Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Pernambuco

João ficou atrás. Marília e Raquel viraram alvo.

Em 2020, o ataque saiu do guia de João e reapareceu num panfleto sem assinatura. Em 2026, perfis pró-João usaram feminicídio, vídeos falsos, números inventados e acusações sem documento contra Raquel. Os processos chegam a servidores da Prefeitura, ao secretário-geral do PSB e a páginas citadas nas planilhas de publicidade da gestão João Campos.

João ficou atrás. Marília e Raquel viraram alvo.
Montagem editorial fornecida pelo editor.

O que esta investigação mostra

Desde 2020, João Campos encabeçou três campanhas majoritárias. Ficou atrás de uma mulher em duas. Nas duas, os ataques deixaram os canais oficiais e correram por papéis sem assinatura, perfis de internet e publicações conjuntas.

Em 2020, era Marília Arraes. A campanha de João atacou a relação de Marília com a Bíblia, ligou seu nome a funcionários fantasmas e levou ao guia uma gravação clandestina sem autenticidade demonstrada. Na última semana, a acusação religiosa reapareceu num panfleto anônimo ao lado do santinho de João.

Em 2026, é Raquel Lyra. Contra Raquel, já apareceram um feminicídio usado como arma política, uma falsa fala pedindo Pix, montagens de inteligência artificial, um confronto de pesquisa que nunca existiu e acusações graves sem documento na publicação.

Quando a Justiça chegou aos nomes, encontrou servidor da Prefeitura do Recife, ex-secretário municipal e atual secretário-geral do PSB, ex-gestor de João que virou dirigente partidário e operadores que publicam com contas da Juventude Socialista Brasileira.

Em 2024, João não corria risco parecido. Foi reeleito prefeito no primeiro turno, com 78,11% dos votos válidos. A busca no material preservado daquela campanha não trouxe caminho comparável.

É isso que esta reportagem mostra: duas disputas apertadas; nas duas, o ataque passou dos canais oficiais. Na eleição que João ganhou de lavada, o material não trouxe o mesmo padrão.

Os processos e registros já mostram gente demais do mesmo lado político para tratar tudo como obra espontânea de admiradores distantes.

Em 2020, o ataque começou com o nome de João

Era o segundo turno da eleição do Recife. Marília Arraes havia chegado à disputa na frente. Em 19 de novembro, o Datafolha mostrava 55% para Marília e 45% para João.

A campanha de João endureceu.

Num programa, a campanha de João usou uma fala de Marília sobre Estado laico para dizer que a candidata era contra a Bíblia e contra falar em Deus. O mesmo programa afirmava que Marília havia assinado um documento para acabar com o Prouni Recife. A Justiça manteve a propaganda fora do ar, mas o direito de resposta acabou limitado pelo tribunal à parte sobre o Prouni.

Em outro programa, a campanha de João apresentou Marília como alvo de uma ação de improbidade ligada a funcionários fantasmas. A propaganda não contou que uma investigação criminal sobre os mesmos fatos já havia sido arquivada. A ação de improbidade continuava aberta, mas a omissão pesava na mensagem.

A retirada inicial não permaneceu inteira. Depois de recurso, os 23 segundos que informavam a existência da ação foram liberados. Continuaram suspensos os sete segundos finais, que levavam o eleitor a uma condenação que não existia.

Quatro dias antes da votação, outro programa exibiu um áudio atribuído ao deputado Túlio Gadêlha para sugerir uma “rachadinha” no gabinete de Marília. Túlio negou o conteúdo e pediu perícia. O juiz chamou a gravação de clandestina, registrou que não havia indicação de veracidade e mandou tirar a propaganda do ar.

Não era apenas crítica política. A campanha oficial estava batendo na fé, na honestidade e no caráter da adversária.

Então veio o domingo na porta da Assembleia de Deus da Torre.

📄 Leia a decisão sobre os panfletos de 2020

Decisão da Justiça Eleitoral no processo nº 0600184-05.2020.6.17.0007, sobre o material sem assinatura distribuído contra Marília ao lado de propaganda favorável a João.

