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Pernambuco

A Justiça mandou apagar os posts. O palanque do PSB levou a acusação para dentro da Alepe

Na virada do ano, João Campos tinha 29 pontos de vantagem sobre Raquel Lyra. Sete meses depois, o mesmo instituto mostrou Raquel 2 pontos à frente. Na DataTrends divulgada esta semana, a vantagem chegou a 9 pontos. Foi nesse cenário que três deputados do PSB — entre eles o presidente do partido em Pernambuco — transformaram uma acusação já retirada das redes por ordem judicial num pedido de impeachment.

A Justiça mandou apagar os posts. O palanque do PSB levou a acusação para dentro da Alepe
Raquel Lyra e Priscila Krause. Foto: arquivo recebido pelo O Contraditório.

Às 9h15 desta quinta-feira, 20 de agosto, a primeira página de um pedido de impeachment, impressa em papel, recebeu um carimbo no gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Quarenta e cinco minutos depois, o Blog do Magno publicou: “Alepe recebe pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause”.

Ao longo da manhã, a notícia correu Pernambuco.

Pare aqui.

A Alepe não abriu nenhum processo de impeachment.

O que aconteceu foi mais simples: três deputados entregaram um pedido. A Presidência informou ao g1 que ainda estava analisando o documento. Não houve decisão. Não houve votação. Não houve acusação aceita contra Priscila.

E a prova que sustentaria a frase mais grave também não apareceu.

A nota dos deputados diz que dinheiro do SUS “está sendo desviado para o marido da vice-governadora”. O arquivo divulgado pelo Blog do Magno tem uma página. Nela não há extrato bancário, depósito, conta, ordem ou qualquer outro documento mostrando dinheiro público entrando no bolso do marido de Priscila.

Então o que apareceu de novo?

Um carimbo.

O centro da acusação é o mesmo que a Justiça Eleitoral havia mandado retirar das redes uma semana antes porque, naquele processo, ninguém apresentou prova. O carimbo deu a ela um nome maior: impeachment.

Em resumo

O que os documentos mostram é simples: a oposição pegou uma história que já vinha usando contra Priscila, colocou a palavra impeachment no alto de uma folha e criou um novo fato político. A prova de desvio para o marido continuou faltando.

O palanque da oposição entrou na Alepe

O PSB governou Pernambuco por 16 anos, de 2007 a 2022. Perdeu o Governo do Estado. Agora tenta voltar ao Palácio do Campo das Princesas com João Campos.

Esse é o tamanho do que aconteceu nesta quinta-feira.

Os três têm lado político claro. São deputados do partido de João Campos. Um deles, Sileno Guedes, preside o PSB em Pernambuco. Outro, Rodrigo Farias, foi quem acionou a fiscalização federal que deu origem à manchete contra o hospital. O terceiro, Romero Albuquerque, voltou ao partido para integrar o projeto político liderado por João.

Eles usaram um instrumento oficial da Assembleia — o pedido de impeachment — para levar ao centro da campanha uma acusação contra a vice de Raquel Lyra.

A Alepe é a Casa do povo. Fiscalizar o Governo e apresentar denúncias fazem parte do trabalho de um deputado. É justamente por isso que o uso político de um instrumento oficial precisa ser mostrado. Antes de existir decisão da Presidência, o simples carimbo de entrega já circulava pelo estado como “pedido de impeachment contra Priscila”.

Em português claro: o processo não existia, mas o palanque já estava montado.

A pesquisa ajuda a entender a pressa

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 31 de dezembro de 2025, João Campos aparecia com 56%. Raquel Lyra tinha 27%. A vantagem de João era de 29 pontos.

No levantamento do mesmo instituto divulgado em 31 de julho de 2026, a fotografia havia virado: Raquel apareceu com 44% e João com 42%. Era um empate dentro da margem de erro, mas com Raquel numericamente à frente.

A conta correta é esta:

  • João caiu de 56% para 42%: perdeu 14 pontos.
  • Raquel subiu de 27% para 44%: ganhou 17 pontos.
  • Em sete meses, o placar se moveu 31 pontos na direção de Raquel.

