Raquel segue à frente. O que a Quaest mostra além da diferença
A distância para João diminuiu, mas a governadora conserva o maior percentual nas três perguntas sobre o governo. Entenda o que mudou desde agosto e por que a disputa pelo Senado precisa ser lida separadamente.

Em 25 de agosto, Raquel Lyra tinha 44% das intenções de voto para o Governo de Pernambuco. João Campos tinha 36%. Duas semanas depois, na pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8), a governadora apareceu com 43%, e o ex-prefeito do Recife, com 37%.
A diferença caiu de oito para seis pontos. O percentual de Raquel oscilou um ponto para baixo; o de João, um para cima. São mudanças pequenas, dentro da margem de erro da pesquisa.
A conclusão é que Raquel preservou sua posição na disputa. Ela também aparece primeiro quando o eleitor precisa dizer um nome sem receber uma lista e quando a pergunta simula um segundo turno contra João. Para entender o alcance desses resultados, é preciso olhar cada pergunta.
O que mudou desde agosto
A primeira pergunta apresenta os nomes dos candidatos e pede ao entrevistado que escolha um. É a chamada pesquisa estimulada. Além de Raquel e João, dois nomes têm 1% cada. Os demais aparecem com 0%, depois do arredondamento dos resultados. Há ainda eleitores sem escolha e os que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.
| Candidato ou resposta | 25/08 | 08/09 |
|---|---|---|
| Raquel Lyra | 44% | 43% |
| João Campos | 36% | 37% |
| Ivan Moraes | 1% | 1% |
| Renan | 0% | 1% |
| Professora Camila | 0% | 0% |
| Victor Assis | 0% | 0% |
| Guilherme Fonseca | 0% | 0% |
| Professor Jeremias Do Banco | 0% | 0% |
| Indecisos | 12% | 12% |
| Branco/Nulo/Não Vai Votar | 7% | 6% |
A pesquisa não ouve todos os eleitores. Ouve uma parte deles para estimar a preferência do conjunto. Por isso, cada resultado tem uma margem de erro: nesta rodada, até três pontos para mais ou para menos.
Aplicada aos dois primeiros, essa margem leva Raquel de 40% a 46% e João de 34% a 40%. As faixas se encontram no limite. É por isso que a cobertura fala em empate técnico, mesmo com a governadora seis pontos acima no resultado central. A pesquisa mostra sua dianteira numérica, mas não uma distância garantida de seis pontos no eleitorado inteiro.
Quando o eleitor responde sem ver os nomes
Na pergunta espontânea, o entrevistador não oferece uma lista: o eleitor precisa lembrar e dizer em quem votaria. Raquel tem 33%, e João, 24%. Os outros candidatos aparecem com 0%. Os indecisos são 40%; branco, nulo ou não comparecimento, 3%.
Essa pergunta ajuda a medir a lembrança dos nomes. A governadora continua em primeiro lugar mesmo sem a lista. Ao mesmo tempo, a quantidade de indecisos mostra quantas pessoas ainda não citam espontaneamente um candidato.
Se a disputa fosse para um segundo turno apenas entre Raquel e João, ela teria 45%, e ele, 39%. Outros 10% não sabem em quem votar; 6% escolheriam branco, nulo ou não iriam à urna. A margem de três pontos também se aplica aqui. São perguntas da mesma pesquisa, não três levantamentos diferentes.
Quem rejeita e quem ainda pode mudar o voto
Outro dado favorável a Raquel está na rejeição: 34% dizem conhecê-la e não votar nela. Para João, são 38%. Ele tinha 40% em agosto; ela já tinha 34%. A rejeição do ex-prefeito diminuiu, mas continua numericamente maior que a da governadora.
O JC também informa que 76% dos entrevistados consideram sua escolha definitiva, contra 72% na rodada anterior. Outros 23% admitem mudar, e 1% não sabe ou não responde. Esse resultado é geral: não significa que 76% dos eleitores de Raquel estejam decididos, nem permite dizer quais candidatos ganhariam com uma mudança.