⬇ Baixar a decisão de 2020 (PDF)

Os fiéis receberam dois panfletos. Um pedia voto em João. O outro dizia “Cristão de verdade não vota em Marília” e misturava Bíblia, aborto, drogas e “ideologia de gênero” para atacar a candidata. Esse segundo panfleto não trazia candidato, partido nem assinatura.

A acusação sobre a Bíblia não nasceu naquele panfleto anônimo. Já havia aparecido no guia de João. Primeiro, saiu no programa oficial, com o nome de João. Depois, voltou no panfleto sem assinatura.

O mesmo assunto circulou num grupo de WhatsApp chamado “Juventude Pernambucana”, descrito como apoiador de João. A mensagem levava o eleitor a acreditar que a investigação criminal sobre os funcionários fantasmas continuava aberta. A Justiça mandou cessar a divulgação. Não há prova preservada de que João, o PSB ou a Prefeitura administrassem ou financiassem o grupo.

A ação eleitoral sobre os panfletos não provou que João produziu ou mandou distribuir o material anônimo. Mas o panfleto contra Marília também não conseguiu esconder tudo.

A decisão da Justiça Eleitoral trouxe o nome de André Elias da Silva. Naquele momento, André trabalhava na Prefeitura administrada pelo PSB e havia recebido R$ 2.250 do Fundo Eleitoral para alugar um carro a um candidato do partido. Depois da vitória, João nomeou André para um cargo na nova gestão.

Nenhum documento chama a nomeação de André de recompensa. Nenhum documento mostra João dando a ordem para produzir ou distribuir o panfleto. O que os documentos permitem dizer é mais preciso — e já é grave: um servidor da Prefeitura e fornecedor de uma candidatura do PSB entrou no processo do material anônimo que beneficiava João; no mês seguinte à posse, foi nomeado pelo próprio João.

Em 2024, João não precisou correr atrás

Quatro anos depois, o adversário era Gilson Machado, do PL.

Não houve segundo turno. João recebeu 725.721 votos e venceu com 78,11% dos votos válidos. Gilson ficou com 13,90%.

Procuramos nos processos, no noticiário e no acervo da campanha um episódio comparável ao panfleto de 2020 ou aos perfis de 2026. A busca terminou sem episódio semelhante. Isso não prova que nenhuma postagem dura existiu. Prova o limite do acervo examinado: na campanha mais confortável de João, o padrão não apareceu.

Em 2026, o ataque não cabe num perfil

A disputa pelo Governo de Pernambuco virou.

No começo do ano, João aparecia à frente em pesquisas. Em agosto, Raquel já liderava os levantamentos examinados. O Datafolha de 21 de agosto marcou 47% para Raquel e 40% para João. Quatro dias depois, a Quaest mostrou 44% para Raquel e 36% para João.

Quando essas pesquisas foram divulgadas, os processos eleitorais já registravam meses de publicações contra Raquel. Esse conjunto de processos não aponta uma conta solitária. Mostra grupos de perfis repetindo o mesmo vídeo, assinando a mesma postagem e levando a mesma mensagem a públicos diferentes.

Alguns pedidos de retirada foram aceitos. Outros foram negados como possível crítica ou sátira, por falta de falsidade evidente ou por problema no pedido. A reportagem separa cada caso e não transforma liminar — uma decisão provisória — em condenação final.

Mesmo com essa separação, o mapa é extenso.

Usaram um feminicídio para atingir Raquel

O caso mais brutal saiu de @joaocampos_platinado.

O perfil @joaocampos_platinado pegou um feminicídio real ocorrido em Gravatá, usou edição dramática e tentou colocar sobre Raquel uma responsabilidade ou cumplicidade moral pelo crime.

O plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco manteve por unanimidade a retirada do vídeo e a multa de R$ 5 mil. A decisão identificou Wladimir Quirino Fernandes Rodrigues do Nascimento como administrador efetivo de @joaocampos_platinado e produtor daquele vídeo.

