blog quando foi além de relatar o fato. É o caso da manchete que chamou de “nova virada” uma vantagem dentro da margem de erro de uma pesquisa. Textos retirados do ar antes da captura podem não estar no arquivo.

Para os episódios judiciais, consultamos o Diário da Justiça Eleitoral, a decisão sobre o cumprimento do direito de resposta e o relato da suspensão de outra pesquisa em agosto. Não encontramos decisão comprovando outro direito de resposta de Raquel ou Priscila contra o Blog do Magno.

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