Não são pesquisas de institutos diferentes colocadas lado a lado. É o mesmo instituto medindo a mesma disputa em dois momentos.

Depois, a distância aumentou. A DataTrends divulgada em 17 de agosto mostrou Raquel com 44% e João com 35%. Nove pontos de vantagem para a governadora.

João começou o ano 29 pontos à frente. Chegou à semana do impeachment nove pontos atrás.

O Contraditório chama isso pelo nome: é a oposição partindo para o tudo ou nada depois de ver sua vantagem desaparecer.

**Ficha das pesquisas:** Real Time Big Data/Record, 29 e 30 de dezembro de 2025, 1.200 entrevistas, margem de 3 pontos e 95% de confiança; Real Time Big Data, 27 a 30 de julho de 2026, 1.600 entrevistas, margem de 2 pontos, 95% de confiança, recursos próprios e registro PE-08413/2026; DataTrends, 12 a 14 de agosto de 2026, 1.200 entrevistas, margem de 2,83 pontos, 95% de confiança, recursos próprios e registro PE-02774/2026.

A terceira tentativa

Esta é a terceira vez que o mesmo caso volta com uma roupa nova.

Na primeira, a acusação foi levada ao Tribunal de Contas do Estado. A equipe técnica examinou a contratação do hospital e apontou sete achados técnicos e administrativos. Mas não identificou impedimento nem nepotismo naquele credenciamento, não acusou Priscila de desviar dinheiro para o marido e ainda não houve julgamento final.

O exame não produziu a conclusão de crime familiar que aparece agora.

Em outubro de 2025, veio a segunda frente. O deputado Rodrigo Farias pediu uma fiscalização do Governo Federal no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Assinaram com ele Sileno Guedes, Junior Matuto e Romero Albuquerque.

O resultado virou manchete nacional em agosto deste ano. A notícia dizia que o hospital havia desviado quase R$ 1 milhão. O Contraditório refez as contas, procurou quem pediu a fiscalização e mostrou o calendário político que ficou fora da cobertura.

Depois, perfis no Instagram passaram a dizer que Priscila havia usado o Governo para entregar mais de R$ 3 milhões ao hospital do marido e enriquecer a própria família.

A acusação chegou ao TRE-PE.

O magistrado Luiz Gustavo Mendonça de Araújo procurou a prova. Não encontrou. Escreveu que a acusação de apropriação criminosa aparecia sem “qualquer amparo probatório ou contexto informativo idôneo”. Mandou retirar os posts e identificar quem estava por trás dos perfis.

O Contraditório leu as quatro páginas da decisão e publicou a segunda matéria.

Agora veio a terceira frente.

Dos quatro deputados que pediram a fiscalização federal, três reaparecem no pedido de impeachment: Rodrigo Farias, Sileno Guedes e Romero Albuquerque.

Não é uma denúncia nova. É a mesma acusação subindo de tamanho.

Quem está por trás do pedido

Sileno Guedes não é apenas deputado do PSB.

Ele é o presidente do PSB em Pernambuco. Também lidera o partido na Assembleia.

O PSB é o partido de João Campos, adversário de Raquel Lyra na eleição para o Governo do Estado. E Priscila Krause é a vice na chapa de Raquel.

A ligação está diante de todos. Sileno aparece em atos do partido, ao lado de João, defendendo o mesmo projeto político.

Sileno Guedes fala ao microfone ao lado de João Campos em evento político
Sileno Guedes, presidente do PSB em Pernambuco e um dos autores do pedido, fala ao microfone ao lado de João Campos. Foto: reprodução/Instagram @manoel.saraiva

Rodrigo Farias também é do PSB. Foi ele quem iniciou a fiscalização federal, em outubro de 2025. Na época, antes de existir relatório final, já falava em superfaturamento, dano ao dinheiro público e enriquecimento ilícito.

Essas palavras eram do deputado. Não eram conclusão do Denasus. Não eram decisão de juiz.

