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Pernambuco

Bárbara Barbosa leva das redes à urna uma bandeira que já defendia nos tribunais

Advogada de 30 anos estreia na disputa por uma vaga na Câmara com cerca de 31,6 mil seguidores, atuação jurídica ligada às liberdades fundamentais e uma campanha centrada em fiscalização, desenvolvimento e renovação política.

Bárbara Barbosa leva das redes à urna uma bandeira que já defendia nos tribunais
Foto: divulgação.

O vídeo começa com uma notícia ruim para quem o publicou: as sátiras haviam sido retiradas do ar por ordem da Justiça Eleitoral. Bárbara Barbosa poderia ter encerrado o assunto ali. Fez o contrário: sentou diante da câmera, explicou o que havia acontecido e transformou a decisão numa discussão pública sobre os limites da crítica política.

O resultado ajuda a medir o tamanho da conversa. Na tarde desta sexta-feira, 4 de setembro, a publicação de 12 de julho registrava 89,9 mil curtidas, 5,5 mil comentários e 5 mil republicações. Só o número de curtidas era quase três vezes maior que o público que seguia o perfil.

Aos 30 anos, a advogada disputa pela primeira vez uma eleição. É candidata a deputada federal pelo Partido NOVO e teve o registro deferido pela Justiça Eleitoral.

Sua entrada na política vem por uma porta bem definida: fiscalização do poder público, liberdade de expressão e renovação de uma estrutura que, segundo ela, ainda conserva velhos hábitos e sobrenomes no comando de Pernambuco.

Uma bandeira anterior à campanha

Em política, promessa nasce fácil. Coerência leva mais tempo.

No caso de Bárbara, a defesa das liberdades fundamentais aparece antes do pedido de registro da candidatura. O Supremo Tribunal Federal a relaciona, com a inscrição 56.493 da OAB de Pernambuco, entre os advogados do Instituto Brasileiro de Direito e Religião na Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.426.

A ação discute regras do Conselho Federal de Psicologia sobre a relação entre exercício profissional e crença religiosa. Bárbara integra uma equipe, não responde sozinha pelo trabalho. O dado biográfico é que ela já atuava formalmente num debate sobre liberdade de consciência antes de virar candidata.

Há também produção acadêmica. Bárbara é autora de um estudo comparado sobre objeção de consciência nas Forças Armadas, publicado pela Revista Internacional do Instituto Brasileiro de Direito e Religião, e de um capítulo sobre direitos humanos em obra catalogada pela biblioteca do Superior Tribunal de Justiça. A liberdade que agora ocupa o centro da campanha já fazia parte de sua atuação jurídica e intelectual.

A advogada que decidiu falar sem juridiquês

Nas redes, Bárbara levou esse repertório para fora dos processos e dos livros. Seu perfil no Instagram é verificado e reunia 214 publicações e cerca de 31,6 mil seguidores na consulta feita pela reportagem.

Os vídeos alternam explicações jurídicas, leitura de acontecimentos políticos, críticas ao uso do dinheiro público e comentários sobre o papel de prefeitos, governadores, parlamentares e órgãos de controle. Em vez de despejar artigo de lei, ela procura responder: quem tinha obrigação de fazer, quem deveria fiscalizar e onde foi parar o dinheiro?

No vídeo, Bárbara comenta a retirada das sátiras por ordem da Justiça Eleitoral. Reprodução/@barbara.barbosape

Bárbara afirma que esse público foi construído sem impulsionamento, mas a reportagem não tem acesso ao histórico completo da conta. O registro público é mais específico: ao chegar a 31,6 mil seguidores, em 3 de setembro, ela disse que os cem mais recentes haviam chegado sem anúncio pago, por compartilhamentos e indicações.

Em julho, decisões liminares do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinaram a retirada de episódios de uma série produzida com animação e inteligência artificial. A Justiça entendeu, naquela análise inicial, que os conteúdos haviam ultrapassado os limites da crítica eleitoral. Também proibiu a republicação de material considerado substancialmente equivalente, sob pena de multa.

