Rodolfo venceu duas vezes. Izaías não aparece entre os três favoritos do PSD
Análise | O histórico das urnas e as projeções para cada chapa mostram caminhos bem diferentes até uma cadeira em Brasília. Para Garanhuns, essa diferença importa.

Fernando Rodolfo, deputado federal nascido em Garanhuns, foi eleito em 2018, venceu de novo em 2022 e tenta renovar o mandato. Izaías Régis quer chegar à Câmara pela primeira vez. Quando se comparam votos, projeções e recursos de campanha, os dois aparecem em posições bem diferentes.
A diferença começa nas urnas
Fernando Rodolfo recebeu 52.824 votos na primeira eleição para deputado federal, em 2018. Quatro anos depois, foi reeleito com 60.088. Em Garanhuns, a votação de Rodolfo caiu de 10.727 para 6.354 votos entre as duas eleições. Mesmo com a queda na cidade, Rodolfo cresceu no total de Pernambuco e garantiu o segundo mandato. O deputado já mostrou que consegue votos além do município onde nasceu.
Izaías Régis foi eleito deputado estadual em 2022 com 27.104 votos. Desse total, 22.381 vieram de Garanhuns; os outros 4.723, do restante do estado. Em 2024, Izaías disputou a Prefeitura de Garanhuns, recebeu 15.944 votos e perdeu. São cargos e disputas diferentes: uma votação não prevê automaticamente a outra. Mas a pergunta para uma candidatura federal continua de pé: onde Izaías vai buscar os votos fora de Garanhuns? O Contraditório já examinou essa concentração de votos.
A quarta vaga do PSD é uma aposta difícil
O levantamento DataAndré publicado pelo Jornal do Commercio aponta três favoritos do PSD para deputado federal: Daniel Coelho, Fernando Monteiro e Guilherme Uchoa Júnior. A projeção DataMário também dá três cadeiras ao partido, com os mesmos nomes. Izaías não aparece entre eles.
Das três análises que examinamos, apenas o DataLyra admite que o PSD possa chegar a uma quarta cadeira. Mesmo nessa hipótese mais favorável, a vaga não estaria à espera de Izaías: ele é citado na disputa com Célia Sales, Sargento Almeida e Socorro Pimentel, depois dos três nomes à frente. O partido teria de contrariar o cenário das outras duas análises; Izaías, de superar seus concorrentes internos. São duas barreiras, não uma vaga quase conquistada.
Fernando Rodolfo disputa por outra chapa, a federação PRD/Solidariedade. O DataLyra aponta Rodolfo como o nome mais bem posicionado desse grupo. A federação é projetada com zero a uma cadeira: precisa reunir votos suficientes para conquistá-la. Se a cadeira vier, Fernando aparece à frente para ocupá-la. Rodolfo também já provou nas urnas, duas vezes, que consegue vencer uma eleição federal em Pernambuco.
O dinheiro que o PSD distribuiu
Conferimos em 24 de setembro as contas de todos os 25 candidatos a deputado federal do PSD em Pernambuco no DivulgaCandContas, do TSE. O retrato dos repasses declarados do Fundo Eleitoral é este: Daniel Coelho, Fernando Monteiro e Guilherme Uchoa Júnior receberam R$ 2,3 milhões cada. Célia Sales e Cris Queralvares receberam R$ 900 mil cada. Izaías recebeu R$ 200 mil. São cinco candidaturas do próprio partido com repasses maiores que o dele. Na outra chapa, Fernando Rodolfo tem R$ 2,3 milhões declarados. As contas são atualizadas em datas diferentes e novos repasses podem alterar os valores.
Há um detalhe que torna essa escolha política ainda mais difícil de ignorar. Nos critérios apresentados pelo próprio PSD à Justiça Eleitoral, o partido manda priorizar candidaturas competitivas e estratégicas ao distribuir o Fundo Eleitoral. O documento não revela por que cada candidato recebeu seu valor, e a lei também estabelece regras de financiamento para candidaturas de mulheres. Ainda assim, a pergunta cabe: se Izaías é uma aposta forte para a Câmara, por que o PSD declarou para ele menos recursos que para cinco outros nomes da própria chapa? Até aqui, não encontramos uma explicação individual do partido para essa diferença.