Rodrigo também aparece ao lado de João Campos na convenção que lançou a candidatura do socialista ao Governo.

Rodrigo Farias ao lado de João Campos na convenção de 1º de agosto de 2026
Rodrigo Farias, que provocou a fiscalização federal e agora assina o pedido de impeachment, ao lado de João Campos na convenção de 1º de agosto. Foto: reprodução/Instagram @rodrigo.farias40

Romero Albuquerque também entrou no PSB neste ano. No dia 28 de março, foi o próprio João Campos quem anunciou a chegada no Instagram. Chamou a notícia de boa e deu as boas-vindas ao deputado.

Publicação de João Campos no Instagram anunciando a chegada de Romero Albuquerque ao PSB
João Campos anuncia a chegada de Romero Albuquerque ao PSB. Meses depois, Romero aparece entre os autores do pedido contra Priscila Krause. Reprodução/Instagram @joaocampos, 28 de março de 2026.

As filiações e as fotos não são segredo de bastidor. Estão à vista. O pedido foi assinado por três deputados do partido de João, incluindo o presidente estadual da legenda.

E quem decide o primeiro passo?

O pedido foi entregue no gabinete da Presidência da Alepe.

Quem preside a Casa é Álvaro Porto.

Porto rompeu com Raquel Lyra, saiu do PSDB e entrou no MDB dizendo que queria fortalecer o “projeto político coletivo liderado” por João Campos. Na convenção de 1º de agosto, subiu ao palanque de João e pediu desculpas por ter apoiado “a pior governadora da história”.

Álvaro Porto fala ao microfone no palanque de João Campos em 1º de agosto de 2026
Álvaro Porto, presidente da Alepe, segura a mão de João Campos no palanque da convenção de 1º de agosto. É a ele que cabe a primeira análise do pedido contra a vice de Raquel. Foto: reprodução/Instagram

É Álvaro Porto quem fará a primeira análise do pedido contra a vice de Raquel.

Mas atenção: até a última atualização pública consultada, às 16h45 desta quinta-feira, não havia decisão pública de Álvaro aceitando a denúncia. Havia somente o carimbo de entrega e a informação de que o documento estava sendo analisado.

O presidente da Alepe é adversário declarado de Raquel e aliado de João. Por isso, a diferença precisa ficar cristalina: até aquele horário, Álvaro havia recebido o papel. Não havia aceitado o pedido.

A acusação dos R$ 3 milhões já foi examinada

Os deputados escolheram 25 pagamentos feitos ao hospital entre 14 e 29 de março de 2025. Foi justamente o período em que Priscila substituiu Raquel Lyra por alguns dias. É dessa coincidência de datas que nasce a acusação dos R$ 3 milhões.

O Contraditório foi ao Portal da Transparência e refez a soma.

Os 25 pagamentos existem. Juntos, chegam a R$ 3.067.824,60.

O que não aparece é uma ordem pessoal de Priscila mandando pagar o hospital.

Os registros apontam contratos e termos que já existiam. Há contratos de 2019, 2021, 2023 e 2024. Parte dos pagamentos se refere a serviços prestados antes daqueles dias.

Conta de hospital não nasce na cadeira da governadora. O serviço é prestado, a cobrança passa pelos setores responsáveis e o pagamento segue o caminho administrativo da Secretaria de Saúde e do Fundo Estadual de Saúde.

Em português claro: o período de Priscila como governadora coincidiu com pagamentos de obrigações que já existiam. A base pública não permite concluir que Priscila criou, escolheu ou ordenou pessoalmente aquelas despesas.

A oposição pegou a coincidência e apresentou como decisão pessoal. Coincidência de data não é ordem de pagamento.

O juiz procurou o documento que sustentava a acusação de apropriação criminosa.

Não encontrou.

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O pedido de impeachment repete a conclusão. A página pública continua sem mostrar a ordem de Priscila que sustentaria a acusação.