De onde vem a conversa sobre primeiro turno
Para vencer a eleição de governador sem segundo turno, é preciso receber mais da metade dos votos válidos — os dados a algum candidato, sem contar brancos e nulos.
Na tabela da Quaest, os percentuais atribuídos aos candidatos somam 82%. Se considerarmos apenas esse conjunto, os 43% de Raquel equivalem a aproximadamente 52,4%. É essa conta que alimenta a discussão sobre uma possível vitória já na primeira votação.
Mas os 52,4% são uma conta feita com percentuais arredondados, não um resultado de votos válidos divulgado no painel da Quaest. Os indecisos podem escolher um candidato, outros eleitores podem mudar e a margem de erro continua existindo. A hipótese cabe na discussão; a pesquisa não autoriza anunciar o resultado da eleição.
Como os diferentes grupos responderam
O levantamento também separa as respostas por idade, renda, escolaridade e outras características. Entre os entrevistados que se declaram politicamente independentes, por exemplo, Raquel tem 41%, e João, 27%. É mais um resultado favorável à governadora, embora não explique, sozinho, o motivo dessa escolha.
Na tabela abaixo, cada linha reúne menos pessoas que a pesquisa inteira. Por isso, a margem de erro é maior e varia conforme o grupo. Uma mesma pessoa pode aparecer em várias linhas — por ser mulher, ter ensino superior e pertencer a determinada faixa de renda. Esses grupos não devem ser somados.
| Recorte | Raquel | João | Erro |
|---|---|---|---|
| Sexo: Feminino | 38% | 39% | ±4 p.p. |
| Sexo: Masculino | 47% | 36% | ±4 p.p. |
| Idade: 16 a 34 anos | 48% | 30% | ±5 p.p. |
| Idade: 35 a 59 anos | 43% | 36% | ±4 p.p. |
| Idade: 60 anos ou mais | 36% | 47% | ±6 p.p. |
| Renda: Até 2 sm | 40% | 38% | ±4 p.p. |
| Renda: Mais de 2 a 5 sm | 44% | 37% | ±5 p.p. |
| Renda: Mais de 5 sm | 50% | 35% | ±7 p.p. |
| Escolaridade: Fundamental | 38% | 41% | ±4 p.p. |
| Escolaridade: Médio | 52% | 29% | ±4 p.p. |
| Escolaridade: Superior | 38% | 44% | ±7 p.p. |
| Cor: Branca | 42% | 38% | ±5 p.p. |
| Cor: Parda | 44% | 36% | ±4 p.p. |
| Cor: Preta | 44% | 37% | ±8 p.p. |
| Religião: Católica | 39% | 44% | ±4 p.p. |
| Religião: Evangélica | 54% | 24% | ±5 p.p. |
| Identificação política: Bolsonarista | 77% | 11% | ±8 p.p. |
| Identificação política: Direita não bolsonarista | 76% | 13% | ±8 p.p. |
| Identificação política: Esquerda não lulista | 28% | 59% | ±8 p.p. |
| Identificação política: Independente | 41% | 27% | ±5 p.p. |
| Identificação política: Lulista | 33% | 54% | ±4 p.p. |
“Erro” é a margem para mais ou para menos em cada resultado. “p.p.” significa pontos percentuais; “sm”, salários mínimos. As classificações políticas descrevem como os entrevistados se identificam. Não são rótulos atribuídos aos candidatos. São os 21 recortes publicados no painel do g1, que não apresenta uma divisão por Agreste, Sertão e Região Metropolitana.
No Senado, cada eleitor terá duas escolhas
A disputa pelo Senado funciona de outro jeito. Pernambuco elegerá dois senadores, e cada eleitor poderá votar em dois nomes diferentes. Serão eleitos os dois mais votados, sem segundo turno. A primeira escolha não disputa uma vaga separada da segunda: todos concorrem às mesmas duas cadeiras.