Em outro processo, o Platinado publicou “Raquel Lyra fuleirou” e acusou favorecimento à empresa Caruaruense. A Justiça apontou conteúdo sintético sem identificação e fixou multa de R$ 10 mil.

Num terceiro, quatro vídeos editados atacavam Daniel Coelho e Raquel. Veio nova ordem de retirada, preservação dos registros e multa de R$ 15 mil. O juiz citou os casos anteriores e registrou a repetição da conduta.

Três processos. Três decisões de mérito. Multas de R$ 5 mil, R$ 10 mil e R$ 15 mil. Um administrador reconhecido. Não era uma página ocasional de fã. A reportagem ainda não tem certidão de que todos os recursos acabaram.

📄 Abra as decisões da Justiça Eleitoral

Caderno público de 56 páginas com os trechos dos processos sobre os perfis, a comparação de pesquisa e as três decisões relacionadas a Wladimir, com páginas de origem e SHA-256.

⬇ Baixar as decisões do TRE-PE (PDF)

Trocaram a fala de Raquel por um pedido falso de Pix

Em agosto, um vídeo verdadeiro de Raquel recebeu um áudio falso. Na montagem, Raquel parecia pedir dinheiro por Pix. O vídeo falso foi distribuído em conjunto por @marcelodinizpe, perfis ligados a Warleson Agra e Uilder Lima e páginas da Juventude Socialista Brasileira em Pernambuco, Afogados da Ingazeira e Recife. @raquel_bolada reproduziu o conteúdo. A Justiça mandou retirar o vídeo original e as reproduções.

Depois, um ato judicial passou a tratar Eduardo da Silva Souza como responsável por @raquel_bolada. Nos dias 23, 25 e 29 de agosto, @raquel_bolada reapareceu como coautora de peças com páginas territoriais da JSB e perfis pró-João. A primeira dizia “Lula é João! João é 40!”. A segunda atacava o governo Raquel. A terceira dizia: “Por aqui é João toda vida”.

No Instagram, coautoria não é uma simples marcação. As contas aceitam dividir a assinatura e a distribuição da mesma publicação. Isso prova parceria editorial naquele post. Não revela quem escreveu, quem pagou ou quem deu a ordem.

Inventaram cenas, falas e até uma disputa de pesquisa

Os vídeos falsos não pararam no Pix.

Em decisões examinadas pela reportagem, a Justiça mandou retirar um diálogo sintético que nunca aconteceu entre Lula e Raquel; uma montagem que colocou a governadora numa cena política inexistente; e um vídeo que a associava ao bolsonarismo com imagens produzidas ou alteradas sem a identificação exigida.

Outro perfil, @joaocamposgovernadorpe, apareceu em quatro processos diferentes.

No primeiro processo, uma arma foi inserida na imagem de Raquel sob a frase “Bolsonarismo com Raquel Lyra”. No segundo, a peça “Não dê nem água” dizia que Raquel havia negado auxílio emergencial às vítimas das chuvas. No terceiro, @joaocamposgovernadorpe chamou uma pesquisa de “fachada”. No quarto, o mesmo perfil participou de um vídeo sintético sobre o suposto bolsonarismo da governadora.

Três desses quatro pedidos tiveram retirada provisória determinada. No caso da crítica à pesquisa, a remoção foi negada naquela fase e a Justiça preservou registros para continuar as diligências.

A identidade pública de quem administrava @joaocamposgovernadorpe ainda não está fechada. Por isso, @joaocamposgovernadorpe não pode ser apresentado como perfil oficial. Mas a página também não vive isolada: publicou com perfis que a Justiça já levou a Wladimir, Warleson e Bruno Ribeiro; em 31 de agosto, reapareceu numa peça assinada também pelo perfil de Tarcísio Montenegro, secretário-geral do PSB estadual; e sua biografia mandava o público para o site eleitoral oficial e o WhatsApp de mobilização de João.

O destino do público está provado. O dono e o pagador, não.