Os R$ 200 milhões não eram para um único hospital

A nota dos deputados diz que Priscila assinou cerca de R$ 200 milhões em créditos para a Saúde e que esse dinheiro chegou à rede contratada, inclusive ao Perpétuo Socorro.

Parece que ela separou R$ 200 milhões para o hospital do marido.

Não foi isso que aconteceu.

Os decretos reforçaram o orçamento de toda a Saúde de Pernambuco. É a gaveta que paga hospitais, exames, remédios, pessoal e serviços em todo o estado. Não é uma transferência de R$ 200 milhões para uma única unidade.

Os deputados somaram decretos que reforçaram o orçamento geral da Saúde e chegaram à cifra de cerca de R$ 200 milhões. A soma não transforma o orçamento de todo o sistema numa transferência para o hospital do marido de Priscila.

Para provar a acusação, seria preciso seguir o dinheiro, pagamento por pagamento, até o CNPJ do Perpétuo Socorro.

Esse caminho não aparece na versão pública da acusação.

A conta que a oposição não coloca na mesa

O hospital recebe do Estado desde 2008. Atravessou quatro governos.

Nos dois últimos anos do PSB no Governo de Pernambuco, os pagamentos ao hospital dobraram: saíram de cerca de R$ 16,3 milhões, em 2020, para R$ 32,7 milhões, em 2022.

Depois veio Raquel Lyra.

Em 2023, o valor caiu 24,65%. Em 2024, caiu mais 6,49%.

Em 2025, o valor voltou a subir: 50,73% sobre 2024. Cortado sozinho, o percentual assusta. Na série inteira, ele conta outra história: caiu, caiu e voltou. No fim de 2025, o hospital recebeu apenas 6,2% a mais do que recebia em 2022, último ano do governo do PSB.

Compare.

Cem por cento de aumento nos dois últimos anos do PSB. Seis por cento de diferença depois de três anos de Raquel.

Essa conta não transforma pagamento em crime. Nem antes, nem agora. Ela mostra por que a régua da oposição não para em pé: se o valor sozinho provasse favorecimento, a acusação começaria nos anos do PSB.

Para acusar Priscila de favorecer o marido, seria preciso mostrar o ato ilegal e o dinheiro chegando a ele.

Não mostrou.

O que a auditoria diz — e o que ela não diz

O g1 informou que teve acesso ao relatório do Denasus. Segundo o veículo, os auditores propõem que o hospital devolva R$ 905.233,95 ao Fundo Nacional de Saúde. O relatório também apontou falhas em registros, na estrutura e no atendimento.

O hospital contesta o relatório. Diz que parte importante da discussão envolve a forma de registrar cirurgias que foram realizadas e decisões médicas tomadas diante dos pacientes. Até esta apuração, O Contraditório não havia localizado uma decisão final sobre a contestação.

Mas a apuração desta história não começou nem terminou no g1.

Em 15 de agosto, O Contraditório publicou uma investigação própria e mais ampla sobre o caso. A reportagem identificou quem pediu a fiscalização federal, reconstruiu o calendário político, abriu a série de pagamentos do Estado desde 2008, consultou os documentos do Tribunal de Contas e reuniu as respostas do hospital e da Secretaria Estadual de Saúde.

Foi essa apuração que colocou no centro a pergunta que a manchete nacional deixou de lado: o que o relatório atribui ao hospital — e onde está a prova de que Priscila mandou desviar dinheiro para o marido?

Agora preste atenção na diferença.

O relato publicado pelo g1 trata do hospital. Discute serviços, registros e possível devolução pelo hospital.

Na descrição publicada pelo g1, não aparece conclusão de que Jorge Branco recebeu R$ 905 mil no bolso. Não aparece ordem de Priscila para desviar dinheiro. Não aparece enriquecimento do casal com dinheiro do SUS.

Essas conclusões foram colocadas pelos adversários políticos.

No Tribunal de Contas, a equipe apontou sete achados técnicos e administrativos. Mas a análise não encontrou impedimento nem nepotismo de acordo com a lei estadual examinada. O caso ainda não teve decisão final.