A Quaest perguntou pelos dois nomes. A coluna “Total” considera juntas as duas escolhas e mostra a participação de cada candidato nesse conjunto de respostas. Por isso, não corresponde à soma das outras duas colunas. Pequenas diferenças nas contas decorrem dos arredondamentos.
| Candidato ou resposta | Total | 1º voto | 2º voto |
|---|---|---|---|
| Marília Arraes | 17% | 22% | 12% |
| Humberto Costa | 14% | 16% | 13% |
| Mendonça Filho | 11% | 15% | 6% |
| Eduardo Da Fonte | 7% | 6% | 8% |
| Túlio Gadêlha | 4% | 3% | 4% |
| Pastor Gilvan Costa | 1% | 1% | 1% |
| Carlos Sant’Anna | 1% | 0% | 1% |
| Paulo Rubem Santiago | 0% | 0% | 0% |
| Mariano Macedo | 0% | 0% | 1% |
| Mailson Da Silva Neto | 0% | 0% | 0% |
| Gorett Bitu | 0% | 0% | 0% |
| Samuel Timoteo | 0% | 0% | 0% |
| Indecisos | 27% | 22% | 33% |
| Branco/Nulo/Não Vai Votar | 18% | 15% | 21% |
Marília Arraes, Humberto Costa e Mendonça Filho têm os maiores percentuais no total. Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha, aliados de Raquel, aparecem depois. A posição da governadora, portanto, ainda não se repete na disputa dos seus aliados pelas cadeiras do Senado.
A segunda escolha está mais aberta: 33% não sabem quem indicar, contra 22% na primeira. Marília tem o maior percentual na primeira resposta; Humberto, na segunda. Essas posições não significam que uma vaga já pertença a cada um.
O que fica em aberto no Senado
Quando o entrevistador não apresenta os nomes, os indecisos para o Senado chegam a 78%. Branco, nulo ou não comparecimento somam 5%; outros nomes aparecem com 0%. Abaixo estão as citações de cada candidato nessa pergunta e sua rejeição, medida separadamente.
| Candidato | Espontânea | Rejeição |
|---|---|---|
| Marília Arraes | 5% | 40% |
| Mendonça Filho | 3% | 40% |
| Humberto Costa | 6% | 38% |
| Eduardo Da Fonte | 2% | 35% |
| Túlio Gadêlha | 1% | 29% |
| Pastor Gilvan Costa | 0% | 20% |
| Paulo Rubem Santiago | 0% | 12% |
| Carlos Sant’Anna | 0% | 12% |
| Mariano Macedo | 0% | 9% |
| Gorett Bitu | 0% | 6% |
| Mailson Da Silva Neto | 0% | 9% |
| Samuel Timoteo | 0% | 10% |
A coluna “Espontânea” mostra quem foi lembrado sem a lista. “Rejeição” mostra quem o entrevistado diz conhecer e em quem não votaria. É possível rejeitar mais de um candidato; por isso, essa coluna não deve somar 100%.
Como apuramos
Consultamos os dados públicos que alimentam os gráficos do g1 e conferimos os números das tabelas. Eles mostram que a rejeição atual de João é de 38%; os 40% reproduzidos em parte da cobertura pertencem a agosto. O dado sobre a possibilidade de mudar o voto vem do JC. As regras da eleição foram conferidas no TSE e no Senado.
A Quaest, contratada pela Globo, fez 1.302 entrevistas pessoais em domicílios de 58 municípios, entre 4 e 7 de setembro. Foram ouvidos eleitores de Pernambuco com 16 anos ou mais. A margem máxima é de três pontos, com confiança de 95% — o nível de segurança estatística usado para calcular essa margem. Os registros informados pelo g1 são PE-00285/2026 e BR-02317/2026.
O PDF integral da pesquisa não foi localizado em acesso público. Esta matéria reúne os resultados disponíveis no painel e na cobertura consultada; não apresenta esse material como a íntegra do instituto. A interpretação é do O Contraditório. Consulta em 9 de setembro de 2026.
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