Seis perfis repetiram a acusação de fraude em escolas

Em julho, seis perfis publicaram o mesmo vídeo. A publicação acusava o governo Raquel de pagar por reformas escolares não executadas e chamava a atuação de “fachada”, sem mostrar contrato, auditoria ou decisão de controle. O juiz mandou retirar o vídeo. Entre as contas estavam @marcelodinizpe e os perfis ligados a Warleson Agra e Jailton Nunes, responsável por @choquedegestaoofc.

O TSE registra que Jailton recebeu R$ 300 de uma campanha do PSB em Paulista, em 2024, por militância de rua. Em 2020, recebeu R$ 1.350 de uma campanha do PTB pelo mesmo serviço. O pagamento do PSB existiu; não prova que o partido pagou o vídeo de 2026 nem que Jailton trabalhe só para a legenda.

A lista continuou: ônibus, patrimônio, banco, obras e pesquisa

Outras publicações acusaram Raquel de mandar impedir uma fiscalização sobre a Logo Caruaruense, de declarar apenas R$ 1 como se aquilo fosse todo o seu patrimônio e de participar de irregularidades em obras ou contratos.

Houve também vídeos sobre Banco Master e Arco Metropolitano, sobre a pesquisa Simplex, a concessão da Compesa e o grupo chamado “Os Sucateiros”. Em outro processo, uma peça usou gastos com festas e publicidade para atacar a gestão da saúde e repetir a cifra de corte de R$ 1,5 bilhão. O perfil oficial de Adriana Samico, candidata do PT na coligação de João, foi colocado no processo depois dos dados enviados pela Meta.

A Justiça não tratou tudo do mesmo jeito. Mandou retirar, provisoriamente, os conteúdos sobre a fiscalização, a acusação sem documentos sobre a Logo Caruaruense, o patrimônio de R$ 1 e a peça sobre festas, publicidade e saúde. Negou a retirada inicial em outros casos. No processo da Compesa, pediu identificação e defesa, sem declarar a publicação falsa nem tirá-la do ar.

Houve ainda uma montagem que colocou uma arma na imagem de Raquel e convocou o público a “derrotar o bolsonarismo nas urnas”. A publicação envolvia @seremosresistencia e @soumaisjoaocampos. A Justiça reconheceu propaganda negativa antecipada, mandou retirar o conteúdo e pediu a identificação da segunda conta.

Essa é a régua correta: dizer o que foi publicado, quem apareceu na circulação e o que a Justiça decidiu em cada caso. Não chamar de falso aquilo que a decisão não chamou.

Marcelo Diniz atravessa 17 processos

Um nome se repete mais que os outros.

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Marcelo Augusto Serra Diniz aparece, pessoalmente ou por seu perfil, em 17 números processuais. Não são 17 condenações: há pedidos aceitos, negados e processos sem decisão final.

Em pelo menos seis decisões provisórias, a Justiça mandou retirar conteúdos ligados a @marcelodinizpe. Entre eles estão o falso diálogo entre Lula e Raquel, a montagem que colocou Raquel numa cena política inexistente, o vídeo da falsa solicitação de Pix e a publicação sobre o patrimônio de R$ 1.

Marcelo não surgiu na política em 2026.

Marcelo Augusto Serra Diniz ocupou cargo comissionado na Prefeitura do Recife entre março de 2022 e abril de 2024 e afirmou que sua primeira agenda oficial como gerente de Igualdade Racial foi representar João Campos num congresso. Depois, Marcelo Augusto Serra Diniz virou tesoureiro do PSB de Camaragibe. A empresa de Marcelo aparece em R$ 16.131 de linhas de publicidade municipal.

A leitura de 800 publicações de @marcelodinizpe mostra uma mudança de frequência. Raquel aparecia em 1,1% dos posts anteriores à tesouraria do PSB. O índice subiu para 11,4% durante o cargo partidário, 28,4% na janela das linhas de publicidade e 56% já na campanha de 2026.