Fiscalização não é condenação.

Relatório não é prova de crime pessoal.

E pedido de impeachment não transforma suspeita em verdade.

Entenda sem juridiquês

Protocolo é o recibo da entrega. É como o carimbo dos Correios dizendo que o envelope chegou. Não significa que alguém leu, aceitou ou concordou.

Pedido aceito seria o passo seguinte. Álvaro Porto teria de conferir se a denúncia cumpre as regras e se veio acompanhada de provas. Até o horário desta apuração, não havia decisão pública dele aceitando.

Processo de impeachment vem depois. Passa por comissão, defesa e votação. Precisa do apoio de dois terços dos deputados. Esse processo não foi aberto.

Agora a separação que desmonta toda a história:

Pagamento ao hospital não é dinheiro no bolso do marido.

Para uma coisa virar a outra, alguém precisa mostrar o caminho. Qual pagamento foi desviado do serviço contratado? Para qual conta foi? Quem recebeu? Qual ato de Priscila permitiu isso?

Na versão pública, a oposição afirmou. Não mostrou.

A campanha está à vista

Não é preciso inventar uma reunião secreta para entender o que aconteceu.

Os personagens estão em público. As datas estão em público. As fotos estão em público.

Rodrigo Farias pediu a fiscalização. Sileno Guedes, presidente do PSB em Pernambuco, assinou. Romero Albuquerque assinou. Os três voltaram agora com o impeachment.

No meio do caminho, uma acusação de crime contra Priscila apareceu nas redes sem prova. A Justiça mandou apagar.

Sete dias depois, a mesma acusação central reapareceu numa nota dos deputados: o dinheiro estaria sendo desviado para o marido.

Álvaro Porto, aliado de João Campos e adversário de Raquel, ocupa a cadeira que fará a primeira análise.

O Blog do Magno foi um dos primeiros veículos a colocar o carimbo na rua como notícia de impeachment.

Não é preciso atribuir reunião secreta ou ordem escondida a ninguém. O que está em público basta: o presidente estadual do PSB e outros dois deputados do partido transformaram uma acusação sem prova pública de desvio pessoal num pedido para afastar a vice da principal adversária de João Campos.

O principal palanque de oposição do estado saiu da convenção e entrou na Assembleia. O núcleo político se repete. A acusação se repete. E o efeito eleitoral é direto: atingir a chapa de Raquel Lyra.

Para isso, o palanque usou a força de um instrumento oficial da Casa do povo. O carimbo da Alepe deu aparência institucional ao que, até aquele momento, era uma acusação política sem a prova pública do desvio pessoal que anunciava.

Isso tem nome.

Na avaliação editorial do O Contraditório, esse encadeamento configura uma armação política para criar um factoide no meio da campanha.

O que fica

Esta é a terceira matéria do O Contraditório sobre o mesmo ataque.

Na primeira, fomos às contas e ao calendário que ficou fora da manchete nacional.

Na segunda, fomos à decisão do TRE-PE. O juiz procurou a prova da acusação de enriquecimento familiar. Não encontrou. Mandou apagar os posts.

Agora fomos ao pedido de impeachment.

O que apareceu de novo foi uma primeira página impressa, um carimbo e uma nota assinada por três deputados do PSB.

A prova de que Priscila desviou dinheiro para o marido não apareceu.

Não existe processo de impeachment aberto. Não existe decisão contra a vice-governadora. Não existe documento público mostrando dinheiro do SUS no bolso do marido dela.

Existe uma corrida eleitoral que virou de lado. Existe um grupo político que viu uma vantagem de 29 pontos se transformar em desvantagem numérica de 2 pontos no levantamento do mesmo instituto e, na DataTrends desta semana, ficar 9 pontos atrás. E existe uma acusação que cresce toda vez que a versão anterior perde força.

Primeiro, quase R$ 1 milhão.

Depois, R$ 3 milhões.

Agora, impeachment.

O número muda. O papel muda. O núcleo político se repete.

E a prova continua faltando.

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