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O passado do PSB cobra a conta de João Campos

Raquel chega à reta final com entregas para defender. João precisa explicar por que a volta do partido que governou Pernambuco por 16 anos seria uma mudança.

O passado do PSB cobra a conta de João Campos

João Campos chegou à reta final com uma pergunta difícil de responder: por que a volta do PSB ao governo deveria ser tratada como mudança? O partido comandou Pernambuco por 16 anos, nas gestões de Eduardo Campos e Paulo Câmara. A juventude do candidato não apaga a idade desse projeto de poder. Para pedir uma nova oportunidade, João precisa responder pelo que seu grupo deixou para trás. O ciclo do PSB foi registrado pelo SBT em 2022.

A trajetória da disputa tornou essa cobrança ainda mais importante. Em agosto do ano passado, a Quaest mostrava João com 55% das intenções de voto e Raquel Lyra com 24%. A vantagem alimentava a expectativa de uma sucessão confortável. Hoje, a governadora disputa a possibilidade de resolver a eleição no primeiro turno. Nossa leitura é que João teve dificuldade para sustentar a promessa de novidade quando a comparação passou a incluir o passado do seu partido e os resultados da adversária. Quaest, agosto de 2025; JC, quadro da reta final.

O IPVA ajuda a entender a contradição. João prometeu zerar o imposto para motos de uso rural de até 180 cilindradas. Sob Paulo Câmara, uma lei sancionada em 2015 aumentou a tributação de motocicletas para o período seguinte e encerrou a isenção dos ciclomotores com menos de 50 cilindradas. O grupo que agora oferece alívio também precisa explicar a decisão de aumentar a cobrança quando comandava o estado. É uma conveniência eleitoral que merece ser questionada. Promessa relatada pelo Jamildo; lei sancionada por Paulo Câmara.

A discussão era mais ampla. O pacote de ajuste fiscal enviado por Paulo à Assembleia incluía aumento das alíquotas de ICMS sobre gasolina e telefonia, além da alíquota geral. A justificativa era enfrentar a crise econômica. O registro permanece: quando precisou arrecadar mais, o governo do PSB propôs cobrar mais do contribuinte. Essa escolha faz parte do histórico que acompanha a candidatura de João. Registro da Alepe sobre o pacote.

Também há uma lembrança incômoda das operações de trânsito no interior. Em Calçado, durante o governo Paulo Câmara, o prefeito Nogueira protestou contra apreensões numa blitz do Detran e pediu ao governador que revisse a atuação do órgão. A nota foi reproduzida pela imprensa regional em 2017. Ela documenta uma cobrança pública daquela época. Diante desse antecedente, a promessa atual sobre motos exige uma discussão sobre a postura do grupo quando esteve no poder. Nota reproduzida pelo blog Na Boca do Povo.

Raquel tem uma medida efetiva para colocar nessa comparação: a redução da alíquota geral do IPVA para 2,4%, em vigor desde 2024. No caso dos automóveis enquadrados nessa regra, o benefício saiu da promessa e entrou na legislação. É uma diferença que pesa numa análise sobre credibilidade: João apresenta o que pretende fazer; Raquel pode apontar uma alteração que já fez. Lei sancionada por Raquel Lyra.

A cobrança sobre o PSB vai além dos impostos. Os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste, lançados para a Copa, atravessaram os governos do partido com pendências. Ainda apareciam entre os empreendimentos estaduais não concluídos no diagnóstico divulgado pelo Tribunal de Contas em dezembro passado. O tempo consumido por essas obras dá dimensão ao problema. Um projeto que pede para voltar deve dizer o que faria de diferente para evitar a repetição dessas esperas. Lançamento das obras em 2011; diagnóstico do TCE-PE.

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Raquel assumiu o governo com obras inacabadas deixadas pelas gestões do PSB. Esse ponto precisa entrar na avaliação: além de apresentar seus projetos, ela teve de recuperar empreendimentos que já deveriam estar servindo à população. A Barragem de Panelas II é um exemplo. Anunciada na gestão Eduardo Campos, ficou parada desde 2014. A retomada ocorreu no governo Raquel, em parceria com o governo federal, e a entrega foi feita por ela e Lula em dezembro do ano passado. Para quem esperava proteção contra enchentes, o resultado dessa parceria tem valor concreto. Ministério da Integração, retomada; Diario de Pernambuco, inauguração.