Isso é uma subida medida. Não é prova de que dinheiro público comprou ataque. A primeira crítica nominal a Raquel localizada em @marcelodinizpe é de dezembro de 2023, antes da tesouraria e da publicidade. O posicionamento do perfil já existia. O que cresceu depois foi a presença de Raquel como alvo.

A página de 295 mil seguidores virou ponto de encontro

@soumaisjoaocampos tinha 295 mil seguidores e mais de 5,3 mil publicações quando foi auditada em 1º de setembro.

@soumaisjoaocampos se apresenta como página de apoio a João e já apareceu em pelo menos três circuitos levados à Justiça por conteúdo contra Raquel: o da pesquisa sem os dados obrigatórios, o do placar enganoso “João 48 x Raquel 43” e o da montagem que associava Raquel ao bolsonarismo com uma arma. Houve ordem provisória de retirada nos três.

Em agosto, @soumaisjoaocampos assinou uma peça eleitoral com Adriana Samico, candidata a deputada federal pelo PT na coligação de João. O perfil oficial de Adriana, declarado ao TSE, fazia campanha aberta para João.

No dia 31, @soumaisjoaocampos publicou com @tarcisioribeiro40, conta que a Justiça ligou a Tarcísio Montenegro. Naquele dia, Tarcísio já era secretário-geral ativo do PSB de Pernambuco.

No mesmo dia, @soumaisjoaocampos dividiu com uma conta territorial de Palmares uma peça acusando o governo Raquel de manter um “gabinete do ódio” contra João.

Reportagens do fim de agosto informam que a Justiça mandou retirar vídeos que tratavam como fato um “gabinete do ódio” do governo Raquel contra João. A decisão integral ainda não foi recuperada; por isso, esse resultado permanece atribuído ao noticiário.

O administrador de @soumaisjoaocampos ainda não foi identificado publicamente. A página, porém, não é uma ilhota: aparece com candidata da coligação, dirigente estadual do PSB, contas municipais pró-João e perfis presentes nos processos.

O dono continua escondido. A função de ponto de encontro, não.

Da Prefeitura e do PSB para dentro dos processos

As duas primeiras reportagens desta série já mostraram que os perfis não estavam cercados apenas por fãs sem nome.

📄 Confira os atos funcionais de Pedro Leitão

Atos oficiais da Prefeitura do Recife que registram a nomeação e a lotação funcional de Pedro Henrique Monteiro Leitão.

⬇ Baixar os atos da Prefeitura (PDF)

A Justiça ligou @pernambuco40_joaocampos a Pedro Henrique Monteiro Leitão, servidor da Prefeitura desde o primeiro dia da gestão João e hoje lotado na Secretaria de Articulação Política e Social. Ligou @tarcisioribeiro40 a Tarcísio Montenegro, que deixou a Prefeitura em maio, depois de cinco anos em cargos de articulação, e continuou como secretário-geral do PSB em Pernambuco.

Os documentos não mostram uso de computador, horário de trabalho ou dinheiro público. Mostram um servidor atual e um dirigente partidário na circulação de conteúdo pró-João contra Raquel.

📄 Leia a certidão do diretório estadual do PSB

Certidão emitida pelo sistema oficial da Justiça Eleitoral com a composição do diretório estadual do PSB de Pernambuco para o período de 2025 a 2028.

⬇ Baixar a certidão partidária (PDF)

📄 Confira a trajetória funcional de Tarcísio Montenegro

Compilação pública dos atos estaduais e municipais de 2015 a 2026, inclusive nomeações, mudanças de secretaria e exoneração.

⬇ Baixar os atos funcionais (PDF)

Nos processos, surgiu outra repetição. Celso Rocha Barbosa Souza apareceu em atos que alcançam pelo menos 12 dos 18 nomes citados numa notícia-crime do PSD. Os 18 são uma acusação do partido, não uma lista de culpados da Justiça. Celso Rocha Barbosa Souza também ocupa cargo de 40 horas na Câmara do Recife, no gabinete de um vereador do PSB, e antes estava no gabinete de outro vereador da legenda.