Repasses não elegem ninguém por si só. Mas, para quem apresenta Izaías como favorito, os R$ 200 mil e a posição dele nas projeções exigem uma explicação concreta. Até agora, a quarta cadeira aparece como hipótese em apenas uma das análises consultadas.
Por que a chapa importa
Na eleição para deputado federal, os votos dos candidatos ajudam o partido ou a federação a conquistar cadeiras. Depois, a votação individual define quem fica com as vagas obtidas, segundo as regras explicadas pelo TSE. Não há um número fixo de votos que garanta o mandato, nem uma cadeira reservada a Garanhuns. Por isso, esta análise compara histórico, posição nas chapas e recursos declarados; não inventa uma “nota de corte”.
A disputa por Raquel também pesa
A federação de Fernando Rodolfo decidiu apoiar João Campos para governador. Rodolfo escolheu continuar com Raquel Lyra e defendeu publicamente que cada candidato pudesse decidir seu apoio.
Izaías Régis, que é do PSD de Raquel e já liderou o governo dela na Assembleia, foi à Justiça contra peças de Rodolfo que exibiam o rosto e o número da governadora junto ao deputado e à sua federação. O TRE-PE mandou retirar aquelas peças em decisão provisória. A razão apontada foi o risco de o eleitor entender que a federação de Rodolfo apoiava formalmente Raquel. O apoio pessoal de Rodolfo à governadora permaneceu permitido.
O tribunal explicou a razão jurídica. A escolha política merece cobrança: numa eleição disputada para o governo, por que um candidato do partido de Raquel escolheu pedir a retirada de peças que mostravam a governadora aos eleitores de Rodolfo? Izaías tinha o direito de questionar a propaganda. O eleitor também tem o direito de perguntar se essa disputa local ajudou o projeto estadual que ele diz apoiar. Não há prova de motivo pessoal; há uma ação judicial e seu efeito sobre aquelas peças.
O que fica para Garanhuns
O eleitor pode gostar de Rodolfo ou discordar dele. O fato é que a cidade tem um deputado federal nascido em Garanhuns, eleito duas vezes por Pernambuco, e já recebeu recursos e projetos ligados a esse mandato. Izaías tem o direito de disputar a representação da cidade. Para quem quer manter essa voz na Câmara, o histórico comprovado de Rodolfo e os obstáculos ainda diante de Izaías pesam na escolha.
Como apuramos
Conferimos os resultados eleitorais de Fernando e Izaías nos dados oficiais do TSE, três avaliações de cenário publicadas em agosto e setembro e as contas declaradas dos 25 candidatos federais do PSD em Pernambuco e de Fernando Rodolfo. A consulta financeira foi refeita em 24 de setembro; cada prestação de contas indica sua própria data de atualização. Lemos os critérios oficiais do PSD para distribuir o Fundo Eleitoral e a decisão provisória do TRE-PE. As projeções são avaliações políticas, não pesquisas de intenção de voto. Elas não asseguram a eleição de Rodolfo nem tornam impossível uma vitória de Izaías.
Fontes principais
- Resultados oficiais do TSE em 2018 e 2022; biografia de Fernando na Câmara.
- O Contraditório: histórico eleitoral de Izaías, repasses do Fundo Eleitoral e o que a representação federal trouxe a Garanhuns.
- DataMário, DataAndré no Jornal do Commercio, DataLyra para o PSD e DataLyra para PRD/Solidariedade.
- DivulgaCandContas do TSE e resolução do PSD sobre o Fundo Eleitoral.
- Pronunciamento de Fernando sobre Raquel, registro da convenção e decisão do TRE-PE sobre a propaganda.
- TSE: como funciona a eleição proporcional.
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