Outra pendência herdada estava na duplicação da BR-104, no Agreste. Os trabalhos ficaram parados por quase uma década e foram retomados pela gestão Raquel, com apoio federal. Em abril deste ano, o Dnit registrou a entrega do segmento duplicado entre Taquaritinga do Norte, Toritama e Caruaru, executado por convênio com o estado. Barragem e rodovia mostram por que a cobrança sobre o passado importa: Raquel participou da conclusão de obras que o PSB deixou pendentes. João deveria responder por essa demora antes de apresentar seu grupo como solução. JC, paralisação e retomada; Dnit, entrega do segmento.

Essa parceria também limita o argumento de que a relação com Lula seria uma vantagem exclusiva do campo de João. Raquel mostrou que pode trabalhar com o presidente e obter resultados para Pernambuco. A proximidade partidária pode ajudar uma campanha, mas o que interessa na gestão é a capacidade de transformar a relação em ação. Panelas II dá substância a essa defesa da governadora.

É nesse conjunto que enxergamos a recuperação de Raquel. A melhora da avaliação do governo e a ampliação de suas alianças deram força à candidatura, enquanto entregas permitiram uma defesa mais concreta da continuidade. João passou a enfrentar uma adversária com argumentos próprios. A disputa deixou de caber apenas na expectativa criada em torno dele. JC, evolução da avaliação do governo; Diario, ampliação das alianças.

Os números das pesquisas divulgadas nesta reta final colocam Raquel à frente em diferentes levantamentos e mantêm a possibilidade de uma vitória no primeiro turno. A distância entre esse cenário e o início da disputa mostra o tamanho da recuperação da governadora. João, que largou com ampla vantagem, chega à véspera da votação pressionado por uma adversária que ganhou força e tem realizações concretas para defender a continuidade. JC, pesquisas da reta final.

Chegamos à reta final com Raquel em condições de apresentar realizações e com João devendo respostas sobre o projeto que representa. Ele pode propor caminhos diferentes, mas precisa explicar o que mudaria na conduta do PSB. Sem essa resposta, a palavra mudança serve para embalar uma volta ao poder. Pernambuco já deu ao partido tempo suficiente para governar. João não tem o direito de pedir que o eleitor esqueça essa experiência justamente na hora de decidir se quer repeti-la.

Como apuramos

Esta coluna de opinião tem recorte favorável à continuidade de Raquel Lyra e crítico à candidatura de João Campos. Parte do giro de blogs e veículos pernambucanos de 3 de outubro, ampliado com legislação estadual, registros de órgãos públicos e reportagens indicadas no texto. A análise da evolução eleitoral é nossa interpretação.

As decisões tributárias citadas são de Paulo Câmara. O caso de Calçado é um protesto atribuído ao prefeito, sem conclusão de ilegalidade das apreensões. As entregas de Panelas II e do segmento da BR-104 tiveram parceria federal e estadual. A imagem da postagem de Raquel foi enviada pelo editor e não substitui os relatórios de cada pesquisa.

Fontes principais

  • SBT News: ciclo estadual de 16 anos do PSB, em reportagem de 2022.
  • Quaest: relatório de agosto de 2025, preservado no dossiê; página 25 conferida.
  • Sefaz-PE: leis 15.603/2015 e 18.305/2023, com autoria, regras e vigência verificadas.
  • Alepe: tramitação do pacote de ajuste fiscal em setembro de 2015, consultada no conteúdo indexado; a captura direta atual não retornou o artigo histórico.
  • Na Boca do Povo: reprodução da nota do prefeito de Calçado, em setembro de 2017.
  • Prefeitura do Recife: registro do lançamento dos corredores em novembro de 2011, consultado no conteúdo indexado.
  • TCE-PE: diagnóstico das obras paralisadas de 2024–2025, divulgado em dezembro de 2025; obras estaduais específicas, sem atribuir o total estadual e municipal a um só governo.
  • Ministério da Integração e Diario de Pernambuco: retomada e entrega da Barragem de Panelas II, em parceria federal e estadual.
  • JC e Dnit: paralisação, retomada e entrega do segmento duplicado da BR-104 entre Taquaritinga do Norte, Toritama e Caruaru, por convênio federal e estadual; não equivale à duplicação de toda a rodovia.
  • JC e Diario de Pernambuco: avaliação da gestão, alianças e quadro eleitoral de 2026, consultados no giro e no dossiê anterior.
  • Imagem recebida do editor: postagem atribuída ao perfil de Raquel Lyra, preservada integralmente; não houve autenticação independente do post ao vivo.

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