📄 Veja os atos e a folha da Câmara do Recife

Caderno com atos oficiais e folhas de pagamento usados para conferir a trajetória funcional de Celso Rocha Barbosa Souza na Câmara do Recife.

⬇ Baixar os documentos da Câmara (PDF)

📄 Confira os atos do TRE-PE, nome por nome

Caderno público de 45 páginas com os atos usados para localizar Celso Rocha nas representações que alcançam 12 dos 18 nomes citados pelo PSD.

⬇ Baixar os atos do TRE-PE (PDF)

É uma defesa concentrada, não uma contratação conjunta provada. Os documentos ainda não mostram quem pagou cada atuação.

Quase R$ 1 milhão em linhas municipais — sem recibo de ataque

Planilhas oficiais da publicidade do Recife trazem Recife Ordinário, Brega Bregoso, O Poder, Conexão PE, Tá Sabendo PE e a empresa de Marcelo Diniz. As linhas nominais somam R$ 979.016,44.

O valor reúne etapas diferentes — empenho, liquidação, nota fiscal e pagamento — e não prova transferência integral. Também não existe recibo dizendo “ataque Raquel”.

📄 Confira a cronologia e as planilhas oficiais

Caderno documental com ordem bancária, liquidação, empenhos e notas fiscais da trilha do Recife Ordinário, mantendo separadas as fases contábeis.

⬇ Baixar a cronologia da publicidade (PDF)

O elo jornalístico é outro. Em 2026, Recife Ordinário, Brega Bregoso e Pernambuco Posting apareceram num mesmo bloco de publicações críticas a Raquel e favoráveis a João. Uma decisão mandou retirar um dos conteúdos e pediu dados à Meta.

Na página Conexão, a reportagem abriu o anúncio de maior gasto localizado: entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil, com até 400 mil exibições. O vídeo atacava a gestão Raquel na saúde, mostrava dois deputados do PSB e usava a cifra de R$ 1,5 bilhão. Três dias antes, João havia publicado o mesmo número e a mesma linha sobre hospitais, cirurgias e leitos.

A mesma mensagem foi ampliada com dinheiro. O anúncio declarava a própria Conexão como pagadora; não há documento atribuindo a decisão de impulsionar a João ou ao PSB. A pauta também havia aparecido numa reportagem de televisão.

Duas mulheres no alvo

Nos dois episódios em que encontramos esse padrão, as adversárias eram mulheres. Isso não basta para chamar o conjunto de misoginia — ataque ou desprezo por ela ser mulher. Mas o conteúdo escolhido também não pode ser escondido.

Contra Marília, a disputa mobilizou Bíblia, aborto, drogas e “ideologia de gênero”. Contra Raquel, um feminicídio real virou instrumento para atribuir a ela responsabilidade moral por um assassinato.

Os documentos não revelam quem desenhou essa escolha nem com qual intenção. Esta matéria não diz “João ataca mulheres quando perde”. Diz o que pode demonstrar: nas duas eleições em que ele apareceu atrás, mulheres foram atacadas por conteúdos que ultrapassaram a campanha oficial. Em 2024, contra um homem e com vitória folgada, o acervo não trouxe caminho comparável.

Marília conhecia esse tipo de ataque de perto. Em 2020, quando liderava a disputa, o guia de João atingiu sua fé, sua honestidade e seu caráter. A acusação religiosa reapareceu no panfleto anônimo que dizia “Cristão de verdade não vota em Marília” e era distribuído ao lado do santinho de João.

Seis anos depois, os cartazes contra Raquel atingiram a memória de Fernando Lucena. Às 12h34 da segunda-feira, o Blog do Ricardo Antunes cobrou o que descreveu como 24 horas de silêncio de Marília. Às 14h36, a Veja publicou uma reportagem que já reproduzia uma nota de Marília contra gabinetes do ódio, cartazes anônimos, ataques, mentiras e notícias falsas. A nota também pedia apuração. Esses horários são das duas reportagens; não revelam a hora em que Marília publicou sua manifestação.

