Pesquisa Ranking: Raquel abre 11,91 pontos; Marília e Humberto aparecem à frente no Senado
Levantamento do Instituto Ranking ouviu 1.200 eleitores em Pernambuco. O Contraditório conferiu o registro, o questionário e a nota fiscal e reuniu todos os resultados divulgados para Governo e Senado.

Onze vírgula noventa e um pontos.
É a distância que separa Raquel Lyra de João Campos na primeira pesquisa do Instituto Ranking sobre a eleição de Pernambuco.
No cenário estimulado — aquele em que o entrevistador apresenta a lista de nomes —, Raquel tem 49,83%. João aparece com 37,92%.
A margem de erro máxima informada é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos. Mesmo numa leitura conservadora, colocando Raquel no limite inferior e João no superior, os dois intervalos não se encostam: ela ficaria com 47%; ele, com 40,75%.
É uma liderança clara dentro desta fotografia.
Mas é fotografia, não urna. A pesquisa não divulgou uma conta de votos válidos e não perguntou sobre segundo turno. Portanto, os 49,83% não autorizam dizer que a eleição estaria resolvida na primeira rodada.

Seis candidatos, juntos, somam 1,75%
Depois dos dois primeiros, a distância é grande.
Ivan Moraes aparece com 0,58%. Professora Camila tem 0,42%. Professor Jeremias do Banco marca 0,33%. Renan tem 0,25%. Guilherme Fonseca registra 0,17%. Victor Assis não pontuou.
Somados, os seis chegam a 1,75%.
Outros 5,33% não souberam ou não responderam. Branco e nulo representam 5,17%. A conta inteira fecha em 100%.

A vantagem permanece mesmo sem mostrar os nomes
A pesquisa também fez a pergunta espontânea. Quando o eleitor responde de cabeça, sem receber uma lista de candidatos, Raquel continua na frente.
Ela aparece com 41,92%. João Campos tem 29,67%. A distância aumenta para 12,25 pontos.
Ainda não sabiam ou não responderam 18,58%. Branco e nulo somam 8,33%. Outros nomes foram citados por 1,50%.
Mais uma vez, o bloco fecha em 100%.

No Senado, a conta muda: são dois votos
O mesmo levantamento mediu a disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado.
Aqui há uma diferença que precisa ser entendida antes de olhar o ranking: cada pessoa podia apontar um primeiro e um segundo nome. O questionário proibia repetir o mesmo candidato nas duas respostas.
Por isso, a soma correta é 200 pontos, não 100.
Marília Arraes soma 28 pontos nas duas respostas. Humberto Costa aparece logo atrás, com 26,42. A diferença entre os dois é de 1,58 ponto — menor que a margem máxima de 2,83. A leitura segura é que os dois aparecem juntos na dianteira, ocupando as duas primeiras posições.
Eduardo da Fonte vem com 16,58 pontos. Mendonça Filho tem 13,50. Túlio Gadêlha marca 10,67.
A tabela combinada também atribui 50,17 pontos a quem não soube ou não respondeu e 45,33 pontos a nenhum, branco ou nulo.
Isso não quer dizer que 50,17% dos entrevistados estejam sem os dois votos definidos. Uma mesma pessoa pode ter escolhido um candidato para uma vaga e respondido “não sabe” na outra. Sem as tabelas separadas do primeiro e do segundo voto, não dá para transformar esses pontos em quantidade de pessoas totalmente indecisas.

Os outros sete nomes medidos
Pastor Gilvan Costa tem 3,58 pontos. Samuel Timóteo aparece com 2. Carlos Sant’Anna marca 1,58. Paulo Rubem Santiago tem 1,50. Gorett Bitu registra 0,42. Mariano Macedo tem 0,25. Mailson da Silva Neto não pontuou.
Somando apenas os doze candidatos, são 104,50 pontos. As duas categorias sem nome — não sabe/não respondeu e nenhum/branco/nulo — somam os outros 95,50 pontos. Total: 200.