Bárbara discorda. Chama a medida de censura e sustenta que uma ordem com termos amplos pode intimidar novas críticas antes mesmo de elas existirem. Os pedidos mais explícitos para impedir genericamente novos episódios ou submetê-los à avaliação prévia foram rejeitados, mas a controvérsia permaneceu.

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Em vez de se recolher, ela sustentou publicamente sua tese mesmo depois de enfrentar ordem de remoção e risco de multa. A coragem, aqui, aparece no fato e dispensa adjetivo.

O mandato que ela apresenta ao eleitor

A candidatura foi organizada em três eixos: combate à corrupção, desenvolvimento econômico de Pernambuco e preservação das liberdades fundamentais.

No primeiro, Bárbara promete dar prioridade à fiscalização. Para ela, deputado federal não existe apenas para apresentar projeto de lei, mas também para acompanhar a aplicação dos recursos, cobrar explicações e usar os instrumentos de controle que a Constituição colocou nas mãos do Congresso.

Isso permite uma cobrança concreta se ela for eleita. Requerimentos de informação, convocações de ministros, trabalho em comissões, pedidos de auditoria e acompanhamento do orçamento deixam rastro. Dá para contar, comparar e verificar.

No eixo econômico, a candidata defende menos burocracia para quem produz e empreende, com atenção ao efeito das decisões federais sobre Pernambuco. No campo das liberdades, quer rever normas que, em sua avaliação, restrinjam críticas a agentes públicos antes e durante o período eleitoral.

Há ainda uma tese que dá identidade à campanha: enfrentar o que Bárbara chama de dinastias de poder. É a crítica à ideia de que sobrenome, família e máquina política funcionem como herança de cargo público. Ela apresenta essa disputa como combate ao coronelismo e defende a vida pública como vocação, não como patrimônio de grupo.

Ao lado de Raquel, sem esconder posição

Bárbara concorre numa chapa proporcional do partido que escolheu lado na disputa estadual. Em 21 de julho, o NOVO oficializou apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra durante a convenção estadual. A sigla lançou 26 candidatos à Câmara dos Deputados e afirmou que considerava o projeto de Raquel o melhor caminho para Pernambuco.

O apoio comprovado é partidário, não uma declaração pessoal da governadora a cada nome da lista. Dentro desse campo, Bárbara liga a campanha federal à continuidade de Raquel, ao desenvolvimento de Pernambuco e à oposição ao retorno do PSB ao comando do Estado.

Uma candidatura com identidade própria

O eleitor não precisa adivinhar o que Bárbara pretende defender. Há uma linha reconhecível entre a advogada que estudou liberdade de consciência, a comunicadora que explica o poder público sem juridiquês e a candidata que coloca fiscalização no centro do mandato.

Ela chega à primeira disputa sem mandato anterior, mas com audiência própria, posição clara e disposição para entrar em brigas grandes. Aos 30 anos, diz desde já o que pretende fazer com uma cadeira em Brasília: vigiar o poder, cobrar o uso do dinheiro público e defender o direito de criticá-lo.

Como apuramos

A reportagem partiu de informações biográficas e propostas encaminhadas pela própria candidata. Os dados foram cruzados com o registro de candidatura no TSE, publicações do TRE-PE, o andamento da ADI 7.426 no STF, produção acadêmica, o perfil público no Instagram e a cobertura da convenção estadual do NOVO.

Foram consultados, entre outros, os processos eleitorais 0600409-36.2026.6.17.0000 e 0600525-42.2026.6.17.0000. A afirmação de que toda a audiência foi obtida sem impulsionamento não foi apresentada como fato, porque exigiria acesso ao histórico completo de anúncios e aos dados internos da conta. Também não foi incluída a alegação de suspensão temporária do perfil, que não apareceu com prova independente suficiente nas fontes consultadas.

O texto não foi submetido à aprovação da candidata. A checagem factual continua aberta para correções documentadas.


Fontes principais

TSE/DivulgaCandContas · STF — ADI 7.426 · Revista Dignitas · Instagram de Bárbara Barbosa · CNN Brasil

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