Hoje, Marília disputa o Senado na chapa liderada por João. A nota existe. A mudança de lado também.

O limite está aqui. João também nega.

Nas duas disputas, a queda nas pesquisas e os ataques aconteceram juntos. Os documentos não provam causa nem mostram João mandando produzir os ataques. Esse é o limite, concentrado aqui para não interromper a história.

No fim de agosto, cartazes sem assinatura atacaram Raquel nas ruas do Recife e usaram até a morte de Fernando Lucena, marido da governadora. João repudiou os cartazes, afirmou ter “absoluta certeza” de que sua campanha e seus aliados não participaram e pediu investigação à Justiça Eleitoral.

Publicações de adversários atribuíram os cartazes a João e ao PSB. A Justiça mandou retirar três delas por falta de prova da autoria.

A coligação de João também acusa o governo Raquel de manter uma estrutura de ataques contra ele e levou o caso à Justiça. Essas acusações precisam ser apuradas com a mesma régua.

As negativas e as decisões favoráveis a João não apagam os casos desta reportagem. Impedem apenas o atalho que os documentos não autorizam: colocar na conta dele os cartazes de autoria ainda desconhecida.

O que fica

A ordem de João não apareceu nos documentos. Os vínculos do campo político dele, sim. E não há base para fingir que são episódios isolados.

Em 2020, o ataque saiu do guia oficial e reapareceu, sem assinatura, ao lado do santinho de João. A ação eleitoral sobre os panfletos trouxe André Elias, servidor municipal que havia trabalhado para uma candidatura do PSB e depois foi nomeado por João.

Em 2026, a Justiça encontrou um produtor reconhecido, um servidor da articulação política da Prefeitura, um ex-secretário municipal e atual secretário-geral do PSB, um ex-gestor que virou dirigente partidário e perfis que publicam com braços da juventude do partido. Os processos alcançaram falsos diálogos, cenas inventadas, números distorcidos e acusações sem documento. Houve sanções de mérito, ordens provisórias e pedidos de retirada negados naquela fase.

Fora dos processos, sete páginas levavam o público ao site e ao WhatsApp oficiais da candidatura. Uma página de 295 mil seguidores reuniu candidata da coligação, secretário-geral do PSB e contas territoriais pró-João. O maior anúncio de uma página alcançada pela publicidade municipal empurrou a mesma cifra e a mesma linha política publicada por João.

Os vínculos funcionais, partidários, jurídicos, publicitários e de distribuição estão nos documentos. O que falta saber é se eles formam uma coordenação comum, quem paga cada atuação e até onde João conhece o trabalho feito a favor dele.

Como apuramos

Lemos decisões, despachos e acórdãos dos processos citados. Separamos alegação de partido, ordem provisória, identificação de responsável e julgamento final. Pedido de retirada negado não foi apresentado como mentira reconhecida.

Conferimos vínculos na folha da Prefeitura e da Câmara do Recife, em atos dos diários oficiais, na certidão partidária do PSB e nas prestações de contas do TSE.

Na parte digital, preservamos as listas de coautores exibidas pelo Instagram e distinguimos coautoria de simples marcação. Sete páginas com o mesmo endereço de mobilização provam destino comum; não provam dono comum.

Na publicidade, mantivemos separados valor contratado, empenhado, liquidado, faturado e pago. A soma de R$ 979.016,44 é de linhas nominais em documentos municipais, não de pagamentos por conteúdo eleitoral.

Os processos centrais do mapa de 2026 incluem 0600135-72, 0600401-59, 0600451-85, 0600466-54, 0600468-24, 0600484-75, 0600526-27, 0600645-85, 0600646-70, 0601353-38, 0601400-12, 0601405-34 e 0601463-37, todos de 2026 no TRE-PE.

Sobre 2024, a busca alcançou os processos localizados, o noticiário e o acervo preservado. A ausência de episódio comparável vale apenas para esse universo examinado.

Fontes principais


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