Uma pergunta ficou sem resultado publicado
O questionário oficial tem cinco perguntas eleitorais.
Duas são para governador: espontânea e estimulada. Três são para o Senado: espontânea, primeiro voto estimulado e segundo voto estimulado.
Os números divulgados cobrem os dois blocos do Governo e o resultado estimulado combinado do Senado.
O resultado da pergunta espontânea para o Senado não apareceu nas publicações do contratante. Também não foram divulgadas tabelas separando o primeiro do segundo voto.
Até a consulta feita por O Contraditório na manhã desta sexta-feira, o relatório completo com os resultados ainda não estava disponível na página pública do PesqEle. Sem esse documento, não há número sério a preencher nessa lacuna. A reportagem publica tudo o que foi efetivamente divulgado e diz, com todas as letras, o que ainda não foi.
O questionário não perguntou segundo turno, rejeição de candidatos nem avaliação do Governo do Estado. Logo, esta pesquisa não pode ser usada para medir nenhum desses três temas.
Como apuramos
Como a amostra foi montada
O Instituto Ranking ouviu 1.200 eleitores, presencialmente, de forma domiciliar e individual, entre 29 e 31 de agosto de 2026. O cadastro diz que a amostra alcançou zonas urbanas e rurais de Pernambuco.
O plano combina sorteio de municípios e setores censitários com cotas para escolher os entrevistados. “Probabilidade proporcional ao tamanho”, ou PPT, significa que os lugares maiores têm chance proporcionalmente maior de entrar na amostra.
A composição planejada por sexo foi de 46,5% de homens e 53,5% de mulheres.
Por idade: 13,15% de 16 a 24 anos; 19,61% de 25 a 34; 19,83% de 35 a 44; 25,55% de 45 a 59; e 21,86% com 60 anos ou mais.
Por escolaridade: 5,99% de analfabetos; 9,19% que leem e escrevem; 22,45% com fundamental incompleto; 4,60% com fundamental completo; 17,28% com médio incompleto; 27,38% com médio completo; 4,77% com superior incompleto; e 8,35% com superior completo. A soma dá 100,01% por efeito de arredondamento.
Por renda domiciliar mensal por pessoa: 65,74% até dois salários mínimos; 23,07% acima de dois e até cinco; e 11,19% acima de cinco salários mínimos.
O instituto declarou que faria ponderação se a coleta se afastasse da composição planejada acima da margem de erro. Também informou que ao menos 30% dos questionários passariam por verificação posterior — um mínimo de 360 entrevistas.
O nível de confiança é de 95%. A margem de erro máxima estimada é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre o total da amostra.
Quem contratou e quanto custou
A pesquisa foi encomendada por M. F. Gonçalves de Lima / Conteúdo & Comunicação, empresa responsável pelo Blog do MF.
O mesmo CNPJ aparece como contratante e pagador. O valor registrado é de R$ 20 mil.
A nota fiscal eletrônica número 62, emitida pelo Instituto Ranking em 28 de agosto, também traz R$ 20 mil e descreve o serviço como “pesquisa realizada em PE”. A ficha pública mostra a origem do recurso como “Outros: próprio”.
O registro oficial tem uma divergência ainda sem explicação
A ficha pública merece uma ressalva.
Os dois textos publicados pelo Blog do MF informam o registro PE-08901/2026, o mesmo exibido na consulta pública do PesqEle.
O PesqEle e o arquivo de dados abertos do TSE mostram que a pesquisa PE-08901/2026 foi registrada em 31 de agosto e tinha divulgação marcada para 3 de setembro. A Resolução do TSE determina cinco dias completos entre o registro e a divulgação.
Há mais um ruído dentro do próprio sistema eleitoral. Um aviso automático baixado diretamente da linha PE-08901/2026 repete a data de 31 de agosto, mas identifica o protocolo como PE-00184/2026. O código de autenticidade desse aviso leva de volta ao registro PE-08901/2026. Uma nova busca por PE-00184/2026 não devolveu nenhuma pesquisa cadastrada.
Esses documentos não permitem dizer, sozinhos, por que as datas e os protocolos aparecem dessa forma. O que eles permitem afirmar é mais preciso: existe uma inconsistência entre documentos do sistema eleitoral, ainda sem explicação pública.
Na mesma consulta, feita às 8h27 desta sexta-feira, o PesqEle informava que o relatório completo não havia sido fornecido e que a pesquisa não possuía arquivo de municípios e bairros. O prazo de complementação previsto na norma ainda estava em curso naquele horário. Portanto, a ausência não deve ser tratada, agora, como irregularidade consumada.
E uma última diferença importa: registro no TSE não é selo de aprovação do resultado. A própria Justiça Eleitoral informa que não faz controle prévio das pesquisas. O sistema guarda o cadastro; a responsabilidade pelas informações e pelos arquivos é da empresa que realizou o levantamento.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos. A matéria será atualizada se o registro receber novos documentos ou se houver explicação para a divergência.
Ficha técnica
- Instituto: Instituto Ranking de Pesquisa Ltda.
- Contratante e pagador: M. F. Gonçalves de Lima / Conteúdo & Comunicação.
- Valor: R$ 20.000,00.
- Coleta: 29 a 31 de agosto de 2026.
- Entrevistas: 1.200, presenciais, domiciliares e individuais.
- Abrangência: Pernambuco, zonas urbana e rural.
- Margem de erro máxima: 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos.
- Nível de confiança: 95%.
- Responsável técnica: Isis Milane Batista de Lima, CONRE 9741.
- Registro informado: PE-08901/2026.
Fontes principais
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