Raquel Lyra abre nove pontos na primeira pesquisa depois que a campanha começou
A governadora lidera em todos os cenários da DataTrends: ganha no primeiro turno, ganha no segundo, é o nome que mais aparece quando o eleitor responde de cabeça — e, na conta dos votos válidos, passa dos 50%.
A primeira pesquisa divulgada depois que a campanha foi para a rua saiu nos primeiros minutos desta segunda-feira. E ela põe Raquel Lyra na frente em todos os cenários.
No cenário estimulado — aquele em que o entrevistado ouve a lista de nomes e escolhe um —, a governadora tem 44%. João Campos aparece com 35%. São nove pontos de diferença.

Nove pontos não é empate. A margem de erro da pesquisa é de 2,83 pontos para cima ou para baixo; ou seja, mesmo no pior arranjo possível dentro dessa margem, a liderança continua de pé.
Vale fazer a conta com calma, porque é ela que separa liderança real de empate técnico. No pior cenário para a governadora, ela ficaria com 41,2%. No melhor cenário para o adversário, ele chegaria a 37,8%. Os dois intervalos não chegam a se encostar — sobram mais de três pontos entre um e outro. A dianteira existe mesmo, e não é efeito de arredondamento.
A conta que a urna faz: em votos válidos, ela passa de 50%
Tem uma conta que quase nunca aparece nas manchetes e é a que decide se a eleição termina no primeiro turno: a dos votos válidos.
No dia da eleição, brancos e nulos não entram na conta. Quem ainda não sabe também não vota em ninguém. Tirando esses dois grupos e distribuindo o resto, sobra a votação que realmente conta.
Feita essa conta com os números desta pesquisa, Raquel Lyra fica com 54% dos votos válidos e João Campos com 43%. Ivan Moraes e Renan Hallais somam os 2% restantes.

Cinquenta e quatro por cento é mais que a metade. Se esse desenho se confirmasse na urna, a eleição se resolveria no primeiro turno — sem segundo turno, sem prorrogação.
Uma ressalva honesta: esta conta é do O Contraditório, feita sobre os números divulgados pela DataTrends, e vale para a fotografia de agora. Pesquisa não é urna, e faltam 48 dias de campanha.
O número que costuma passar batido
Tem outro dado nesta pesquisa que diz mais do que a intenção de voto, e quase ninguém olha para ele: a espontânea.
É a pergunta feita sem lista nenhuma. O entrevistador não sugere nome nenhum — só pergunta em quem a pessoa votaria. Quem aparece aí é quem já está na cabeça do eleitor por conta própria.
Raquel Lyra: 24%. João Campos: 16%.

Oito pontos de vantagem sem ninguém soprar o nome dela. É o tipo de número que campanha não compra da noite para o dia.
E tem um jeito ainda mais direto de ler esse dado. Quarenta por cento dos entrevistados já tinham um nome na ponta da língua — 24% disseram Raquel, 16% disseram João. Ou seja: entre os pernambucanos que já decidiram sozinhos, seis em cada dez falam o nome da governadora.
Os outros 60% ainda não sabem. É nesse terreno que a campanha vai ser disputada até outubro.
E se for para o segundo turno
A pesquisa também simulou a disputa cara a cara entre os dois. O resultado repete o mesmo desenho:
Raquel Lyra: 46%. João Campos: 38%.

Oito pontos, de novo acima da margem de erro. E, também aqui, em votos válidos ela ficaria com 55% contra 45%.
Dois em cada três aprovam o governo
A parte da pesquisa que não é sobre eleição talvez seja a mais dura para os adversários. Perguntados sobre a gestão da governadora, 66% aprovam e 29% desaprovam. Cinco por cento não souberam ou não responderam.

Dois em cada três pernambucanos dizem que o governo está indo bem — e isso na semana em que a campanha começou, quando a cobrança costuma apertar. Posto de outro jeito: para cada pernambucano que desaprova a gestão, mais de dois aprovam.
Há ainda uma distância que a campanha dela vai querer encurtar. A aprovação está em 66% e a intenção de voto, em 44%. São 22 pontos entre uma coisa e outra — gente que acha o governo bom e ainda não transformou isso em voto declarado. Aprovar não é o mesmo que votar, mas é desse tipo de eleitor que sai o crescimento mais barato numa campanha.
O terreno onde ainda dá para crescer
A pesquisa mediu também o chamado potencial de voto: além de perguntar em quem a pessoa vota, pergunta em quem ela poderia vir a votar.

Somando quem vota com certeza (31%) e quem admite votar (23%), Raquel chega a 54% de potencial. João Campos soma 52% pelo mesmo caminho — 27% de voto certo e 25% que poderiam votar nele.
Olhando só o voto duro, o que está fechado e dificilmente muda, ela também sai na frente: 31% contra 27% — quatro pontos de vantagem no eleitorado que já bateu o martelo.
O eleitor que diz “não votaria de jeito nenhum” está praticamente igual para os dois: 38% no caso dela, 37% no dele. Ou seja, a resistência não é um problema exclusivo de nenhum dos dois lados — e, na largada, quem tem mais espaço para crescer é quem já está na frente.
Quem mais apareceu
Além dos dois primeiros colocados, apenas dois nomes pontuaram: Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão), ambos com 1%. Os demais candidatos não chegaram a 1%. Brancos e nulos somam 9%, e 10% não souberam ou não responderam.
Ficha técnica
A pesquisa é do Instituto DataTrends. Foram 1.200 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais aptos a votar em Pernambuco, entre 12 e 14 de agosto de 2026. A coleta foi por telefone, com sistema automatizado de resposta (URA) — o eleitor responde pelo teclado do aparelho.
O nível de confiança é de 95% e a margem de erro máxima é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos. A amostra foi estratificada pelas Regiões Geográficas Imediatas do IBGE e ponderada por sexo, faixa etária, escolaridade e nível econômico, com base em dados do TSE e do Censo de 2022.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-02774/2026.





